29 de maio, de 2021 | 09:30

Cenário de geração de emprego é o pior dos últimos anos, aponta consultor

Indústria de transformação impediu maior deterioração do mercado de trabalho no Vale do Aço

Fotos Públicas
Somente Timóteo e Ipatinga geraram empregos no Vale do Aço em abrilSomente Timóteo e Ipatinga geraram empregos no Vale do Aço em abril

A divulgação dos resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) de abril já reflete os impactos da paralisação da economia decorrente da lentidão da vacinação da covid-19 e também o corte significativo dos valores pagos pelo Auxílio Emergencial do Governo Federal. A avaliação é do consultor especializado em desenvolvimento regional e geógrafo William Passos, que tabulou os dados para o Diário do Aço.

As informações do Novo Caged foram divulgadas na última quarta-feira (26) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. William, que mantém o Observatório das Metropolizações e integra a Rede Observatórios do Trabalho, do Observatório Nacional do Mercado de Trabalho do Ministério da Economia, destaca que no Vale do Aço os números do mercado de trabalho só não foram piores por causa do bom desempenho da indústria de transformação da região.

O setor, somente em Ipatinga e Timóteo, gerou 468 novos empregos no mês passado. “Foi por causa dele que Timóteo abriu 182 novas vagas em abril, liderando a geração de postos de trabalho na Região Metropolitana, seguido por Ipatinga, que criou 171 novos contratos com carteira assinada”, destaca.

Em compensação, o comércio e a construção civil eliminaram 304 empregos na Região Metropolitana, explicando o fechamento de 51 postos de trabalho em Coronel Fabriciano e de 43 postos em Santana do Paraíso. Em Ipatinga, o comércio demitiu 88 trabalhadores no mês passado. Em Fabriciano, o setor demitiu 41. Em Santana do Paraíso foram 30 desligados e em Timóteo, 27 perderam o emprego.

Já a construção civil demitiu 154 trabalhadores em Ipatinga em abril, seguido de 78 trabalhadores em Timóteo, 38 desligados em Fabriciano e quatro demitidos em Paraíso. Na Região Metropolitana Expandida, mapeada pelo geógrafo, a situação do setor não foi diferente em Belo Oriente, que registrou 69 demissões. Naquele município, aliás, a situação da construção civil só não foi pior que a do setor de serviços, que eliminou 84 contratos de trabalho, ajudando a puxar os 105 empregos perdidos no município no mês de abril.

Desempenho ruim

“Infelizmente, os números são muito ruins. Trabalho com dados do mercado de trabalho desde 2006, ainda na época da graduação em Geografia, e não me lembro de desempenho tão ruim em abril. O comércio e o setor de serviços têm sentido muito e os municípios que dependem destas atividades estão muito prejudicados”, alerta.

William acrescenta que a situação do Vale do Aço só não está pior por causa do importante parque industrial da região, que tem puxado os empregos neste período. “Como o preço das commodities está alto, entre as quais o minério de ferro, isso tem impulsionado a produção e os investimentos na cadeia da transformação do aço, beneficiando a indústria de Ipatinga e Timóteo. Por outro lado, isso não tem acontecido com a indústria da extração vegetal e o reflexo disso são os números ruins dessa indústria, que demitiu bastante em abril, e do mercado de trabalho de Belo Oriente, que costuma apresentar bons números, mas que no mês passado registrou resultado muito ruim”, reitera.
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Comentários

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Alec

29 de maio, 2021 | 19:11

“Mais petista chorando a mamadeira perdida.”

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