13 de maio, de 2021 | 15:00

Preço da carne não deve ter redução nos próximos meses

Exportação bovina e suína, além do preço do grão, são alguns dos motivos para elevação do valor

Bruna Lage
Carne bovina e suína não têm custado pouco ao brasileiro Carne bovina e suína não têm custado pouco ao brasileiro

Apaixonado por carne, o brasileiro tem visto o preço desta proteína cada vez mais caro nos açougues e supermercados. O cenário é negativo e sem perspectiva de melhora. Nos próximos meses, é possível que uma ligeira redução ocorra no valor praticado, mas a tendência é que logo volte a subir.

Conforme explicação de profissionais do frigorífico Frigonando, de Ipatinga, o cenário pode ser explicado por alguns fatores. “A exportação de carne bovina e suína aumentou muito, o preço do grão também teve alta e o processo de abate diminuiu o número de fêmeas no rebanho, assim como o gado de reposição de pasto. Foi um conjunto que fez com que ocorresse essa elevação do preço. No caso do gado, a alta nos últimos seis meses foi de mais de 10%. Os suínos também estão mais caros, mas um pouco menos”, avalia um funcionário do frigorífico.

Tendência

Ele acrescenta que a tendência não é de baixa, mas que talvez nos meses de maio ou junho, com o frio, as pastagens comecem a secar e passe a ocorrer uma oferta maior de gado, já que o mercado opta por vender os animais ao invés de mantê-los no pasto seco. “Isso porque ele perde um pouco de peso. Mas depois devemos ter outro pico. Se consideramos o preço do boi, a carne era para ter subido mais, só que o consumo ‘deu uma freada’ e o preço não conseguiu acompanhar. Poderia estar ainda mais elevado”, ponderou o funcionário.

Indignação

Na tarde desta quarta-feira (12), o Diário do Aço esteve em um supermercado de Ipatinga, onde uma consumidora se mostrou indignada com o valor praticado. “Vim comprar carne de segunda para fazer recheio de pastel e fiquei besta com o preço das coisas. Desisti, não vou gastar com um lanche o que poderia ser o jantar ou o almoço. A minha sorte é que moro sozinha com meu marido, meus filhos já são casados, mas fico com pena de quem tem várias bocas para sustentar e tem de escolher entre por arroz com feijão no prato ou um pedaço de carne”, esbravejou Alice de Souza, do bairro Veneza II.

Em um supermercado deste bairro, o preço do patinho bovino estava R$ 38,98; já o contrafilé R$ 42,98; quanto à carne suína, o quilo do pernil sem osso era de R$ 16,98, nesta quarta-feira.



Exportações de carne suína crescem 35,1% em abril



As exportações brasileiras de carne suína (incluindo todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram 98,3 mil toneladas em abril, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O saldo supera em 35,1% os embarques realizados no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 71,8 mil toneladas.

O resultado das exportações de abril chegou a US$ 232,3 milhões, número 40,6% superior ao registrado no mesmo período de 2020, quando foram obtidos US$ 165,2 milhões. 

No acumulado do ano (janeiro-abril), as exportações de carne suína alcançaram 351,8 mil toneladas, volume 25,29% maior em relação ao primeiro quadrimestre de 2020, quando foram exportadas 280,8 mil toneladas.

“Além das expressivas vendas para o mercado chinês, temos observado o aumento das exportações para outras regiões do planeta, incluindo mercados vizinhos ao Brasil. Em meio à forte pressão gerada pelos custos internos de produção, o bom desempenho destas exportações diminuem perdas e melhoram o quadro para as indústrias que atuam no mercado internacional”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.
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