07 de maio, de 2021 | 09:00

Com veículo adaptado, morador do Cidade Nova vai viajar e avaliar acessibilidade por onde passar

Álbum pessoal
Thiago Ferreira Soares Lima, de 32 anos, irá viajar e relatar as condições dos locais Thiago Ferreira Soares Lima, de 32 anos, irá viajar e relatar as condições dos locais
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
O auxiliar Técnico de Planejamento Thiago Ferreira Soares Lima, de 32 anos, nutre um sonho há algum tempo e irá colocar sua ideia em prática no fim deste mês. Em um motorhome (veículo com moradia) construído por ele, a partir da adaptação de um Fiat Doblò Adventure, ele pegará a estrada e, de quebra, fará uma avaliação de como está a acessibilidade pelos locais onde vai passar. Ele pretende conhecer grande parte de Minas Gerais, de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. Morador do bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso, Thiago teve a perna direita amputada após um acidente de trabalho no ano de 2013.

Ele explica que sempre quis viajar sem se preocupar com hospedagem, transporte e alimentação. Então, neste ano, resolveu colocar o sonho em prática, e construir seu mini-motorhome. “Adquiri um Doblò Adventure 2004, equipamentos e a matéria-prima necessária. Comecei a montagem da casinha no carro. Sigo alguns canais de viajantes no YouTube, que ganham algum dinheiro postando seus vídeos na plataforma, o que ajuda a se manterem na estrada. Decidi montar o meu canal (pcd aventura) e a página no Instagram (pcd_aventura) do ‘Projeto PCD Aventura’, para futuramente ter uma renda complementar que me ajude com as despesas da viagem”, explica.

A partir daí, Thiago teve a ideia de falar sobre a acessibilidade dos locais por onde passar, já que na condição de pessoa com deficiência, tem um olhar mais atento sobre a questão. “Isso para ajudar pessoas que tenham dificuldades de locomoção, tanto na escolha do local a visitar quanto mostrando a elas as dificuldades que encontrarão pelo caminho, caso decidam visitar aquele local. Assim nasceu o Projeto PCD Aventura”, revela.

Álbum pessoal
Veículo tem geladeira, fogão, vaso portátil químico, dentre outros itens necessários para a viagemVeículo tem geladeira, fogão, vaso portátil químico, dentre outros itens necessários para a viagem
Projeto

O projeto da casa no carro foi desenvolvido e executado por Thiago, que não contratou mão de obra especializada para não aumentar os custos. “Pensei bastante sobre o que era indispensável para esse tipo de viagem longa e comprei apenas o necessário (geladeira com compressor 12v, cuba para pia, torneira com filtro, fogão, botijão P13, vaso portátil químico, bomba 12v para água da pia, caixas de água, ducha 12v para o banho, sistema de energia solar, baterias e algumas outras coisas para possíveis reparos no carro durante a viagem). Para construir e equipar o mini-motorhome foi gasto uma média de R$ 9 mil”, contabiliza.

Vale do Aço

Para Thiago Lima, a acessibilidade no Vale do Aço está acima da média, se comparado a outras cidades que já visitou, mas está longe do ideal, principalmente quando se fala em calçadas e conscientização da população. “O que mais se vê são calçadas desniveladas, esburacadas e obstruídas, e não é difícil ver pessoas sem nenhuma deficiência estacionadas em vagas reservadas ao público idoso ou PCD, e até mesmo no caixa preferencial do supermercado”, lamenta.

Para melhorar esse cenário, ele avalia ser necessário a padronização das calçadas, principalmente nas áreas comerciais, campanhas de conscientização da população, para que se respeite as áreas reservadas a idosos e pessoas com deficiência, e uma fiscalização mais rigorosa, para que um cadeirante não tenha que parar longe do seu destino. “Porque um motorista sem consciência ‘parou um pouquinho’ na vaga reservada, para esperar o filho que foi comprar um chinelo, por exemplo. Infelizmente muitas cidades não tem o mínimo de acessibilidade, principalmente as históricas, algumas que já visitei não tinham sequer vagas de estacionamento reservadas ao público PCD e idosos. Vagas reservadas em frente a pontos turísticos já seria de grande ajuda a quem tem dificuldade de locomoção”, alerta.

Para chamar atenção sobre o problema, Thiago pretende marcar em suas publicações os órgãos responsáveis e lideranças do local, para que tomem conhecimento (caso ainda não tenham) do fato relatado. “A ideia é passar por todos os estados e Distrito Federal, começando por Minas Gerais. Quero mostrar pontos turísticos, turismo ecológico, culturas, culinária. Sempre frisando a acessibilidade do local, para ajudar outras pessoas com dificuldades de locomoção. E em um projeto futuro, viajar do extremo sul ao extremo norte das américas, saindo de Ushuaia na Argentina até o Alasca, nos Estados Unidos”, almeja.

Mensagem

Para pessoas que têm alguma deficiência, Thiago orienta que o importante é saber que cada um tem o seu limite e é sempre prudente respeitá-lo. “Mas a maior limitação está em nós mesmos, a partir do momento que você decidir que vai fazer algo, que é capaz, que consegue, você restabelece sua liberdade, sua autoestima. Você vai precisar de ajuda em muitos momentos, todo mundo precisa, e não é feio ou vergonhoso pedir auxílio, não deixe de conhecer um lugar ou fazer algo porque você não consegue sozinho. Como disse John Wooden (treinador de basquete) ‘não deixe o que você não pode fazer interferir no que você pode fazer’”, conclui.

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