31 de março, de 2021 | 10:29

31 de março de 1964: O dia que dura 57 anos

Rodrigo Dias Martins *

Não temos um dia de paz.

Um dia de decência, de cidadania, consciência.
Um povo sem memória, um povo sem história, um povo sem rumo.

Um colegiado do Poder Judiciário (TRF-5) decide pela possibilidade do GOVERNO comemorar o dia do golpe militar (31/3). A decisão do colegiado reforma uma liminar do ano passado que impediu a comemoração.

Esse evento, que só serve para nos afogar mais nesse mar onde a superfície é a civilidade, me faz lembrar de quando a 1ª ministra alemã, Angela Merkel, diante vários alemães balançando a bandeira do país, retirou da mão de um deles e pediu para pararem. A razão é que há (ou havia) um debate na Alemanha sobre certa "culpa" de erguer a bandeira do país, ante o assombroso passado daquele país, marcado pelo nacionalismo exacerbado, o nazismo.

Aparentemente o povo alemão, ao menos a figura política do país assume ter vergonha da história sangrenta. Eles se lembram.

Não basta caminharmos para uma economia similar da época, em que o pobre comia carne uma vez na semana e olhe lá. O governo ainda quer comemorar uma ruptura constitucional. O governo da "ordem" quer comemorar o rompimento histórico da ordem.

O paradoxo da democracia se torna mais evidente quando posta sob império da direita, que usando da retórica da liberdade de expressão sobre tudo quer opinar, todos querem julgar, adjetivar, colapsar, e quando o civil adjetiva o coturno, o direito de resposta é exercido na pólvora.

"Comemorar"... celebrar um fato histórico que resultou em milhares de mortes de civis no país. Que, (de novo o paradoxo) emudeceu tantos. Que, utilizou do ápice da covardia da raça humana (tortura), contra seus inimigos.
Tudo isso, ainda, em um outro momento histórico terrível, em que morre, em média, 2 mil brasileiros em razão da pandemia, não devidamente gerida pelo Chefe da República.

Daqui a pouco o Poder Judiciário chancela, sob o argumento de "livre manifestação", reuniões da Ku Klux Klan. Qual a diferença, afinal?

Um pouco mais de paradoxo: aqueles que dizem brandar o nacionalismo (vide slogan de campanha do Presidente em 2018), delegam aos estrangeiros os principais interesses nacionais. Não é difícil entender. De maneira mais clara, por exemplo, e curiosamente é o perfil da maioria dos apoiadores: o homem defensor da família que busca amores e prazeres fora de casa, enquanto choram seus filhos.

Choram os filhos dessa pátria, por alguns amada, Brazil.

* Graduado em Direito pela Universidade do Lestes de Minas Gerais – UNILESTE, Pós-graduado em Direito Tributário pela PUC/MG, Assessor Jurídico da Procuradoria Geral do Município de Timóteo em 2017-2018, ProcuradorGeral da Câmara municipal de Timóteo no biênio 2019-2020 e Advogado Sócio do Escritório Costa & Martins Advogados. E-mail: [email protected]
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Comentários

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Tião Aranha

04 de abril, 2021 | 22:00

“Bom debate, de alto nível. É muito importante valorizar a História, mas parece estar havendo um ligeiro conflito entre Liberdade e Livre arbítrio.”

Capitão 38

02 de abril, 2021 | 06:21

“Tem que COMEMORAR sim o 31de Março. Foi a pedido do povo brasileiro, que os militares tomaram as ações para apaziguar o país e impedir que o comunismo tomasse o poder. Se ocorreu truculência,foi em resposta as ações guerrilheiras comandadas pelos terroristas comunistas. Toda ação tem uma reação. Maioria desses terroristas estão hj na política,pois receberam anistia. Viva 31de Março de 1964.”

Rodrigo Martins

31 de março, 2021 | 17:48

“Prezado Joel,

Não sei se interpretou muito bem o texto publicado, mas não versei, em nenhum momento, sobre o ambiente político que o Brasil se encontrava no momento. A minha crítica foi sobre o intento do Governo, da Administração Federal, das autoridades políticas do país de COMEMORAR o dia 31/3 que marcou, na história do país, um momento de rompimento institucional que ocasionou em covardias dos piores níveis possíveis no tocante à liberdade e a integridade física das pessoas que ousavam, de qualquer forma, se opor ao "governo" à época.
Penso que, de forma bem breve, comemorar qualquer fato que enaltece a violência física, psíquica, o cerceamento à direitos básicos, inclusive o de aqui debatermos, não é adequado para a sociedade, em tese, evoluída.
Em nenhum momento mencionei o comunismo, nem a guerra fria, isso seria um debate de especulações, afinal, não há qualquer comprovação de que o país tinha o intento de aderir ao movimento Russo. O que foi feito, na época, foi uma negociação de MERCADO entre Brasil e China. Mas não vem ao caso, não para o que eu abordei no artigo.
Reitero o exemplo da Alemanha, que a Chanceler condenou o exacerbado nacionalismo, que culminou no nazismo, que não preciso dizer ter sido algo terrível.
No tocante aos adjetivo direcionado a minha pessoa, demonstra algo que nem todo mundo entende, que seria o ataque a pessoa ao invés de atacar o argumento, isso deixa presumido que o fundamento não é equivalente para o debate.
Por fim, em um ditadura, meu caro, sequer poderíamos aqui estar falando, por isso não deve nunca ser comemorada. Lembrada, como aprendizado, mas nunca celebrada, como alguns tantos manifestam.
Morro de amor por este país, e muito embora tenha que conviver com pessoas que não tem o mínimo de senso crítico, não tenho nenhuma intenção de daqui sair, e é por isso que denuncio qualquer ato que seria contrário, ao fim, ao interesse público.”

Joel

31 de março, 2021 | 12:49

“Melhor ter sucumbido ao comunismo né? Patético! baseado nas meias verdades que acompanham os incrédulos ou covardes que nao tem amor a este país. Queria ver vc advogando numa ditadura do proletariado, ahhh eu queria ver.”

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