30 de março, de 2021 | 15:51

E eis que tudo se fez novo

Anderson Marçal *

Na manhã daquele Bendito Domingo da Páscoa, Maria Madalena vai, logo cedo, ao túmulo, onde se tinha colocado o Santíssimo corpo de Jesus. Mas lá chegando, viu a pedra fora do lugar, e o corpo não estava lá, tinha “sumido”. Onde o colocaram? O que fizeram com o corpo do Senhor?

Eis que aparecem anjos dizendo que Ele tinha ressuscitado, e, logo depois, o próprio Jesus aparece vivo a Maria Madalena. A alegria tomou aquela mulher, que voltou rapidamente para encontrar os apóstolos de Jesus e dar a maior notícia de todos os tempos: “Eu vi o Senhor”.

Mas como viver essa alegria em tempos que a tristeza, a desilusão e o medo tomam conta do nosso coração e da nossa alma, por causa da pandemia do coronavírus? Como viver a Páscoa do Senhor se, em muitos lugares, como no ano passado, as igrejas estão fechadas para a participação presencial dos fiéis? Como se alegrar, se em muitas famílias a dor, a preocupação e o luto ocupam um lugar enorme?

Maria Madalena e todos os outros seguidores de Jesus também estavam tristes, desiludidos, decepcionados, pois Jesus tinha morrido e, com Ele, a esperança deles. A pandemia daquela época era a de não poder dizer que eram cristãos e que amavam Jesus.

E “agora”? Agora é preciso ir ao túmulo de Jesus e ver que Ele não está mais lá, a pedra foi retirada, Ele ressuscitou, a morte não foi capaz de vencê-lo, muito menos de detê-lo. Ele está vivo! Ressuscitou!

Nesse tempo, somos chamados a viver a mesma experiência de Maria Madalena, de ir ao encontro de Jesus, mesmo que seja nos túmulos, ou nos leitos de um hospital onde estão nossos entes queridos, amigos, e lá nos encontrarmos com Jesus, o vencedor da morte e da dor. Mesmo que esteja doendo muito, como, com certeza, estava doendo em Maria Madalena. Mesmo que estejamos abatidos pela ausência de alguém que amamos. Mesmo que não tenhamos fé o bastante para acreditar que a ressurreição é a verdade, Deus é maior que tudo e, com certeza, nesses momentos de calvário, se faz presente ainda mais na nossa vida.

Que possamos ir com fé ao encontro do Senhor Ressuscitado, na dor e na perda, com a certeza que Ele nos dará a esperança, o alento e a força para vencermos mais esta batalha, e nos devolverá a alegria. Com sua Páscoa, o Senhor nos ensina que a esperança não decepciona, como São Paulo diz em sua carta aos Romanos.

Sim, vivemos tempos difíceis, mas piores são os tempos longe do Senhor Ressuscitado, quando nos voltamos para nós mesmos e não vemos que existe, com a Páscoa, uma proposta de vida nova e uma esperança que, repito, não nos decepciona! Apesar de tudo que estamos vivendo, desejo que a alegria de poder esperar em Deus nos ajude a ter uma Santa Páscoa.

* Padre é membro da Comunidade Canção Nova, doutor em Teologia Pastoral Bíblica e Litúrgica. Atualmente está à frente da Paróquia Santa Cândida, em São Paulo (SP)
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