17 de fevereiro, de 2021 | 14:53

Tríade celestial

Wilder Alves *

O ano era 2006, início do mês de julho, eu desembarcava na rodoviária de Ipatinga em busca de um recomeço em minha vida. Quase uma década e meia depois, aqui estou ainda, trabalhando numa das mais conceituadas entidades de classe do Brasil, a Associação dos Metalúrgicos Aposentados e Pensionistas de Ipatinga-AAPI.

Iniciei minha jornada na associação em 2007, e neste mesmo ano tive o prazer de conhecer aquele que posteriormente me acolheria junto à sua família como seu “afilhado”. Wanderley Mendes Ribeiro, um homem de índole e caráter ilibados, pai, avô, amigo, conselheiro e mais que isso, um ser iluminado, sem mácula, daqueles que só mesmo as nuances da vida podem nos presentear.

Ao longo desses anos pude ser “aluno” de um verdadeiro mestre, que mesmo nas horas mais conturbadas, ali estava com seu sorriso largo, inebriante, que contagiava a todos em sua volta, mesmo quem estivesse afligido. Sua aura era leve e sua concepção de vida era simples como ele mesmo afirmava: “enquanto aqui neste plano estiver, temos de aproveitar da melhor forma, antes que nossa hora chegue”.

Nossa convivência dentro e fora das atividades cotidianas, sempre foi marcada pela alegria e descontração de um ser humano único em essência de humanidade e gentileza. Ávido por conhecimento, possuía uma memória ímpar e nem por isso abria mão de guardar seus escritos (anotava tudo que acontecia ao longo dos dias) numa forma de cartapácio.
Cristão nato, cruzmaltino, mecânico, sambista, juiz-forense, sua paixão pela família transcendia o nosso ínfimo imaginário de lealdade e amor. Quanta falta irá fazer a sua presença no nosso convívio, mas algo temos para comemorar na sua nova casa, você (me deu a licença de tratá-lo assim) chega para completar a tríade celestial junto aos amigos Elias Caetano e Edízio Simplício, o céu está em festa.

Todavia, fará muita falta entre nós que aqui ficamos com o pranto sufocado na garganta, ao lembrar que não mais iremos ouvir o som que você tirava dos seus instrumentos de percussão, das suas brincadeiras e eu muito mais, vai doer muito ainda não poder ouvi-lo dizer: “E aí cara, novidades? ”

Termina um ciclo, mas na plenitude celestial outro se inicia, meu alento é saber que o “mestre” está nos braços do Pai e com certeza entoando um samba, como o “Samba de Benção” de Vinícius de Moraes e Baden Powel, que em sua letra traz: “...é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração...”.

Siga em paz meu mestre, meu padrinho e meu amigo, e saiba que eternamente serei grato por ter partilhado um pouco da sua experiência de vida comigo, guardarei vivo na minha memória o seu sorriso e teu forte aperto de mão, apenas triste por não mais poder ouvir o som daquele atabaque que muito me inspirou...

* Articulista
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Comentários

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Elisangela Costa Ferreira

17 de fevereiro, 2021 | 19:52

“Ira fazer uma enorme falta.meus sentimentos aos familiares.”

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