06 de fevereiro, de 2021 | 00:01

Muita calma

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
Não acho que a demissão do técnico Jorge Sampaoli, que hoje também parece ser “delegado” ou “juiz” no Atlético, aquele que manda prender e manda soltar, poderia ser a melhor solução para o clube no momento.
É natural que a torcida atleticana, apaixonada como é, cobre do treinador resultados e o título que almeja há quase meio século, depois dos vultosos investimentos feitos na formação da equipe, mas é preciso muita calma nessa hora.

Tirando todas as suas maluquices nas escalações e esquisitices fora de campo, não se pode negar que Sampaoli está acima da média de seus antecessores mais recentes no clube, e que colocou o Galo em um patamar diferente, um ponto que não frequentava no cenário do futebol brasileiro há bastante tempo.

O “projeto Sampaoli” no Galo está só começando, e não vejo motivo para tanto mi-mi-mi como agora, sobretudo porque a chegada do atacante Hulk, além da possível contratação do jogador argentino Nacho Fernandez, significa que os investidores, os chamados “4 R’s”, confiam no trabalho do técnico e estão dispostos a continuar injetando milhões para fazer do alvinegro, de fato, um clube ganhador de títulos, coisa que não virá da noite para o dia.

No limite
O ser humano é ansioso de natureza e a pandemia da covid só fez aumentar ainda mais este sentimento, impactando de forma diferente na vida das pessoas de todos os segmentos da sociedade.

No caso do torcedor de futebol, o grau de impaciência com o time do coração está indo ao limite muito mais rápido do que se via antes, fazendo-o esquecer de episódios recentes que o fariam entender um pouco melhor a situação.

O argentino Jorge Sampaoli chegou ao Atlético, em meados do ano passado, com o time vindo de uma eliminação pela tímida equipe do Afogados da Ingazeira (PE) na Copa do Brasil, além de cair na Sul-Americana para pequenos clubes argentinos.

Agora, apesar dos erros cometidos pelo treinador, que não devem ser ignorados ou varridos para debaixo do tapete, surto de Covid etc, o Galo ocupa as primeiras colocações do Brasileiro desde o início, e tem tudo para conquistar ao menos a vaga na fase de grupos da Libertadores, com previsão de uma temporada das mais promissoras.

Em sua respeitada coluna na “Folha de São Paulo”, o ex-craque Tostão escreveu um verdadeiro mantra, que poderia ser adotado neste momento por Jorge Sampaoli, diretoria e torcida do Galo, bem como muitos colegas da imprensa: “O futebol no mundo deveria ser interrompido em alguns períodos para as pessoas refletirem, desconstruírem muitos de seus conceitos, perceberem as besteiras que disseram e que fizeram, para daí construírem novas maneiras de ver a vida e o futebol”.

FIM DE PAPO
• Na rodada anterior, por conta da derrota vexatória para o Goiás, time virtualmente rebaixado, combinada com a vitória do Flamengo e o empate do líder Internacional, a situação do Atlético em relação à disputa pelo título do Brasileiro ficou quase insustentável. Na próxima quarta-feira o Galo vai ao Maracanã enfrentar o Fluminense. E se perder, além do São Paulo, ficará também com o tricolor carioca no seu calcanhar na disputa por uma vaga na Libertadores.

• Um estudo divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG) mostra o impacto da construção do estádio do Galo, que será inaugurado em 2022, com expectativa de movimentar R$ 800 milhões na economia mineira e gerar 13 mil empregos diretos e indiretos na capital. A “Arena MRV”, com capacidade para 46 mil torcedores, terá um investimento total de R$ 550 milhões, sendo R$ 450 milhões na obra direta e R$ 100 milhões em contrapartidas, como melhorias nas vias de acesso à região onde está sendo construído.

• E pensar que nós, ipatinguenses, temos o privilégio de já possuir um estádio do mesmo porte deste que está sendo construído pelo Atlético. O Estádio Ipatingão, hoje um gigante praticamente abandonado e esquecido, já foi palco em passado recente de grandes jogos, válidos pelas principais competições nacionais e internacionais, projetando o nome da cidade e do Vale do Aço no país e outros continentes. Mais do que isso, gerou riquezas para o comércio local de maneira geral, injetando milhões de reais na economia formal e informal através do turismo esportivo.

• O que todos já esperavam foi confirmado pelo diretor de futebol do Cruzeiro, André Mazzuco. O clube enfrenta sérias dificuldades para buscar reforços por causa da crise financeira. Os empresários de jogadores têm recusado convites do Cruzeiro, temendo não receber os salários em dia. Neste momento o Cruzeiro deve aos jogadores três folhas salariais mais o 13º e férias, além de estar em débito também com os funcionários do setor administrativo. O pior é que Mazzuco não deu esperanças de que a situação venha a ser resolvida em curto prazo. Quem fala a verdade não merece castigo. (Fecha o pano!)
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Comentários

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Tião Aranha

07 de fevereiro, 2021 | 14:39

“O mercado da bola nunca deixa formar-se um plantel de qualidade, tornando-se cada vez mais difícil a sequência de vitórias, e, neste contexto, técnico nenhum consegue fazer milagres tendo sempre que importar jogadores de fora sempre ganhando bem acima daquilo que produzem.”

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