25 de janeiro, de 2021 | 16:00

Muito distante

Fernando Rocha

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Fernando RochaFernando Rocha
Não gosto e nem pretendo ser um “profeta do acontecido”, ditado popular que é proferido por comentaristas de hoje e de antanho. Mas quem me acompanha diariamente pela “Rádio Vanguarda”, ou semanalmente aqui no “Diário do Aço”, vai lembrar que, desde o fim do 1º turno, eu tenho dito que o Atlético, no máximo, poderia ficar entre os quatro primeiros e obter vaga direta na fase de grupos da Copa Libertadores, pois não mostrava um futebol de segurança para chegar ao título brasileiro.

Com o andar da carruagem, quedas e derrapadas constantes de seus adversários diretos, sobretudo Flamengo, São Paulo e até o Internacional, que reagiu na reta final, abriu-se uma nova porta para o alvinegro tentar o improvável. Mas, devido à sua própria instabilidade, o tão sonhado título da principal competição nacional fica cada vez fica mais distante.

O Atlético precisa, sim, de reforços para as laterais, de um zagueiro que seja rápido e bom pelo alto, um meia clássico e um centroavante artilheiro, mas o que falta mesmo para este time ser campeão é um esquema tático, uma fórmula que dê equilíbrio entre os setores de defesa, meio de campo e ataque.

O futebol é um esporte coletivo e, como tal, não permite desequilíbrios como se vê neste esquema suicida empregado pelo seu treinador, cuja competência não se discute, mas que precisa ser cobrado por isso, sob pena de naufragar como agora, e nunca chegar ao lugar mais alto do pódio.

Felipão fora
O Cruzeiro se despediu de Belo Horizonte com um empate de 0 x 0 com o Náutico, num “jogo de compadres”, com o time celeste jogando desde o início com um jogador a menos, enquanto ao Náutico bastava um pontinho para se garantir na Série B.

E foi mais uma temporada de resultados ruins do time celeste jogando em casa: seis vitórias, sete empates e seis derrotas, 25 pontos em 57 possíveis. Em 2019 foram cinco vitórias, oito empates, seis derrotas e 23 pontos conquistados.

Na entrevista coletiva pós-jogo, Felipão disse nas entrelinhas que sua permanência no clube dependia da colocação e manutenção dos salários de jogadores, comissão técnica e funcionários em dia, além da contratação de quatro ou cinco reforços de peso, o que, neste momento, a situação financeira do clube não permite.

Na manhã desta segunda-feira, Felipão anunciou que deixava o comando do time celeste, numa decisão comentada pelo clube como tendo sido “tomada em comum acordo”.

Numa análise fria, isso pode significar que os investidores que Felipão esperava viessem apoiar o Cruzeiro financeiramente não deram as caras. Assim, a situação no clube deverá seguir de mal a pior, uma promessa de mais ressaltos e tristezas para os torcedores celestes no ano do centenário da Raposa.

FIM DE PAPO
• Todos os resultados dos jogos da 32ª rodada, envolvendo times que estão no G-6, exceto o do Internacional, que venceu o clássico com o Grêmio de virada (2 x 1), foram favoráveis ao Galo, que mais uma vez não fez a sua parte e acabou derrotado pelo Vasco da Gama (3 x 2), um dos piores times desta atual Série A e forte candidato ao rebaixamento.

• Tivesse feito o dever de casa e vencido o Vasco, e então o Atlético estaria a cinco, e não oito pontos do líder Internacional, agora favorito ao título. Como tem um jogo a menos em relação ao Inter, a ser cumprido hoje contra o Santos, que deverá usar um time reserva, por conta da decisão da Libertadores contra o Palmeiras, no próximo domingo, além de jogar no Mineirão, onde tem tido um ótimo desempenho, o Galo tem tudo para conquistar os três pontos. Então, com estas duas vitórias, sobre Vasco e Santos, ficaria apenas dois pontos atrás do Internacional, com grandes chances de ultrapassar o colorado gaúcho nas próximas rodadas.

• O Cruzeiro se tornou o segundo entre os clubes chamados “grandes” que foram rebaixados e não conseguiram retornar à Série A no ano seguinte. O outro é o Fluminense, que caiu em 1998. A lista dos ditos grandes rebaixados mostra: 1992, Grêmio; 2003, Palmeiras e Botafogo (campeão e vice); 2005, Grêmio (campeão); 2006, Atlético (campeão); 2008, Corinthians (campeão); 2009 Vasco (campeão); 2013, Palmeiras (campeão); 2014, Vasco (3º lugar); 2015, Botafogo (campeão); 2016, Vasco (3º lugar) e 2017, Internacional (2º lugar).

• O Cruzeiro encerra sua participação na temporada 2020/2021 na próxima sexta-feira, quando vai a Curitiba enfrentar o Paraná. A partir daí os jogadores terão em torno de 15 dias de férias até a reapresentação, e o início da preparação para a disputa do Campeonato Mineiro, que vai começar no fim de fevereiro. O tempo é curto entre uma temporada e outra, assim como é grande a falta de grana que impede a diretoria de fazer um planejamento sem falhas, para não se dar mal outra vez. Em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. (Fecha o pano!)
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