06 de janeiro, de 2021 | 13:58

A angústia da inovação

Paulo Bettio *

Paulo Bettio: 'O remédio para a angústia da inovação reside em você'Paulo Bettio: 'O remédio para a angústia da inovação reside em você'

Inovação é a bola da vez. Não importa em qual setor da economia, o tamanho da empresa, o modelo de negócio, se público ou privada, todos estão sujeitos a se deparar, a qualquer momento, com uma disrupção - inovação que rompe com modelos e negócios tradicionais - que pode transformar o negócio para sempre ou, até mesmo, acabar com ele ou com todo um segmento da economia. Ninguém tem um porto realmente seguro neste momento de incríveis transformações.

A evolução tecnológica, somada a uma velocidade de transformação nunca vista, geram uma pressão enorme nas pessoas e a maioria delas não sabe como lidar com esse volume gigantesco de informação e de incertezas. Isso é o que eu chamo de “Angústia da inovação”. Mas como se preparar para esse ambiente de transformação acelerada e aliviar essa angústia?

Uma forma de se fazer isso é desenvolver uma habilidade de “desaprendizado” acelerado para abrir espaço e criar oportunidades para novos e continuados aprendizados. Até pouco tempo aprendíamos para trabalhar, mas, hoje, isso já não é mais suficiente e trabalhamos para aprender, continuadamente. É o que chamamos de “LLL – LifeLong Learning”, ou, em português, “aprendizado ao longo da vida”.

Desaprender e reaprender. Adquirir novos “mindsets” orientados à inovação. A nova economia - a economia criativa, é ainda mais desafiadora pois toda a força de trabalho ativa atual foi educada com modelos orientados a nivelar todo mundo, às vezes com réguas muito baixas, que hoje não servem mais. Os criativos, os “fora-da-caixa” eram rapidamente forçados a se igualar à média. Com isso, nossas escolas formaram gerações “de iguais”, de medianos, que hoje sofrem a angústia por serem cobrados a pensar diferente.

Habilidades até então desprezadas pelo mercado de trabalho são hoje desejadas e já figuram nas descrições de competências de anúncios de emprego das melhores empresas: criatividade, colaboração, iniciativa, inteligência coletiva, a capacidade de assumir riscos, entre outras.

O LinkedIn divulgou uma pesquisa sobre as habilidades mais desejadas pelo mercado de trabalho e, no topo da lista, está “criatividade”. Sim, aquela mesma criatividade que lhe foi tolhida lá atrás, nos bancos escolares.

Inovação, na minha opinião, tem muito menos a ver com tecnologia do que a maioria das pessoas imaginam. Para mim, inovação é essencialmente um “mindset”, um modelo mental, um estilo de vida. A tecnologia está disponível, é abundante, todo mundo tem acesso. O difícil, de verdade, é mudar a cabeça das pessoas e tirá-las de suas zonas de conforto, pois não há zonas de conforto em ambientes de inovação.

Por isso, para não sofrer de angústia da inovação, só há um caminho: fazer uma disrupção de você mesmo.
Transforme-se completamente. Seja um novo você. Talvez, até mesmo, aquele você que você deixou para trás na sua infância.

Procure cursos orientados à inovação, à nova economia, à economia criativa. Estude “Design Thinking”, processos criativos, “storytelling”, design de negócios etc. Muitas universidades já entenderam que precisam ofertar cursos com este perfil e já há boas opções no mercado.

Enfim, o remédio para a angústia da inovação reside em você. Você é quem decide se vai sofrer ou se vai usufruir de todas as coisas boas que a inovação vai proporcionar.

* Publicitário, empreendedor serial, especialista em Design Thinking, consultor de inovação e professor da disciplina de Saúde e Tecnologia da Pós-Graduação em Economia Criativa e Disruptiva da Universidade Positivo
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