Entregadores organizam paralisação em busca de melhorias

29/12/2020 às 10:00
Arquivo DA
A paralisação dos entregadores está programada para o dia 16 de janeiro

Para obter melhorias em seu serviço, um grupo de entregadores organiza uma paralisação da categoria para o dia 16 de janeiro do próximo ano, em Ipatinga. Entre as reivindicações dos chamados “motoboys” estão o aumento na remuneração e proibição de entrar em prédios e condomínios para entrega de encomendas, inclusive, lanches.

Um dos organizadores da paralisação, Dieliston Garcia, informou ao Diário do Aço que a estimativa é que 200 entregadores de Ipatinga participem do movimento. “Estamos estudando ainda um ponto de encontro para o dia da paralisação para os entregadores. Talvez será no bairro Bethânia ou no Cariru, mas vamos definir ainda”, afirmou.
Dieliston, que também trabalha como entregador, fez uma avaliação das condições de trabalho da categoria. “Nossa situação é muito ruim, principalmente agora com a pandemia, na qual tudo ficou mais caro, como a manutenção da moto e a gasolina. Além disso, não recebemos periculosidade, nem horas extras. O aluguel do veículo também não”, ressaltou.

Conforme Dieliston, a maioria dos entregadores é humilhada quando ocorre a demora na entrega do pedido. “Isso ocorre com muita frequência. Também estamos reivindicando não subir mais escadas de prédios para fazer as entregas, a não ser que o cliente esteja doente ou não tenha condições de descer a escada. Gostaria de destacar que o salário da categoria está muito ruim. Trabalhamos em média sete horas para ganhar R$ 50 e mais o quilômetro rodado, sendo que às vezes nem ganhamos lanche. Por isso, estamos organizando essa paralisação para o dia 16, na expectativa de obter melhorias”, destacou.

Estudo

Um estudo de sete pesquisadores realizado nesse ano, publicado na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano, entrevistou entregadores de aplicativos em 29 cidades durante a pandemia. O trabalho mostrou que mais da metade (54%) dos entregadores atuam entre nove e 14 horas por dia, índice que aumentou em 56,7% durante a pandemia. Entre os ouvidos, 51,9% relataram trabalhar todos os dias da semana.

Segundo a pesquisa, houve um aumento do número de entregadores como alternativa de pessoas que perderam renda durante a pandemia, mas apesar do aumento no número de entregas, os valores de hora/trabalho ou bonificação caíram.
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