Laboratórios que quiserem vender vacina ao Brasil, precisam ir atrás de registro, diz Bolsonaro
28/12/2020 às 15:18
O presidente Jair Bolsonaro cobrou dos fabricantes de vacinas contra covid-19, nessa segunda-feira, que apresentem os pedidos de registro dos imunizantes à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disse que a responsabilidade de tornar as vacinas disponíveis é dos laboratórios, e não dele.
O presidente lembrou que o Brasil tem 210 milhões de habitantes e é um mercado considerável de qualquer coisa. “Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que então eles não apresentam a documentação na Anvisa?", indagou.
O governo brasileiro vem sendo cobrado por só prever o início da vacinação em massa contra covid-19 no fim de fevereiro de 2021, enquanto diversos países - inclusive na América Latina, como México, Argentina e Chile - já começaram a vacinar ou preveem iniciar a vacinação nos próximos dias. A Argentina, por exemplo, anuncia para terça-feira o começo da aplicação do imunizante Sputnik V, fornecido pela Rússia.
Na maioria dos demais casos, os países estão usando a vacina do laboratório Pfizer em parceria com a BioNTech, a primeira no mundo a obter registros emergenciais e começar a ser distribuída.
A Pfizer ainda não pediu o registro emergencial na Anvisa porque, segundo o laboratório, o contrato para fornecimento do imunizante com o governo brasileiro ainda não foi fechado.
O governo brasileiro recebeu vários contatos dos laboratórios a partir de agosto mas, segundo a Pfizer, não respondeu. Há cerca de um mês o Ministério da Saúde começou a negociar a compra de 70 milhões de doses, suficientes para vacinar 35 milhões de pessoas, mas ainda não fechou o contrato.
A previsão é de entrega de 8,5 milhões de doses no primeiro semestre, mas apenas cerca de 500 mil em janeiro, e o laboratório já informou que, agora, não tem condições de acelerar a entrega para o Brasil.
Além das tratativas com a Pfizer, o Brasil já tem acordo para fornecimento de doses da vacina feita em conjunto entre a AstraZeneca e a Universidade de Oxford, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que estima entregar doses em fevereiro. Também não há ainda pedido de registro desta vacina junto à Anvisa.
O governo do Estado de São Paulo também tem acordo com o laboratório chinês Sinovac e terá, até a quinta-feira (31), 10,8 milhões de doses da vacina contra a covid-19 CoronaVac.
Como os dados de eficácia do potencial imunizante ainda não foram apresentadas, também não há pedido de registro junto à Anvisa. (Com agencias)