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Remanescente da Operação Dolos, investigação do Gaeco aponta derrame de atestados médicos a partir de servidores de ex-vereadores em Ipatinga
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado em Ipatinga está em case de conclusão das investigações a respeito de um “derrame” de atestados médicos apresentados por funcionários públicos. Dezenas de pessoas são investigadas por fraudes em documentos da Secretaria de Saúde e até falsificação da assinatura de um médico, para atestados médicos que lhes garantiam falta bonificada ao trabalho. O derrame veio à tona quando o Gaeco deflagrou a Operação Dolos, em 2019, que culminou na cassação de sete vereadores pela prática da rachadinha nos gabinetes.
As informações do Gaeco indicam que entre os anos de 2016 e 2020, o índice de atestados teria aumentado na Câmara Municipal e Prefeitura de Ipatinga, chamando a atenção o fato de inúmeros atestados serem supostamente emitidos pelo mesmo médico, contudo, as assinaturas divergiam de um atestado para outro. Ouvido pelo Gaeco, o médico confirmou que, há algum tempo, teve seu carimbo extraviado. De fato, o carimbo foi usado nas falsificações, conforme as investigações.
Os preenchimentos também eram divergentes em comparação ao letreiro e códigos em relação às “em tese” doenças apresentadas. As investigações constataram que o gabinete de um ex-vereador era o foco dos atestados tanto na utilização como também em suas emissões, chegando a ser citado por pessoas como o “gabinete dos atestados”, bastava procurar pelo então vereador que o atestado chegava nas mãos do solicitante, isso sem passar por consultas médicas e sem ter acesso ao médico que figurava como emissor.
Informações de pessoas já ouvidas afirmam que são investigados mais de 40 atestados médicos falsos, constando funcionários públicos municipais, tanto da Prefeitura de Ipatinga e funcionários da Câmara Municipal, dentre eles quatro ex-vereadores, um vereador ainda em exercício, chefes de gabinetes e assessores parlamentares. Os investigados tinham conhecimento da fraude, uma vez que não passavam pelo atendimento médico e que se quer tinham contato com o médico.
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Atestados em massa usavam papel timbrado da Secretaria de Saúde, carimbo extraviado de médico e falsificações grosseiras de assinaturas, conforme apurou o Gaeco
Os atestados médicos, em sua maioria, eram emitidos com papel timbrado da Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga, devidamente carimbado e “assinado”, no entanto, o médico não reconheceu as assinaturas, e, feito exame pericial ficou constatado que os preenchimentos e assinatura de fato não eram do médico. Em que pese a emissão constante como da rede municipal de saúde, os investigadores não encontraram registros das pessoas nas referidas datas junto ao município.
As investigações apontam indícios que os próprios funcionários envolvidos na fraude preenchiam e assinavam os atestados para suas apresentações, burlando assim o ponto e a prestação de trabalho em viagens particulares.
Embora membros do Gaeco tenham confirmado à reportagem do Diário do Aço a existência do relatório pronto a ser remetido à Justiça, nenhum nome dos investigados foi divulgado. “Isso será revelado posteriormente, pois ainda há pontos a serem esclarecidos”, afirmou a fonte ouvida pela reportagem.