28 de novembro, de 2020 | 00:01

Muito triste

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
A última quarta-feira, dia da semana onde sempre temos grandes jogos, foi muito triste, em razão da morte do craque argentino Diego Armando Maradona, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Sem palavras!

Mas foi também um dia de futebol ruim, um jogo fraco protagonizado pelo Atlético, que fez apenas o dever de casa, suficiente para derrotar um dos piores times deste Brasileirão, o vice-lanterna Botafogo, que muito dificilmente conseguirá escapar do segundo rebaixamento de sua história centenária e gloriosa.

O Galo venceu por 2 x 1 e fechou o ciclo de três partidas onde esteve totalmente desfigurado pelo surto da Covid-19, que tirou de ação toda a comissão técnica e alguns dos principais jogadores.

Como tudo na vida, o futebol é um esporte de dois lados, e neste caso, o bom é que terá tempo suficiente para recuperar todos os afastados pela Covid-19, já que o próximo jogo contra o Internacional vai ser dentro de uma semana, no Mineirão.

Por outro lado, o time perdeu dois de seus titulares absolutos, o zagueiro paraguaio, Junior Alonso, e o atacante venezuelano, Savarino, ambos suspensos pelo terceiro cartão amarelo.

Sem noção
O que nenhum torcedor cruzeirense esperava aconteceu. O time que havia vencido a melhor equipe da Série B, a Chapecoense, três dias atrás, fora de casa, foi um amontoado de jogadores sem noção, mostrou-se apático, sobretudo no 1º tempo, saindo derrotado pelo bravo Confiança de Sergipe, por 2 x 1.

Muito embora tenha melhorado na segunda etapa de jogo, criado e desperdiçado algumas chances claras de gol, o Cruzeiro tomou um gol “olímpico”, em cobrança de escanteio, oscilou para baixo de forma inexplicável, merecendo a primeira derrota sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari.

Com isso, o discurso de moderação do experiente Felipão, que inclusive chegou a ser criticado após o triunfo obtido em Chapecó (SC), voltou com toda a força. E o torcedor celeste, que chegou a sonhar com o acesso ainda este ano, tem de se contentar mesmo em ver seu time do coração lutar contra o rebaixamento à Série C.

FIM DE PAPO
• Diz um ditado popular aqui dos nossos grotões: “Desgraça nunca vem sozinha, sempre traz toda a família”. Para piorar ainda mais a noite do torcedor celeste veio a notícia de mais uma punição sofrida pelo clube, em razão do não pagamento de outra dívida, ficando impedido novamente de registrar jogadores. Desta vez a punição administrativa não saiu da Fifa, mas da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), referente a uma cobrança do PSTC, clube barriga de aluguel do Paraná, pela venda do zagueiro Bruno Viana ao Olympiacos, da Grécia, em 2016. O Cruzeiro foi condenado a pagar R$ 1,3 milhão ao PSTC, que detinha 20% dos direitos econômicos do atleta, não pagou o que devia e agora sofreu a punição.

• O futebol brasileiro prestou inúmeras homenagens a Diego Maradona, sobretudo no dia de sua morte, na última quarta-feira. O Atlético escalou contra o Botafogo o compatriota Zaracho, com a camisa 10, para homenagear o ídolo argentino. No calção do uniforme, os jogadores levaram mensagem exaltando o craque “Dom Diego”. Na arquibancada vazia do Mineirão, uma solitária bandeira da Argentina foi colocada pela Galoucura, a maior torcida organizada do clube.

• Minha filha, Ana Luiza, reside há dois anos em Buenos Aires, onde estuda Cinema. Foi ela quem me deu pelo ‘zap’ a primeira notícia da morte de Maradona. Segundo me disse, ela estava em uma sala virtual fazendo uma atividade de sua faculdade quando um colega informou o ocorrido com Maradona. Ato contínuo, a maioria dos alunos argentinos foi deixando a sala em silêncio, obrigando o professor a encerrar a aula. “Para o povo argentino, foi como se tivesse morrido um irmão, pai, mãe, um parente muito próximo”, disse-me ela.

• Entre as muitas homenagens exaltando os feitos de Maradona no futebol que me chamaram a atenção, escolhi o texto que reproduzo abaixo, do mestre Armando Nogueira, escrito logo após a Copa de 86, no México, conquistada pela Argentina, para um vídeo produzido pela Rede Globo, que tem narração impecável de Sérgio Chapelin, com cenas de gols e jogadas do craque argentino e pode ser encontrado no Youtube.

• “Diego Armando Maradona, um índio baixinho. Futebol de gênio só com a perna esquerda. Juro que aquele anjo torto do poeta Drummond passou também pela Argentina e disse ao indiozinho: “Vai Maradona! Vai ser gauche na vida!”. Patinho feio, brinca com a bola no mundo temporário do futebol. Faz de conta que é verdade. E o menino vai tirando do instinto, feito mágico, os encantos de sua arte. É o passe que entrelaça os parceiros de equipe. É o drible que desterra os rivais. É o gol que hipnotiza o estádio. Feitiço e poesia pelos campos do Mundial. Ilusão e vertigem no céu infinito da tua camisa azul da Copa. Azul dos campeões. Profundo azul de Maradona. Agora eu sei porque encantas tanto em cada instante do jogo. No teu pé esquerdo, uma bola de cristal”. Armando Nogueira, jornalista (1927-2010). (Fecha o pano!)
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário