27 de novembro, de 2020 | 14:18

O ciberespaço como terreno fértil para a formação de leitores

Flavia Alves de Brito *

Há algum tempo as tecnologias digitais e redes sociais vêm sendo incorporadas como parte da rotina da população brasileira. Neste contexto, o surgimento de uma pandemia e, consequentemente, a necessidade de distanciamento social intensificaram e tornaram centrais o uso do ciberespaço – ou seja, os espaços que ocupamos virtualmente na internet – para estudo, trabalho e lazer. Nesse sentido, as redes sociais têm cumprido um papel importante para a construção de comunidades virtuais, especialmente se considerarmos o campo educacional.

Deste modo, embora o movimento de migração do mundo físico para o digital exija adaptação, aprendizagem e aplicação de novas práticas de ensino, uma breve análise dos conteúdos produzidos sobre literatura na internet indica o potencial do ciberespaço como um terreno bastante fértil para a formação de leitores – exemplos disso são os canais de Youtube “Vá Ler um Livro” e “Cabine Literária”, que atualmente contam com 183 e 167 mil inscritos, respectivamente. Considerando os números apresentados e o fato de que o Youtube possui 98 milhões de usuários somente no Brasil, podemos concluir que o campo da formação de leitores ainda tem muito espaço a ser conquistado na internet.

No entanto, levando em consideração que o método expositivo por si só não é suficiente para formar o gosto pela leitura e promover a formação do pensamento crítico, é crucial que o tratamento da literatura na internet evolua para além da explicação de enredos e da apresentação de resenhas. É, portanto, neste cenário que se torna evidente a importância da participação do professor como mediador e guia das leituras realizadas no ambiente do clube de leitura, buscando, através de uma atuação didática, a formação de leitores.

Assim, a alternativa ideal seria a construção de espaços de discussão em que os leitores possam trocar conhecimentos, influenciando e sendo influenciados por terceiros através de comunidades virtuais – um clube de leitura virtual, em essência, como alguns que já existem na rede. Ainda, sem esquecer a realidade do distanciamento social e visando a democratização do acesso ao conhecimento e às obras literárias, os acervos virtuais gratuitos como o domínio público, a biblioteca mundial digital, o projeto Gutemberg, entre outros, podem e devem fazer parte deste tipo de iniciativa.

Por fim, o professor-mediador atuaria tal como o personagem Crispiano do conto “Um General na Biblioteca”, de Ítalo Calvino: evitando expor diretamente uma interpretação acadêmica já aceita dos textos em discussão, instigando o público do clube de leitura a refletir sobre os livros e produzir suas próprias análises, indicando novos livros e discussões de acordo com os interesses individuais ou coletivos dos participantes, passo a passo ampliando o repertório cultural e promovendo a transformação de cada leitor através da literatura.

* Assistente de Operações Acadêmicas da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter
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Comentários

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Tião Aranha

27 de novembro, 2020 | 16:09

“Apenas uma pequena elite da sociedade pode acompanhar os avanços das novas tecnologias, que não são baratas. Somos simples exportadores de matéria prima - curral dos países exportadores de veículos e tecnologias do primeiro mundo que impõem a política de preço de seus produtos e ainda riem de nosso atraso.
Enquanto nós com nossos tecnocratas e nossos ditadores continuarem com essa mentalidade de não investir na Educação, não valorizar os educadores: a luz da boa-venturança continuará apagada no fim do túnel.
Convivemos com a corrupção dos cofres públicos como se fosse o nosso pão do dia a dia.”

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