21 de novembro, de 2020 | 13:00

Sabiam do risco

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
Os grandes clubes e a CBF, desde que decidiram pela volta do futebol em meio à pandemia da Covid-19, a maior crise sanitária dos tempos modernos, estavam cientes das dificuldades que enfrentariam e dos riscos de expor atletas e funcionários ao contágio por uma doença que ainda não tem uma vacina aprovada.

No caso do Atlético, todas as medidas e protocolos médicos estão sendo adotados e alguns cuidados extras também, como o aluguel de aeronaves para levar a equipe em voos diretos até as cidades-sede dos jogos, o que diminui os riscos de contágio.

Então, claro que causou estranheza a atitude dos membros da Comissão Técnica do clube, liderados pelo gerente de futebol, Gabriel Andreata, com a aquiescência do técnico Jorge Sampaoli, ao promover uma festa privada em um restaurante de Nova Lima na semana passada, que contou com a presença de cerca de 60 pessoas.

Não há de fato provas concretas de que este evento teria sido a causa principal do surto da Covid-19, que já vitimou 28 pessoas no clube entre atletas, dirigentes, inclusive os seus promotores. Ontem, o goleiro Éverson, o volante Jair e o ídolo da massa atleticana e auxiliar técnico, Éder Aleixo, o "bomba", também foram confirmados como portadores do novo coronavírus e afastados.

Mas não há dúvida que, considerando o momento de pandemia que vivemos, onde todos os cuidados de prevenção à Covid-19 devem ser tomados, ainda mais em se tratando de profissionais com uma grande responsabilidade na estrutura do Atlético, foi uma atitude no mínimo irresponsável de quem promoveu este encontro inoportuno.

Em Tempo: Infelizmente também fui contaminado pela Covid-19, em razão do contato com o pedreiro da obra de reforma da minha casa em Guriri. Cheguei aqui na sexta, 13/11, depois de um período por lá. Na última terça-feira fui avisado que o rapaz está com a Covid-19 e então fiz também o exame aqui que deu positivo. Estou com sintomas leves, cansaço e a garganta um pouco inflamada. Estou tomando medicamentos e em repouso. A saturação está boa e isto é o que não pode piorar. Deus no comando.

Muita calma
Baton na cueca não é fácil de explicar e o responsável pela festa, o argentino Gabriel Andreatta, gerente de futebol do Atlético, bem que tentou, mas como se diz aqui nos nossos grotões: “M... quanto mais mexe mais fede”.

Internamente é preciso que este episódio seja agora administrado, de tal forma a não prejudicar a relação de confiança dos jogadores com o técnico e seus auxiliares, caso contrário, toda a bela campanha feita até agora, com chances ainda de conquistar o título brasileiro, irá parar no ralo, causando um prejuízo não só técnico, mas de dezenas de milhões de reais ao clube e seus investidores.

Os retornos de Savarino e Alonso, hoje, contra o Ceará, será fundamental para dar mais equilíbrio e confiança ao time, que precisa vencer, manter a liderança do Brasileiro e apagar a má impressão deixada na última quarta-feira, quando foi derrotado por 2x0 pelo Athletico-PR, jogando um futebol de dar calo nas vistas.

FIM DE PAPO
• Não foram só os argentinos que pisaram na bola, desobedecendo normas básicas de prevenção à Covid-19. No último dia 12, o atacante Diego Tardelli, que se recupera de uma contusão grave e só deve voltar a jogar no próximo ano, inaugurou um restaurante de alto luxo na Vila da Serra, uma região nobre situada entre as cidades de Nova Lima e Belo Horizonte.

E por lá passaram diversos dirigentes do Galo, jogadores e membros da comissão técnica, todos lampeiros e pimpões, fazendo aglomeração e vários deles sem máscara. A primeira onda da pandemia do novo coronavírus não acabou por aqui e nem parece que já superamos a marca dos 170 mil mortos pela Covid-19. A maioria da população acha que não tem mais o vírus circulando, não adota as medidas preventivas necessárias e o resultado disso pode ser uma catástrofe ainda maior.

• O Cruzeiro parou outra vez ao empatar em 1 x 1 com o Figueirense, no Mineirão, perdendo a chance de se desgarrar da zona de rebaixamento à Série C. Permanece em 15º lugar, com 25 pontos, cinco à frente do Náutico, o primeiro do Z-4, que ainda jogaria ontem à noite com o CRB, em Maceió. O time comandado por Felipão continua invicto, três vitórias e três empates, mas voltou a mostrar muitas limitações técnicas, diga-se de passagem, contra um dos piores times desta Série B.

• É impressionante como a defesa tem ficado vulnerável aos contra-ataques adversários. No início do primeiro tempo, Fábio tomou um gol por cobertura do atacante Léo Arthur, numa bola enfiada do campo de defesa, que pegou os zagueiros Cacá e Manoel mal posicionados. A sorte foi que o jovem Airton deixou o dele, mais uma vez, empatando a partida em um belo chute de fora da área, salvando a pátria celeste da derrota. O próximo jogo será na terça-feira, nada menos do que contra o líder disparado do campeonato, a Chapecoense, às 21h30, em Chapecó (SC).

• Resumo da ópera-bufa celeste: o time não fez por merecer outro resultado que não fosse este empate chocho com o Figueira. Ainda levou pressão no final do jogo e, por pouco, não fosse uma bela defesa do goleiro Fábio, teria deixado a sua torcida ainda mais chateada com uma nova derrota. E esse papo do Felipão de que “o projeto do Cruzeiro é para o ano que vem” já está enchendo o ‘saco’ do torcedor, que entende as dificuldades, mas não admite mais tanta incompetência, considerando que o plantel celeste é um dos mais caros desta Série B e, no papel, não fica devendo a nenhum dos outros concorrentes. (Fecha o pano!)
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Comentários

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Tião Aranha

21 de novembro, 2020 | 13:44

“Agora com jogador dono de restaurante ficou fácil de comemorar com muito churrasco e muito gole.”

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