15 de novembro, de 2020 | 19:44

Como prefeitos e vereadores podem trabalhar pelo desenvolvimento?

William Passos *

"É preciso, antes de tudo, a consciência de que a geografia ignora os limites municipais. Para ela, não existe Ipatinga e Coronel Fabriciano e Timóteo e Santana do Paraíso e os municípios do Colar. É tudo uma coisa só"

Antes de assumir suas cadeiras, prefeitos e vereadores precisam da consciência de que há dois tipos de desafios: aqueles que podem resolver sozinhos e aqueles que só podem resolver com cooperação intermunicipal. Os desafios que podem resolver sozinhos são aqueles exclusivamente localizados no próprio município (escolas, postos de saúde, pagamento dos servidores, creches, manutenção e conservação de ruas, por exemplo), enquanto os desafios que precisam de cooperação intermunicipal são aqueles que afetam toda a região (grandes investimentos, emprego, linhas de ônibus que cortam mais de um município, serviços de saúde de alta complexidade, água e esgoto, lixo, meio ambiente, entre outros).

Neste último caso, é fundamental a atuação conjunta dos prefeitos sob a coordenação da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço, que, inclusive, produziu um Caderno de Obras e Projetos, listando os principais investimentos a serem realizados com maior urgência não apenas nos quatro municípios da Região Metropolitana formal, mas também naqueles do Colar Metropolitano. O Caderno está disponível na bio da Agência no Instagram e pode ser acessado por qualquer pessoa.

O passo seguinte é a busca por recursos junto ao Estado e ao Governo Federal e, nesse aspecto, a atuação dos prefeitos em bloco, com o apoio da Agência Metropolitana, produziria um duplo efeito: demonstrar a força do Vale do Aço e exercer uma pressão significativamente maior que a atuação individualizada de um único prefeito.

Para isso, entretanto, é preciso, antes de tudo, a consciência de que a geografia ignora os limites municipais. Para ela, não existe Ipatinga e Coronel Fabriciano e Timóteo e Santana do Paraíso e os municípios do Colar. É tudo uma coisa só. Quem não está conurbado (junto, como se fosse uma cidade só), está integrado aos municípios restantes, compartilhando conjuntamente os lugares de trabalho, estudo, compras, acesso a serviços e atividades do tempo livre.

Por isso, insisto que o Vale do Aço é grande demais para perder tempo com disputas políticas paroquianas. É a região da Usiminas e o principal motor do desenvolvimento de Minas Gerais fora da Grande Belo Horizonte.

Portanto, como diz o grande geógrafo português José Alberto Rio Fernandes, é preciso deixar de lado “geoegoísmos” para buscar algo muito maior: a “geosolidariedade”!

* Geógrafo, doutorando pelo IPPUR/UFRJ e colaborador do Jornal Diário do Aço. Email: [email protected]
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