20 de outubro, de 2020 | 14:38

Entenda como é feita a correção da redação do Enem para conquistar a nota máxima

Bianka de Andrade Silva *

Desenvolvido para avaliar o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tornou-se uma ferramenta essencial no processo seletivo das universidades públicas e particulares do país. A fim de garantir um bom resultado na prova, o aluno precisa estar preparado para atingir uma boa nota nas quatros provas objetivas (questões de múltipla escolha): Matemática, Linguagens, Ciências Naturais e Ciências Humanas, além da redação, que tem um peso muito importante e acaba sendo responsável por auxiliar o aluno a ingressar nos cursos e universidades do SiSU cujas notas de corte são as mais altas.

Apesar disso, os estudantes ainda têm muitas dúvidas de como produzir uma boa redação, para assim, alcançar a maior nota do exame. E como superá-las? O primeiro passo é saber como é a estrutura do texto, a maioria dos gêneros textuais precisa apresentar introdução, desenvolvimento e conclusão. É importante ressaltar que, no Enem, esse formato tem suas particularidades, pois a prova sempre traz um tema e textos motivadores a partir dos quais os alunos devem redigir uma tese – geralmente já na introdução e primeiro parágrafo – para, em seguida, elencar seus argumentos – ancorados em informações, fatos e opiniões – e, por fim, é preciso que se faça uma proposta de intervenção – na qual o aluno conclui propondo uma solução para o problema social em pauta.

Ainda falando de estrutura, o título é uma dúvida de muitos estudantes, já que essa tarefa, na maioria das vezes, é um ponto importante para a aprovação de candidatos nos vestibulares. Porém, no caso do Enem, a recomendação é não colocar títulos, pois é um elemento opcional, não afeta a nota final e não é avaliado em nenhuma das cinco competências da correção adotadas pelo MEC.

Entenda sobre as cinco competências - Todos os candidatos precisam estar por dentro dessas competências para, além de entender o que é avaliado, ajudar no momento de produzir a redação. A primeira habilidade prevista é o uso da norma-padrão e se presta a avaliar o domínio do aluno relativo à ortografia, acentuação, construção sintática e vocabulário. A segunda competência pressupõe se o estudante soube atender ao tema e ao tipo textual dissertativo-argumentativo previstos na proposta, isso significa, por exemplo, que o aluno que escrever uma narração não terá sua redação corrigida e ele será muito penalizado também caso tangencie o tema, ou seja, se, ao invés de falar da democratização do acesso ao cinema no Brasil, o aluno trate da cultura em geral, significa que ele não chegou especificamente ao tema, ficando somente em suas bordas.

Em seguida, é avaliada a capacidade argumentativa e o repertório sociocultural, que são as referências, visões de mundo e leituras do aluno. A quarta competência de avaliação refere-se às habilidades do estudante de se utilizar de recursos linguísticos que tornam o seu texto mais coeso e articulado, nela deve-se demonstrar o uso do melhor e mais variado possível repertório de conjunções, pronomes, advérbios, antônimos e sinônimos para construir um texto sem repetições desnecessárias de palavras e articulado entre períodos e parágrafos. Por fim, a última habilidade a ser demonstrada é na composição de uma proposta de intervenção, com a qual o aluno deve levantar uma solução para o problema social em foco, indicando quem é o responsável por essa solução, como ela deve ser empreendida e quais efeitos causará.

A partir daí, é atribuída a pontuação de cada redação com base na análise desses cinco critérios. Para compor os 1000 pontos, a pontuação máxima, os avaliadores contam com uma matriz dividida nessas cinco competências, que valem 200 pontos cada e que contemplam seis níveis de aproveitamento, desde a nota 0, em que se revela desconhecimento ou não atendimento da competência, até 200, em que se aponta excelente domínio.

Para não ter nota zero, é importante não fugir do tema, nunca redigir uma redação com apenas sete linhas, jamais copiar textos que estão na prova e nada de usar ofensas, impropérios ou desenhos e inserção de partes desconectadas do texto, como, por exemplo, um bilhete ao presidente do Inep.

Por fim, cabe explicar sobre o processo de correção. No intuito de assegurar que a nota atribuída ao aluno seja justa, o texto passa por dois corretores e, caso não haja discrepância, a nota resulta da média aritmética de ambos. Já para os casos de discrepância, aciona-se um terceiro avaliador e a nota, nesse caso, resulta da média entre o valor atribuído por ele e o de maior proximidade entre a dupla da primeira correção. Caso ainda assim haja discrepância, a prova passa à correção de uma banca presencial composta por três professores.

* Gerente de Avaliação e Produtos Digitais do SAE Digital. Saiba mais no Canal do YouTube do SAE Digital.
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