14 de outubro, de 2020 | 14:37

O Sangue Fenício e o Sucesso nos Negócios

Sérgio Moreira *

“O sucesso dos mercadores fenícios baseava-se na crença de que a honestidade é a melhor política ao negociar com terceiros”

O que tem em comum Carlos Slim Helu, Euler Fuad Nejm e Miled El Khoury?

Carlos Slim Helu começou a trabalhar aos oito anos de idade ajudando o pai comerciante em sua loja no México. Tornou-se um grande empresário, sendo conhecido por Midas, devido à sua habilidade em transformar empreendimentos decadentes em companhias saudáveis e lucrativas. Já foi considerado o homem mais rico do mundo pela Forbes em 2010, 2011, 2012 e 2013.

Desde os oito anos de idade (a exemplo de Slim Helu), Euler Fuad Nejm transitava pelo pequeno armazém de secos e molhados do pai em Belo Horizonte. Aos 15 anos, ele foi emancipado pelo pai e tornou-se sócio do estabelecimento. Com persistência e liderança ao passar dos anos, veio à ascensão: Euler se tornou o CEO do Grupo Super Nosso - conglomerado que compreende os supermercados Super Nosso, Apoio Mineiro, as distribuidoras Decminas, Daminas, Jota Forte e a Indústria Raro de Alimentos. Fuad Nejm também é vice-presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), conselheiro consultivo da Fundação CDL e sócio conselheiro da Rede Brasil de Supermercados, que ocupa a 4ª posição no ranking de supermercados no Brasil. O Grupo Super Nosso ocupa o 15° lugar no ranking nacional da ABRAS, com faturamento de mais R$ 2,5 bilhões por ano, possui quase 10.000 funcionários.

Miled El Khoury desembarcou em São Paulo aos 20 anos e começou a trabalhar como balconista de uma atacadista de roupas infantis dos primos. Alguns anos depois abriu a Sawary. Foi pioneiro em investir em marketing na região do Brás. Hoje a Sawary Jeans é a maior marca de Jeanswear do Brasil, eleita a mais amada pelos jovens brasileiros (Revista Consumidor Moderno). Além de vestuário, Miled diversificou seus negócios com a compra de casas noturnas e restaurantes.

E afinal, o que eles têm em comum? Miled é libanês, Slim Helu e Fuad Nejm são filhos de libaneses. O Líbano de hoje está situado onde viveu um povo da antiguidade: os fenícios, que dominaram o Mediterrâneo entre 1100 a.C. e 500 a.C. Foram os maiores comerciantes e navegantes da Antiguidade por excelência. Foram os pioneiros do comércio exterior.

Adaptavam e aperfeiçoavam outras invenções. Para contabilizar os lucros substituíram os hieróglifos egípcios por um sistema de escrita de 22 letras, sendo o precursor do nosso alfabeto.

Em seus livros “Negotiating Like a Phoenician: Discovering Tradables” e “Transcends Quo Vadis Negotiator”, o Dr. Habib Chamoun-Nicolás, também de origem libanesa e especialista em negociação, explica que o “modelo de negócios fenício” se baseia em valores como sinceridade, justiça e integridade, que eleva o cliente a parceiro de negócios. Entre os pilares estão a prudência, a temperança, o discernimento, a justiça e a força ou resiliência.

Os fenícios conheciam bem os seus clientes, descobrindo quais eram as suas necessidades, realizando negociações comerciais de forma que ambas as partes ficariam satisfeitas com o acordo alcançado. Para eles, negociar não era apenas vender um produto, mas, acima de tudo, criar relações comerciais de longo prazo, conquistando assim um cliente para o resto da vida.

O sucesso dos mercadores fenícios baseava-se na crença de que a honestidade é a melhor política ao negociar com terceiros e que dar é receber. Isso foi o que garantiu sua sobrevivência em longo prazo e sucesso comercial desse povo. E como já disse o ex-presidente do México em 1962, Adolfo López Mateos: “Quem não tem um amigo libanês, que o procure”.

* Empresário, mestre em Metalurgia Extrativa, MBA em Comércio Exterior e é mestrando em Negócios Internacionais. Atua como Presidente da Associação Cultural Líbano Brasileira de Minas Gerais (ACLB-MG) e também é Delegado Regional da Câmara de Comércio Líbano Brasileira de Minas Gerais (CCLB-MG)

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