Depois de décadas em busca de família biológica, enfermeira encontra possíveis irmãs

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A busca de Marlene Arruda (D)(que pode se chamar Maria de Fátima), a levou à sua possível irmã, Maria das Graças (E), em Portugal
(Alex Ferreira - Repórter do Diário do Aço)
A busca de Mariana Souza, 34 anos, consultora de negócios, pela história de sua mãe, a enfermeira Marlene Arruda Tavares, 63, resultou numa esperança de restabelecer contato com sua possível família.

Elas queriam encontrar um elo perdido em sua história familiar que teve início no Vale do Aço. O caso foi relatado na reportagem “Levada de sua família quando ainda era criança em Ipatinga, mulher sonha em reencontrar familiares”, publicada pelo Diário do Aço em 13 de junho passado. A partir dessa publicação, a filha de uma mulher que morou no distrito de Cachoeira do Vale, em Timóteo, e que hoje reside em Portugal, estabeleceu contato com Mariana Souza. Começava, dessa forma, um novo capítulo na história que caminha para um final feliz. Falta a confirmação do laço de parentesco por meio de exames de DNA. Uma primeira tentativa, com um laboratório em São Paulo, terminou sem conclusão.

Mariana Souza conta que a partir do contato da jovem, ela chegou às outras possíveis irmãs de sua mãe, Maria da Penha Silva, 60 e Elza Maria da Silva, 64, ambas moram em Coronel Fabriciano, e a história que ouviu de todas elas traz uma série de coincidências. Uma das descobertas é que Marlene, provavelmente, foi batizada como Maria de Fátima e a gêmea dela, que hoje mora em Portugal é Maria das Graças, 63. O ano do nascimento é 1957. A troca do nome e a data de aniversário de Fátima teriam ocorrido quando a família adotiva fez um novo registro de nascimento. O nome da mãe delas era Maria Onória e o pai José Lourenço da Silva. Ele é natural de Resplendor, no Vale do Rio Doce, e faleceu no início dos anos 1970.

Naque

A história da busca por Maria de Fátima tinha sido assunto de uma reportagem publicada há aproximadamente 20 anos pela Rádio Itatiaia Vale do Aço, onde trabalhou “Tia Graça” (a irmã gêmea que reside em Portugal).

Na época não houve resultados, mas com o impulsionamento da notícia hoje, pela internet, a busca agora feita por Mariana, a filha da provável “Maria de Fátima”, teve outro alcance. “Descobrimos que a família vivia em Naque quando minha mãe foi adotada. E essa adoção se deu depois de uma série de fatos trágicos. Quem falava que a família era de Ipatinga eram os irmãos da minha avó adotiva, hoje já falecida. Mas agora sabemos que essa família vivia na antiga fazenda de Avelino Benini, Fazenda Boa Vista, que ficava na zona rural do Naque. As irmãs nasceram e foram criadas naquela região. O senhor Avelino foi uma pessoa influente porque hoje tem praça na cidade com o nome dele”, observou.

Mariana acrescentou que sua possível avó biológica, Maria Onória, morreu durante um trabalho de parto, quando as gêmeas tinham por volta de 4 anos de idade. As filhas, então, passaram a ser criadas pela avó, Maria Culuta e por uma tia, Josefina Onória, uma vez que o pai tinha uma vida desestruturada pelo alcoolismo.

“Era uma vida desestruturada, em meio a muita pobreza e marcada por lembranças desagradáveis tanto pela minha mãe quando pela tia Graça. A avó teve a guarda das crianças por um tempo e depois as meninas foram repartidas em adoções. Tia Graça não se lembra do episódio em que minha mãe foi levada por um casal em um caminhão, mas ela sabe desse dia, inclusive, que foi trancada em casa para que não visse minha mãe ser levada. Graças à boa memória da tia, ela se lembra que uma mulher foi buscar a irmã (minha mãe) e que momentos antes, as irmãs foram buscar água num córrego que passava nesse local. Maria das Graças lembra também que as irmãs foram muito felizes juntas e brincaram muito, era desde cantigas de roda até brincar de cavalinho e balanço. Isso é um alento para nossos corações”, detalhou Mariana.

A gêmea de Portugal procurava pela irmã desde os 10 anos de idade, conta Mariana. Maria das Graças relatou que depois da morte da mãe, no trabalho de parto, elas foram levadas da área rural para uma casa na rua Job Lott, em Naque.

Mariana conta que as irmãs estão agora em busca de resgatar também a história do pai delas. “Então, se alguém teve algum familiar com o nome de José Lourenço da Silva, ele tinha pele branca e cabelos e olhos castanhos claros, falecido na década de 70, deve fazer contato e será importante para a reaproximação da família”, enfatizou Mariana.

Exame de DNA

Desde a descoberta da possível irmã em Portugal, Marlene e a filha contrataram um laboratório renomado em São Paulo, o BiomedDNA, que já atuou, inclusive, na elaboração de testes para programas de TV. Entretanto, pelo fato de não existirem o pai nem a mãe para a comparação de DNA, o exame rastreia o grau de parentesco. Amostras foram colhidas, tanto de Marlene, em São Paulo, quanto das possíveis irmãs no Vale do Aço, mas os testes não foram conclusivos na comparação. O exame não confirmou, mas também não descartou. A coleta de material (sangue e saliva) foi feita de diferentes formas, mas o laboratório não conseguiu concluir o rastreamento.

As irmãs buscam agora um laboratório na Europa, também especializado nesse tipo de trabalho, para sanar as dúvidas acerca do grau de parentesco de Marlene (ou seria Maria de Fátima) com Maria das Graças. “Estamos ansiosos com essa situação. Esperamos que a ciência comprove, pois o roteiro de vida das duas é muito parecido. Tia Graça tem uma memória mais viva do que minha mãe. Elas não são gêmeas idênticas, mas há traços, voz e outras características muito parecidas”, concluiu Mariana.
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