26 de setembro, de 2020 | 10:05

Nova derrota aumenta pressão sobre o Cruzeiro

Bruno Haddad
Série de maus resultados e atuações ruins estão tirando a paciência do torcedorSérie de maus resultados e atuações ruins estão tirando a paciência do torcedor

Ônibus cercado por torcedores furiosos e escoltado por dez viaturas policiais. Foi assim que os jogadores e comissão técnica do Cruzeiro deixaram o Mineirão na noite de sexta-feira (25), após a derrota da Raposa para o Avaí, por 1 a 0. Na saída, cerca de 30 integrantes de uma torcida organizada pediam raça aos jogadores e exigiam que eles aparecessem nas janelas dos veículos, o que não ocorreu.

A derrota deixou o Cruzeiro ainda mais perto da zona de rebaixamento, o que pode mudar os planos do clube para 2020. Ao invés de subir para a Série A, o foco pode ser alterado para se manter na Série B.

Com problemas financeiros fora de campo e com o time não rendendo nos gramados, o Cruzeiro conseguiu somar apenas cinco pontos dos últimos 24 disputados. Um desempenho abaixo dos 25%, usual para times que lutam para não cair. A campanha da equipe até aqui inclui quatro vitórias, dois empates e cinco derrotas.

Comportamento em campo

Na avaliação do técnico Ney Franco, o ponto fraco do Cruzeiro na última partida foi o ataque. “Na realidade, foi um jogo de incompetência ofensiva. Quando eu falo de incompetência ofensiva, não estou incluindo só os atacantes da equipe, é ela como um todo”, apontou o treinador depois da derrota contra o Avaí. “Mais uma vez, foi um jogo que a gente teve volume, mas criou muito pouco. Hoje a gente tentou entrar por diversas vezes na área adversária, algumas vezes pelo centro, que estava congestionado. A gente conseguia girar a bola, mas nos cruzamentos a equipe adversária ganhou todas as bolas de cabeça. (...) Mesmo a gente tendo posse, rodando a bola e algumas vezes errando passes, acho que o erro maior foi não ter criado oportunidades de gols”, explicou.

Apesar do cenário ruim, Ney Franco acredita numa reação. “Lógico que tem solução. Vamos continuar trabalhando, vamos ao campo, é um time que tem suas qualidades. A gente tem que passar por um momento de frustração, mas não pode ter desistência do trabalho. Existe uma possibilidade de inscrição de alguns jogadores na próxima semana. Precisamos aumentar nosso leque de opções e ganhar um poderio ofensivo”, disse. O Cruzeiro, porém, está impedido pela Fifa de registrar jogadores por causa de uma dívida com o Zorya, da Ucrânia, referente à compra do atacante Willian, em 2014.

Apesar do otimismo do treinador, o goleiro Fábio admite a fase difícil. “Complicado. A gente já sabia que seria difícil, mas não dessa forma. Tivemos muitas dificuldades: financeira desde janeiro, perda dos seis pontos, não ter cota de Série A. Essa temporada não seria fácil, mas as coisas não estão fluindo. Estamos lutando até o final, mas as coisas não estão se encaixando. A gente pressiona e toma gol de contra-ataque ou bola parada. Aí gera mais pressão, mais cobrança. É continuar trabalhando. Todo mundo deveria ter a consciência de que seria difícil”, afirmou.

O ídolo celeste ainda ressaltou o compromisso da equipe de subir. “A pressão é toda em cima da gente. O torcedor está vendo a realidade. É simples, é só querer enxergar. O Cruzeiro vem de uma situação delicada financeiramente. Os jogadores são novos, a responsabilidade é gigantesca, principalmente para os garotos. Se o torcedor não enxergar isso, vai ter ainda mais pressão. Eu estou acostumado a levar porrada. Na Série B, a obrigação é toda do Cruzeiro de conquistar o acesso”, concluiu.

O próximo desafio do Cruzeiro também será em casa. Na quarta-feira (30), o time enfrenta a Ponte Preta, às 19h15. Quem não disputa esse jogo são o zagueiro Cacá e o volante Ariel Cabral, ambos receberam o terceiro cartão amarelo no revés contra o Avaí.
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