João Paulo Guimarães/Repórter Brasil
Jaguatirica morta em área atingida por incêndios na região de Poconé, Mato Grosso
Um grupo de seis pessoas parte nessa sexta-feira (25) para o Pantanal, com a missão de ajudar a salvar animais prejudicados com a sequência de queimadas que atingem áreas verdes naquela região, entre os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que entre janeiro e agosto de 2020 mais de 12% do Pantanal foram consumidos por incêndios, produzidos geralmente por queimadas que saíram do controle e agravadas pela pior seca em quase meio século.
Locais que são considerados verdadeiros santuários de espécies como a onça pintada, entre muitas outras, ou foram devastadas pelas chamas ou estão sob risco iminente de virarem cinzas. Além das equipes que fazem o combate às chamas, há demanda para equipes multidisciplinares para socorrer os bichos que conseguiram escapar do fogo, mas estão com queimaduras.
Um dos organizadores do trabalho, o documentarista de natureza Fernando Lara, do grupo Rotas Verdes Brasil, explica em entrevista ao Diário do Aço que a equipe sairá de Ipatinga em dois veículos 4x4 e poderá levar alimentos e medicamentos, além de oferecer suporte a equipes que fazem o combate direto ao fogo, levando alimentos e água aos brigadistas. “Temos experiência em incursões na selva, já contamos com inúmeros trabalhos feitos no Pantanal e decidimos nos unir para levar essa ajuda à natureza. O desafio é grande porque, além dos bichos, os humanos também precisam de ajuda em diversas comunidades. O fato de conhecermos a região também facilitará o acesso a quem precisar de ajuda”, enfatiza.
Para financiar a expedição, Fernando Lara conta que o grupo procurou doações no Vale do Aço e também disponibilizou uma “vaquinha” na internet para receber recursos de pessoas interessadas em fazer repasses financeiros. Quem quiser ajudar pode acessar o link
http://vaka.me/1391054 para fazer uma doação. As doações também podem ser entregues de forma presencial na rua Malva, 274, bairro Bom Jardim, em Ipatinga.
Alguns medicamentos veterinários e para humanos serão levados do Vale do Aço. Já os alimentos serão retirados em centrais de abastecimento nos locais para a onde a equipe for deslocada. Quando chegar ao Pantanal, os expedicionários serão destinados para áreas onde houve maior demanda de atuação.
Divulgação
Equipes sairão de Ipatinga em dois veículos 4X4 já adaptados para expedições fora de estrada
Devastação O Pantanal, considerado a maior planície alagável da Terra, entrou em colapso ambiental com as queimadas e os efeitos dos incêndios em sua área, que são considerados irreversíveis por alguns cientistas, comprometendo de maneira severa os recursos hídricos, a fauna e a flora do bioma numa escala nunca vista nas últimas décadas.
Essa semana a revista Repórter Brasil publicou que parte do fogo que devasta a vegetação teve origem em fazendas de pecuaristas ligados a um dos maiores produtores de soja do mundo, fornecedores de gigantes multinacionais como JBS, Marfrig e Minerva.
O levantamento da Repórter Brasil se baseou em estudo da ONG Instituto Centro de Vida, que identificou que as queimadas no Mato Grosso começaram em cinco propriedades, a partir da análise cruzada dos focos de calor do Inpe, imagens dos satélites Sentinel-2 e Planet e mapeamento das áreas atingidas por incêndios da Nasa.
O estudo do ICV analisou os focos de incêndio no Mato Grosso entre 1º de julho e 17 de agosto, mas ressalta que a primeira queimada na região começou em 11 de julho e também apontou a geolocalização das fazendas de onde partiu o fogo.