Arquivo DA
Buchecha marcou época no futebol amador e profissional, valorizando uma função difícil, a de massagista
Depois de uma internação de mais de duas semanas, no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, morreu na noite de domingo (20) o lendário massagista José das Dores Rosa, aos 76 anos. Buchecha tratava de problemas na região abdominal e não resistiu ao agravamento da doença nos últimos dias. Seu corpo foi trasladado para Coronel Fabriciano, onde será sepultado no fim da tarde desta segunda-feira (21) no cemitério municipal da cidade.
Buchecha nasceu em Ferros, passou parte da sua infância e adolescência em Belo Horizonte e Rio de Janeiro, antes de se mudar para Timóteo. Tentou ser jogador da antiga categoria de aspirantes do Olaria, do Laminação e do Náutico. Depois, atuou pelo amador do Forjaria, também de Timóteo e no CAF, em Coronel Fabriciano. Não deu certo na carreira de jogador, mudou-se para Coronel Fabriciano, foi trabalhar na área da Usiminas em algumas prestadoras de serviços e decidiu então tornar-se massagista pelo contato que tinha com equipes amadoras da região.
Carreira longaSeu primeiro trabalho apenas como massagista foi no Social, de Coronel Fabriciano, bicampeão da cidade em 1970 e 1971. Permaneceu no Social até 1979, quando foi trabalhar no Ideal Futebol Clube, em Ipatinga, seu primeiro time profissional. Em 1980, voltou para um time amador, a Associação Atlética Aciaria, onde foi campeão júnior ipatinguense.
Em 1981 estava outra vez no Social Futebol Clube, novamente como profissional. Dirigido por Pedro Paulo, que fez história como lateral-direito no Cruzeiro dos anos 1960, o time de Coronel Fabriciano disputou naquele ano a Terceirona do Campeonato Mineiro.
Retornou ao profissional somente em 1998, como massagista do júnior do Ipatinga Futebol Clube, fundado naquele ano. Em 1998, foi para a Sociedade Esportiva Guaxupé, no Sul de Minas, que disputava a Terceira Divisão do Mineiro, e em janeiro de 1999 voltou ao Ipatinga, onde trabalhou até 2003.
Posteriormente, o incansável massagista, famoso por sua corrida apressada para dentro de campo para atender um jogador caído no gramado, passou por vários times de Minas Gerais e São Paulo: Mamoré, de Patos de Minas; Rio Branco, de Andradas; Uberaba; Uberlândia; Sociedade Esportiva, de Guaxupé; Guarani, de Divinópolis; Nacional, de Nova Serrana; Flamengo, de Varginha; além de breves passagens pela Associação Atlética Internacional de Limeira e Associação Atlética Francana, de Franca, ambas no interior paulista. “Trabalhei com grandes técnicos, como o famoso uruguaio Pedro Rocha, no Ipatinga, José Carlos Serrão, no Mamoré, Wantuil Rodrigues, no Ipatinga, e os fabricianenses Luciano Pascoal, no Guaxupé e Mamoré, e José Ângelo, o Preca, no Guarani. Aprendi muito e acho que também dei minha contribuição. Ficaram muitas lições e boas histórias”, afirmou certa feita em entrevista à TV Cultura Vale do Aço.
SambistaAlém de massagista aposentado, Buchecha era um tocador e consertador exímio de cuíca, instrumento que aprendeu no tempo em que morou no Rio de Janeiro. Fazia parte do grupo de samba Okolofé, que se reúne no bairro Bom Retiro, em Ipatinga. Era casado com Mirtes Maria Marta Rosa, pai de um casal de filhos (Fábio e Fabiana) e avô de três netos (Vítor, Vinicius e Rafaela).