Rodada de surpresas

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
A 9ª rodada do Brasileirão da Série A foi marcada pelas algumas surpresas, devido aos tropeços dos primeiros colocados na zona de classificação para a Copa Libertadores.

Dos seis primeiros, só Galo e Vasco da Gama venceram, respectivamente, Bragantino e Botafogo, isolando o alvinegro mineiro na vice-liderança, com um jogo a menos em relação ao líder, o Internacional, além de firmar o surpreendente time do Vasco da Gama na quarta posição.

Dos males o melhor. Agora, o Brasileirão dará uma pausa de 15 dias nos jogos do meio de semana, o que será favorável ao Atlético, fora da disputa da Copa Libertadores e da Copa do Brasil.

O Galo voltará a campo no próximo sábado (19) para enfrentar o seu xará Atlético, em Goiânia, que tem uma boa campanha para o nível de investimento feito na equipe, ocupando o 11º lugar na tabela, com 12 pontos ganhos, à frente de Grêmio e Corinthians.

Besta ou bestial?
O grande Otto Glória foi um técnico que brilhou nas décadas de 1960/70/80 dirigindo grandes equipes do futebol brasileiro e mundial. E durante sua passagem pela Seleção de Portugal, que levou ao terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, a melhor colocação obtida pelos portugueses até hoje na competição mundial, disse certa vez uma frase que virou mantra: “Naquele país (Portugal), quando se perde o treinador é chamado de ‘Besta’. Quando vence, de ‘Bestial’”.

Lá, como cá ou em qualquer outro lugar do mundo, ocorre a mesma coisa quando se trata de avaliar o trabalho do treinador de futebol. O técnico Jorge Sampaoli vem causando furor na mídia e entre a torcida do Galo, pela sua mania de alterar o time a cada jogo, de acordo com o que pensa sobre os adversários.

Mas desta vez ele exagerou na dose, ao iniciar a partida contra o Bragantino com dois laterais e três zagueiros, escalando Maílton de titular, um jogador que nem ao menos vinha sendo relacionado para a reserva.
Mas com as alterações feitas, desta vez ele não conseguiu fazer o time render o desejado. No fim das contas, o Galo venceu e o técnico argentino, que era chamado de “besta”, ou “Professor Pardal”, passou a ser chamado de “bestial”.

FIM DE PAPO
* Ney Franco chegou ao Cruzeiro debaixo de muita desconfiança da torcida e imprensa azul da capital, cuja ficha ainda não caiu. Eles ainda pensam que o clube tem bala na agulha para gastar fortunas e pagar salários milionários a treinadores. Ney Franco é vargem-alegrense, mineiro aqui dos nossos grotões, e sabe como ser humilde e assertivo ao mesmo tempo. Chegou dando logo um recado direto aos medalhões do grupo, que não vinham jogando nada: “Só com o nome não se joga a Série B”, disse na entrevista de apresentação.

* O resultado foi um time diferente em campo, mais aguerrido, aplicado, que fez um segundo tempo realmente muito bom. O resultado positivo de 1 x 0 sobre o Vitória da Bahia foi importantíssimo para o Cruzeiro, na medida em que tirou a equipe da proximidade com a zona de rebaixamento à Série C e ainda interrompeu uma má sequência, de seis jogos sem vencer. Agora, com mais tempo para treinar e, sobretudo, para conversar com o grupo, espera-se que o rendimento evolua ainda mais nas próximas rodadas.

* Alguns colegas da crônica, sobretudo no rádio, têm demonstrado muita má vontade com o trabalho de Jorge Sampaoli e sua comissão técnica no Galo. No entanto, os números são amplamente favoráveis ao argentino e sua equipe, confirmando o acerto do trabalho até aqui. Em 16 jogos, ele venceu 12, empatou um e perdeu três partidas.

No Campeonato Mineiro foram sete partidas do Galo sob seu comando, com seis vitórias e um empate. No Brasileiro, em nove jogos, venceu seis e perdeu três vezes. Um aproveitamento geral de 77%, 90% em nível estadual e 67% em nível nacional. No Brasileirão, onde o time tem figurado sempre na parte de cima da tabela, foram quatro partidas dentro de casa e cinco fora de Belo Horizonte.

* Sampaoli vai errar, tal como já ocorreu na escalação do time contra o Bragantino, mas ele conta com um plantel com qualidade, além de ter inteligência e capacidade suficientes para mexer na equipe e mudar resultados desfavoráveis.

É melhor que só fale depois dos jogos, que esconda os treinos, que seja cobrado pelo rendimento do time em campo, sem crises xenofóbicas e ‘mimimis’ de repórteres dinossauros, mal acostumados que ficaram em anos e anos de janela obtendo informações privilegiadas nos bastidores. Trata-se de uma nova mentalidade, e quem não se adaptar ao novo tempo periga cair no velho ditado que diz: “Camarão que dorme, a onda leva”. (Fecha o pano!)
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