Elevação no preço do arroz deve se manter até 2021, afirma dirigente

Preferência pela exportação do alimento pelos principais produtores sulamericanos é apontada como um dos fatores da disparada no preço

Alex Ferreira


Preço tem seguidos aumentos em supermercados da Região Metropolitana do Vale do Aço

Um dos alimentos mais consumidos pelo brasileiro, o arroz está com o preço elevado e as pessoas têm reclamado. O pacote de cinco quilos, que antes era vendido pelo preço médio de R$ 15, passou a ser comercializado a R$ 25. Segundo o presidente das Indústrias de Arroz no estado de Minas Gerais, filiado à Federação das Indústrias (Fiemg), Jorge Tadeu Araújo Meireles, a alta deve perdurar até o ano que vem. Numa rápida pesquisa em supermercados do Região Metropolitana do Vale do Aço, a reportagem constatou que o cereal varia de R$ 19 até R$ 29,90.

Jorge Tadeu aponta alguns fatores que interferem no valor do arroz, como a relação de estoque da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e governo federal; produtor descapitalizado; expansão do consumo nacional e internacional de arroz; elevado patamar do dólar e dos preços internacionais e redução das exportações tailandesas, o maior exportador mundial. “O consumidor mudou e isso se deu por causa da pandemia da covid-19 também, as pessoas ficaram mais em casa e por isso comem mais em casa. São essas algumas das explicações da alta”, ponderou.

O dirigente recorda que, até poucos dias, o pacote de cinco quilos de arroz custava de R$ 12 a R$ 15. “Agora está em torno de R$ 25, devido à essas situações, que não são da agora. A falta de produto no mercado nacional e a alta no mercado internacional, também com a queda de safra na Tailândia, tem ocorrido já há algum tempo. Inclusive foi registrada a falta do produto em alguns locais. O aumento no valor é um caso nacional, tem ocorrido em todos os cantos”, detalha.

Normalização

Questionado sobre quando o cenário irá mudar e o preço voltará ao que era praticado, Jorge Tadeu avalia que o abastecimento deve se normalizar a partir de fevereiro do ano que vem, na próxima safra. “O arroz vai continuar em alta. Creio que até no início de 2021. Um dos motivos do desabastecimento de arroz no mercado nacional é porque o sul do país exportou muito no início de 2020, fazendo com que o arroz subisse e o que importamos do Mercosul também foi vendido para outros países. Provocando grande desequilíbrio em relação ao nosso consumo interno”, concluiu.

Alex Ferreira


Conforme a Abras, itens como óleo de soja, feijão, leite e carne também tiveram aumentos significativos por causa de exportação
Outros aumentos

O ano de 2020 não tem sido favorável quando o assunto envolve itens básicos. A carne continua com o preço elevado, assim como o ovo, cujo preço chegou a custar R$ 18 o pente com duas dúzias e meia em alguns supermercados, e o gás de cozinha, que sofreu o sexto reajuste consecutivo desde o mês de maio, conforme anunciado no fim do mês de agosto. Recentemente, o óleo de soja chamou a atenção ao alcançar quase 80% de aumento no preço, que antes era de aproximadamente R$ 3,50. Para quem não vive sem feijão no prato, a refeição já está salgada há algum tempo. O pacote de um quilo do tipo carioca tem sido comercializado a aproximadamente R$ 5. O feijão vermelho já chegou a valer R$ 12, meses atrás e atualmente está na casa dos R$ 8.

O preço do queijo muçarela é outro cuja alta assusta. O alimento custava, em média, R$ 25 em junho. Na sexta-feira, entretanto, foi encontrado em supermercados no Vale do Aço a preços que variavam de R$ 34 a R$ 39 o quilo. Já o litro do leite longa vida integral, que tinha preço médio de R$ 3, subiu para a média de R$ 4.

Bolsonaro pede patriotismo para evitar dispara de preços

Em conversa com apoiadores na última semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro, assegurou que mantém diálogo com intermediários e com representantes de redes de supermercados para tentar evitar uma alta maior nos produtos da cesta básica. “Estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro”, apelou.

Alex Ferreira


Esse é o menor preço encontrado em um supermercado, na tarde de sexta-feira (4)
Abras afirma em nota que aumento de preços é generalizada

Em nota publicada no dia 3 de setembro, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), afirmou que o setor supermercadista tem sofrido forte pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores. Itens como arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja tiveram aumentos significativos. “A Abras, que representa as 27 associações estaduais afiliadas, vê essa conjuntura com muita preocupação, por se tratar de produtos da cesta básica da população brasileira. Conforme apuramos, isso se deve ao aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima e a diminuição das importações desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio que provocou a valorização do dólar frente ao real. Somando-se a isso a política fiscal de incentivo às exportações, e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial do governo federal”.

Ainda segundo a entidade, tem mantido diálogo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e representantes de todos os elos da cadeia de abastecimento. “Apoiamos o sistema econômico baseado na livre iniciativa, e somos contra às práticas abusivas de preço, que impactam negativamente no controle de volume de compras, na inflação, e geram tensões negociais e de ordem pública. Na quinta-feira (3), a Abras comunicou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, sobre os reajustes de preços dos itens citados acima, com o intuito de buscar soluções junto a todos os participantes dessa cadeia de fornecedores dos produtos comercializados nos supermercados”, esclareceu, em nota.

Produtos em alta deixam consumidores aborrecidos

O arroz de fato está mais caro, mas nem por isso a dona de casa Joana Maria, moradora do bairro Veneza II, abre mão da famosa combinação com o feijão, em seu prato. “Lá em casa comemos arroz praticamente todos os dias, quando não, comemos macarrão com alguma carne. Com esse preço, o que vamos fazer é uma adaptação. Em vez de comprar cinco sacos de arroz, vamos levar a metade. Alternativa para não ficar sem e não gastar tanto”, adianta.

Substituição

A nutricionista Natália Stofel orienta sobre o que pode ser preparado em substituição ao arroz, que faz parte do grupo dos carboidratos. “Caso as pessoas escolham fazer consumidor outro item, o ideal é que substitua por alimentos do mesmo grupo, como mandioca, batata doce, inhame, banana da terra, milho verde - espiga, não a opção enlatada-, batata e macarrão também”, aconselha.

Natália alerta que é essencial fazer essa substituição, pois o cereal pertence a um grupo de carboidratos que tem função de fornecer energia de forma rápida. “Por isso a importância de consumir outro alimento semelhante, para que se tenha uma alimentação equilibrada, mesmo sem o consumo do arroz”, conclui.
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Comentários

Jessica Roberta 09 de setembro, 2020 | 00:08
É tá tudo um absurdo eu vou no mercado e quero vim embora.acho que depois de da pandemia os caminhoneiros devido fazer greve dinovo e parar tudo avisar agente q vai parar pra nós nos previnirmos e parar a greve só quando muita coisa mudar o povo coloca os safados no poder tá na hora do povo ir pras ruas e mostrar que não somos trouxas.eles administrado nosso dinheiro e vivem em mansão.enquanto o pobre para na pista pra saquear carga de carne.que vergonha desse país.
Ana 08 de setembro, 2020 | 20:42
Engraçado ver esse povo dando "kkkk" nos comentários, vemos que só sabem fazer piada com assuntos sérios, por isso o Brasil só vai ladeira abaixo, Francamente! Deplorável.
Mauricio Costa 08 de setembro, 2020 | 17:53
Para quem ainda não sabe por que o arroz está caro: Ganância dos produtores para falar mais na exportação

Em agosto de 2020, o sexto mês do ano-safra 2019/2020, as exportações brasileiras de arroz atingiram 212.623 toneladas base casca, uma alta de 93% sobre o volume embarcado no mesmo mês do ano passado, segundo análise feita pela Cogo ? Inteligência em Agronegócio. Além do bom resultado no mês passado, as vendas externas do produto poderão atingir um recorde no ano-safra 2019/2020, superando 2 milhões de toneladas (base casca) e ultrapassando o recorde anterior, registrado em 2010/2011, quando o Brasil exportou 2,09 milhões de toneladas (base casca).
Vagner 08 de setembro, 2020 | 15:19
MELHOR JAIR SE ACOSTUMANDO HAHAHAHA QUERIAM COMPRAR ARMAS NEM CARNE TAO CONSEGUINDO COMPRAR PQP
Paula Cristina Ouro 08 de setembro, 2020 | 14:49
Um absurdo ...
Anti17 08 de setembro, 2020 | 11:38
Marcelo>>>> Tá aí um bom entendedor de matéria, pelo menos parou para ler, só não conseguiu ver que antes o dólar era controlado e os produtos ficavam no próprio país, pois vender com o dólar baixo não era vantagem. Claro que hj os grandes produtores vão querer importar, pois o cabeça de bagre nem o dólar consegui conter ( mais isto foi necessário por causa do rombo que o PT deixou). Pobre tá cada dia mais se lascando e ainda não enxerga a realidade.
A próxima que está tramitando é a multa rescisória que vai passar para 20%, ou seja, isto foi necessário por causa do rombo que o PT deixou!!!
Bruno 07 de setembro, 2020 | 21:08
Coitado do presidente. O cara já está preocupado com os homens colocando na poupança da mulher dele, sem ele saber. Desse jeito, ele não vai ter cabeça pra conseguir fazer nada, não.
Zé das Couves 07 de setembro, 2020 | 12:47
Bolsonaro esquerdando e socialistas estão com raiva kkkkkkkk. São a favor de um estado inchado e contra o livre mercado, mas quando começa a faltar comida choram pelo capitalismo. Tem que rir mesmo. Como disse um outro comentárista é só trocar o carboidrato por outro, batata doce é um delícia.
Adriano 07 de setembro, 2020 | 10:16
Vejo os comentários esquerdistas e confirmo que o povo ficou mau acostumado com o assistencialismo dos governos petistas
Julião 07 de setembro, 2020 | 09:28
Este e nosso governo vende pra fora , e o povo brasileiro que se ferre , ainda tem sem vergonha que vai votar kkkkkkkkkk eta pais de bostas
Marcelo Costa Alves 07 de setembro, 2020 | 06:29
Éeee pelo visto a maioria dos comentaristas, especialistas de facebook não se deu ao trabalho de abrir a matéria para ler e e entender que o maior culpado pela alta dos preços são os grandes produtores, que preferem vender para o exterior e aproveitar a alta do dólar. Que triste ver o próprio povo se culpando por uma falta de cidadania que não é dele. Está para existir na Terra um povo mais manso, mais desorientado que nós, brasileiros, viu. Parabéns a quem colocou na cabeça da ralé que a parte de baixo da pirâmide social é a responsável pela disparada de preços.
Menino da Porteira 06 de setembro, 2020 | 22:48
Tá tudo caro!
comida, aluguel, gasolina, dolar e + imposto

Absurdo essa ditadura venezuelana que vivemos!
Um país cheio de petróleo e não tem nada, não produz nada.
Maduro só ri e acena pra sua milícia bolivariana
Cercado com aquela turma de sindicalista
Uma mistura de apedrejador da era cristã com maníaco do parque
Tentou enfiar cloroquina e até ozônio no seu butão
Pra criança tirou o livro e colocou uma arma na mão
Safado que não trabalha e protege seus filhos
Filhos com mansões compradas a dinheiro vivo
A caterva com seus funcionários fantasmas é formada gente da pior raça
BANDIDO: Miliciano, assassino, traficante de fuzil, político corruto e pastor ladrão
Tudo de mais pobre que o pior esgoto pode vomitar
Um "capitão" que passou mais tempo na política do que no serviço militar
Nunca lutou uma guerra ou serviu nas missões de paz
Só mamou nas tetas do estado com seus filhos, esposas, ex-esposas e sua turma suja
Ah claro, e comeu de tudo.
De pão com manteiga a ''gente'' regada pelo auxílio moradia
Maduro ditador mentiroso.
Agora censura o maior canal de TV (PRIVADO!) por causa dos crimes de seu filho!
E a milícia bolivariana só ri e acena pro Maduro.
Eles não tem vergonha
Ostentam pentelhos milicianos em forma de barba
Compensam seus micro-pênis/cérebro com arrogância, truculência, ignorância e mentira

Esse país virou uma piada
Carlos Mark 06 de setembro, 2020 | 21:19
É guerra civil já!
Cleber 06 de setembro, 2020 | 18:26
Então , " Exportação "é melhor pro país e o povo que se lasque ! ? Acontece sempre com o trigo, e as tvs ficam enaltecendo as exportações, e dão uma pequena nota sobre a nossa fome. Parabéns às nossas emissoras de tvs por exaltarem essa discrepância monstruosa. Os grandes países, com certeza se cercam, para primeiro o povo e depois os outros. Aqui deveria ser diferente ? ? ? NÃO !!!!!!!
Cidadão 06 de setembro, 2020 | 17:40
Se arroz tá caro, come outro carboidrato. Mandioca continua no mesmo preço, batata também. Sempre houve variação nos preços. Em tempos da maior crise mundial dos últimos 80 anos, estamos até bem por aqui. Quem vai afundar serão países de esquerda, como já anda acontecendo na Argentina. Vão querer tampar os rombos aumentando impostos e tomando propriedade alheia e verão suas economias se desfazendo.
Anti 17 06 de setembro, 2020 | 15:46
Faz arminha que passa!!!
Zoio de Zoiar 06 de setembro, 2020 | 13:18
Rumo a recessão e estagnação, o caminho para recuperar é no voto. Maia e outros sanguessugas devem ser depostos do cargo. Senão o caminho do Brasil vai ser tipo o da Argentina ou Venezuela.

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