03 de setembro, de 2020 | 10:00

Redução de cota de exportação de aço para Estados Unidos pode ser atitude eleitoreira, diz analista

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Embarque de placas em porto no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro Embarque de placas em porto no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro
(Tiago Araújo - Repórter do Diário do Aço)
Após o anúncio do governo dos Estados Unidos de que vai reduzir a cota para as exportações do aço semi-acabado do Brasil, surgiram preocupações e dúvidas em torno desse tema. Em entrevista ao Diário do Aço, o analista político e economista, Carlo Barbieri, avaliou a determinação anunciada pelo presidente estadunidense, que justificou a medida devido a mudanças significativas no mercado de aço dos Estados Unidos, que se contraiu em 2020.

Conforme Carlo Barbieri, que é presidente do Grupo Oxford, empresa brasileira de consultoria empresarial nos EUA, o anúncio da redução de cota para as exportações de aço do Brasil representa um sinal de alerta para a indústria brasileira. “Precisamos entender que estamos em um ano eleitoral nos Estados Unidos, em que há várias possibilidades de ações por parte do executivo americano, no sentido de darem sustentabilidade a campanha de reeleição de Donald Trump. Portanto, devemos esperar o desenrolar dessa notícia. Temos diversos acordos comerciais, entre o Brasil e EUA, que poderão ser temporariamente revistos, em função do aspecto eleitoral, no sentido de favorecer a reeleição de Donald Trump”, afirmou Carlo Barbieri.

Na entrevista, o economista, que mora nos Estados Unidos, também lembrou de um episódio parecido em relação a essa medida comunicada agora por Trump, que foi o anúncio da criação de impostos dos EUA para a importação de aço e alumínio ao Brasil, feito em março de 2018. “Nessa época, ele ameaçou e falou que iria aumentar as tarifas do aço e alumínio brasileiros, aí todo mundo se mexeu. Com isso, ele negociou alguns interesses americanos e no fim não aconteceu a sobretaxação. Agora é esse anúncio da diminuição da cota de exportação de aço brasileiro”, alertou.

“Atitude eleitoreira”

Na avaliação de Carlo Barbieri, a diminuição da cota de exportação de aço brasileiro vai depender muito das discussões do governo brasileiro com o governo dos Estados Unidos. “Não há país que o governo americano queira mais prestigiar do que o Brasil, em termos de fornecedores de aço. Portanto, vai depender muito da habilidade de negociação do governo brasileiro e da facilidade que o Donald Trump tenha de penalizar outros países com a redução de importação de aço, os quais ele tenha menos interesses. No entanto, é um ano de eleição, ou seja, acredito que esse anúncio seja uma atitude eleitoreira, tanto que não saiu o detalhamento sobre a diminuição da cota de exportação do aço. É muito mais uma cena para o eleitorado dele e para os produtores de aço dos EUA”, ressaltou.

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Carlo Barbieri acredita que a diminuição da cota de exportação de aço brasileiro vai depender das discussões por parte do governo federalCarlo Barbieri acredita que a diminuição da cota de exportação de aço brasileiro vai depender das discussões por parte do governo federal
Retomada

O analista também salientou que a indústria siderúrgica estadunidense está se reerguendo após os impactos causados pela pandemia da covid-19, que paralisou diversas atividades comerciais no mundo. “A produção industrial americana aumentou já significativamente, e provavelmente essa medida relacionada à diminuição de cota não será efetivada. Mas para isso, vai depender também do cenário político, que irá influenciar se tal declaração pública irá se concretizar em função do processo eleitoral”, pontuou.

Instituto Aço Brasil

Em dezembro do ano passado, Trump já havia anunciado a intenção de reduzir as quotas de exportação do aço brasileiro, mas recuou após negociações com o governo brasileiro. Naquela época, o Instituto Aço Brasil, entidade representativa dos produtores de aço no país, afirmou que recebeu a decisão com perplexidade. Em posicionamento publicado no seu site, o instituto disse que a decisão era uma retaliação ao Brasil, e que a medida acabaria "por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas".
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Comentários

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Alex

03 de setembro, 2020 | 12:39

“Ótima notícia, quem sabe agora o aço começa a reduzir o valor, que está aumentando sem parar, a ponto das construtoras pararem seus lançamento de novos empreendimentos.”

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