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26 de agosto, de 2020 | 10:00

''Tive muito medo de morrer'', afirma sobrevivente da covid-19

Ruisley da Silva Chaves relata experiência com o coronavírus e a felicidade de estar vivo

Álbum pessoal
O ipatinguense Ruisley da Silva Chaves tem 55 anos e escapou da doençaO ipatinguense Ruisley da Silva Chaves tem 55 anos e escapou da doença

Os números envolvendo a covid-19 assustam a todos que conseguem mensurar a gravidade da doença. Os boletins epidemiológicos trazem, diariamente, a quantidade de mortos e de pessoas que tiveram a oportunidade de sobreviver, após tratamento e recuperação. Recentemente, o ipatinguense Ruisley da Silva Chaves, de 55 anos, esteve frente a frente com o coronavírus. Após 27 dias de internação e 15 quilos mais magro, ele afirma estar feliz e grato, e alerta: “quando se fala nos riscos e na gravidade da covid, não há ficção”.

Ruisley trabalhou no jornal Diário do Aço durante cinco anos, quando a sede ficava localizada na rua Ponte Nova (no Centro) e depois na rua Laguna (Veneza), como jornalista habilitado em diagramação. “Mas atualmente sou cozinheiro apaixonado, tenho me dedicado à culinária. Ainda estou em casa em recuperação. O processo é lento e exige muita paciência”, pontua.

Ruisley foi diagnosticado em 22 de julho, quando foi internado e já estava no 11º dia da contaminação. No período entre a contaminação e o diagnóstico estava em casa, sem trabalhar e sem contato com outras pessoas, tossindo muito, durante o dia e a noite. “Como acontece em todos os anos, eu acreditava que se tratava de mais uma crise respiratória. Cheguei à Unidade Pronto Atendimento (UPA) do Canaã, com muita falta de ar, dor de cabeça e tosse, fizeram uma radiografia do meu tórax e logo depois fui transferido para o Hospital Municipal. Fiquei dois dias na enfermaria covid, respirando com auxílio de máscara de oxigênio”, recorda.

Na madrugada do terceiro dia, Ruisley piorou significativamente e seu quadro foi agravado. Os médicos constataram que ele estava com mais de 75% do pulmão comprometido e decidiram transferi-lo para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde foi entubado, ficando em coma induzido por oito dias. “Mantive minha vida com a ajuda do respirador. No dia 31 de julho meu organismo apresentava uma recuperação surpreendente e fui retirado do coma induzido, até que no dia 1º de agosto acordei para essa minha segunda vida. Foram 27 dias internado no Hospital Municipal e uma perda de 15 quilos. Tive muito medo de morrer. Quando cheguei ao hospital e colocaram máscara em mim, sentia uma dificuldade enorme para respirar. Naquele momento eu pensei: ‘acho que chegou minha hora de partir’. Foi um susto enorme para mim, para a família e para os muitos amigos”, conta.

Quarentena

Sobre o período de quarentena, Ruisley conta que passou boa parte do tempo deitado, em recuperação. Ele está em casa desde o dia 18 de agosto, quando recebeu alta, em repouso e fazendo uso decrescente de corticoide, medicação utilizada em seu tratamento. “Esse período é um aprendizado enorme. Você precisa reaprender a controlar sua respiração, meu pulmão ficará com uma pequena sequela. Tenho consulta nesta quarta-feira (26) com o pneumologista. Ele vai definir se precisarei ou não de tratamento. Mas coisas que fazia antes, como correr ou carregar peso, agora não consigo mais. Fico cansado rapidamente. É uma nova fase de vida, tudo agora deve ser feito com calma, sem correria, sem estresse. O lado bom é que com isso vou ganhar muito em qualidade de vida”, vislumbra.

Questionado se outras pessoas de sua família foram contaminadas, Ruisley explica que seu irmão, que mora em Governador Valadares, e uma cunhada, de Ipatinga, também tiveram covid, mas menos agressiva que a dele. Sua esposa e filho não foram infectados. Quem recebeu o diagnóstico foi seu filho, Guilherme, que estava com Ruisley naquele momento.

“Eu estava muito debilitado, fraco, tossindo e não conseguia nem conversar. Hoje eu não consigo lembrar de nada entre a chegada ao hospital e o dia que saí da UTI. Acho que meu cérebro me fez o favor de apagar esse período de 11 dias. Realmente eu não lembro de nada. Antes da covid eu era hipertenso, sedentário e tenho um problema respiratório que provoca crises de tosses todos os anos. Esses problemas, aliados à idade, facilitaram muito minha contaminação, apesar de todos os cuidados que tomei anteriormente, como uso de máscara e higienização constante das mãos”, pondera.

Mudança na forma de enxergar o mundo

Após a alta médica e a vitória sobre a covid, Ruisley da Silva Chaves é categórico ao dizer que sua forma de enxergar o mundo e a vida mudaram e muito. “É uma experiência dolorosa demais. A falta de ar, a tosse, as dores, o medo de morrer. Durante os dias em que estive lúcido, após deixar a UTI, refleti muito sobre minha forma de viver e de me relacionar com as pessoas, seja no aspecto pessoal ou profissional. Aprendi a ser mais calmo e paciente. Em momento algum nesse período pós-UTI tive pressa em sair do hospital. Sentia muita saudade de casa, da esposa, dos filhos, dos netos, dos amigos. Mas tive consciência e paciência para entender que agora é tudo novo. Uma nova vida para ser vivida sem o estresse constante da vida anterior”, salienta.

Ele celebra a descoberta de “que os anjos existem”. Durante todos os 27 dias em que esteve internado, sentiu que os médicos, plantonistas, enfermeiros, técnicos e demais profissionais que lá trabalham atuaram como anjos, cuidando e garantindo todas as condições clínicas possíveis para preservar sua vida. “Nunca imaginei ser tão bem tratado, com tanto carinho, atenção e dedicação em um hospital público. Tenho agora uma gratidão eterna por todos eles. Temos que valorizar o trabalho desses anjos, que em muitas vezes colocam a própria vida em risco para salvar a nossa”, observa.

Mensagem

Sobre a covid-19 e a mensagem que deixa aos leitores, Ruisley afirma que a vida é o bem mais precioso, a maior e verdadeira riqueza. “E a covid não é uma gripe qualquer, muito menos uma ficção. É uma doença nova, é real e em muitos casos pode ser gravíssima e fatal. Não brinquem, tenham cuidado, evitem aglomerações, usem máscaras e mantenham as mãos sempre higienizadas. Só passando pelo que eu passei a gente aprende a dar valor às coisas mais simples do nosso dia a dia, como respirar”, ensina.
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Comentários

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Rogério

26 de agosto, 2020 | 23:41

“O conheço há muito tempo. É com muita alegria que recebemos a notícia de sua recuperação.”

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