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23 de agosto, de 2020 | 10:00

Artista de teatro relata dificuldades da classe em meio à pandemia

Arquivo pessoal
Pedro Barroso acredita que os artistas precisam ser mais valorizados pela sociedade Pedro Barroso acredita que os artistas precisam ser mais valorizados pela sociedade
(Tiago Araújo - Repórter do Diário do Aço)
Com as cortinas fechadas e os assentos vazios, os teatros ainda não têm uma previsão para voltarem a receber público no Estado de Minas Gerais. Devido a pandemia de covid-19, foi preciso suspender as peças teatrais, com o intuito de evitar a propagação do novo coronavírus, já que a atração de pessoas também significa aglomeração e, com ela, risco de disseminação da covid-19. Com isso, muitos artistas ficaram prejudicados, sem ter um meio de sustento, à espera de novas oportunidades de trabalho.

Em entrevista ao Diário do Aço, o artista de teatro Pedro Barroso, de 26 anos, relatou as dificuldades enfrentadas nesta pandemia, já que muitas atrações teatrais não estão sendo realizadas. “Nós, artistas, estamos sofrendo muito com tudo isso. A arte da cena teatral ocorre através do contato ao vivo com o público. Dessa forma, fica difícil para que nosso trabalho possa continuar sendo realizado. No entanto, muitos de nós estamos nos reinventando, porque não sabemos quando sairemos dessa. Os artistas foram os primeiros a parar suas atividades e serão os últimos a voltarem, porque sempre quando se fala em arte, se fala de aglomeração”, informou.

Recursos financeiros

Além da ausência do contato com o público, os artistas enfrentam outra dificuldade, que é a falta de recursos financeiros. “A maioria vive de bilheteria e os que não vivem disso dependem de projetos culturais, mas muitos projetos não estão se desenvolvendo por falta de investimentos, o que dificulta mais ainda a situação dos artistas”, afirmou Pedro.

Lei Aldir Blanc

Pedro Barroso também ressalta que apesar da existência da Lei federal 14.017/2020, conhecida como Lei Aldir Blanc, que tem como objetivo central estabelecer ajuda emergencial para artistas, coletivos e empresas que atuam no setor cultural, ter acesso a esse auxílio tem sido complicado. “Para conseguir o auxílio da Lei Aldir Blanc é preciso passar por diversas instâncias, ou seja, é uma série de burocracias para cair o dinheiro na conta. Além disso, dependendo da categoria do artista, para ele se inscrever, precisa ter um projeto como contrapartida. É uma ajuda que demora para acontecer. E se o artista quiser receber o Auxílio Emergencial do governo, não pode ter também o auxílio da Lei Aldir Blanc”, informou.

Falta de reconhecimento

Para Pedro Barroso, os problemas da classe artística demoraram para ser reconhecidos no atual cenário. “Mais uma vez, a classe demorou a ser vista. O que seria das pessoas sem os artistas, que fazem filme, música e shows? Os artistas não estão sendo vistos com a devida importância. Nós do teatro temos buscado lutar por isso, pois estamos sendo bastante impactados. O comércio está reabrindo, mas nada se fala dos teatros até o momento”, salientou.

Sem renda

Pedro Barroso também relata que sua situação não é tão lamentável porque tem outra fonte de renda, porém, muitos dos seus colegas artistas não têm a mesma sorte. “Além de trabalhar com teatro, sou professor de artes cênicas pela Prefeitura de Ipatinga, e as nossas aulas não pararam. Estou dando aula pela plataforma do Google Meets, ou seja, de forma virtual. Entretanto, tenho amigos que trabalham em circos ou vivem só de teatro, e estão passando por dificuldades financeiras. Muitas companhias de circo já faliram ou tiveram que abandonar os espaços que ocupavam há mais de 20 anos, porque não tem condições de mantê-los. É algo muito triste”, relatou.

Pós-pandemia

Mesmo após o período de pandemia, o artista acredita que ainda haverá dificuldades a serem enfrentadas pela classe. “Quando voltar as atividades teatrais, provavelmente vamos ter que seguir os protocolos, como quantidades de artistas e de público reduzidas, enquanto a vacina não chegar. Dessa forma, teremos menos bilheterias e menos vagas de trabalho para os artistas. Vale ressaltar também que como os teatros terão que receber 50% da capacidade de público, os artistas terão que trabalhar o dobro para ter o retorno financeiro que tinham antes da pandemia”, lembrou.

Falta de representatividade

Na avaliação de Pedro, um dos fatores que contribui para que os profissionais da arte estejam nessa situação, atualmente, é devido à falta de representatividade da classe. “Por causa disso, muitos artistas estão se reunindo, envolvendo mais com política pública, pois estão percebendo a importância de ter representatividade. Acredito que a sociedade precisa valorizar mais os artistas, que tiveram um papel fundamental nesta pandemia, com suas apresentações musicais, filmes, comédias e dentre outros entretenimentos. Por isso, esperamos que após essa pandemia, possamos ser vistos com outro olhar pela sociedade”, concluiu.
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