Pacientes recuperados de covid-19 podem apresentar sequelas

Corpo e mente não estão livres dos efeitos da doença, mesmo após vírus ter sido tratado

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Pessoas recuperadas de covid podem sofrer com outros males, principalmente os idosos e aqueles com comorbidades

Pessoas que tiveram covid-19 podem sofrer de outros males, passado o período de infecção pela doença. Os efeitos pós-coronavírus ainda são estudados mundo afora, mas a comunidade científica já observa algumas das sequelas que poderão fazer parte da vida daqueles que superaram o vírus. A médica infectologista da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Andréa Maria de Assis Cabral, relata o que tem percebido ao longo dos últimos meses.

Ela explica que tem havido sequelas em pacientes que tiveram covid, mesmo na forma leve. “As principais são fadiga, cansaço, uma média de 53% deles, mesmo com infecção pós-covid, podem apresentar dispneia ou falta de ar. Podem apresentar dor articular e quase 30% deles, mesmo depois da covid, sentem dor no peito”, pontua. Questionada se é possível que ainda sejam descobertos outros males pós-recuperação da doença, a infectologista pondera que não tem sido incomum encontrar vários acometimentos, até mesmo neurológicos, depois que o paciente tem a covid.

“Sabemos que tem ocorrido quadros de arritmia, infarto, síndromes neurológicas. A própria criança pode apresentar um quadro que se chama Kawasaki, há também infecções secundárias que podem acontecer duas semanas depois da doença ou até seis semanas, no caso de doença grave. Sabemos também que a recuperação desse paciente vai depender da idade e das comorbidades, das doenças pré-existentes. Os mais idosos e com algum tipo de doença vão demorar um pouco mais a se restabelecer”, avalia.

Pulmões

A reportagem do Diário do Aço perguntou à médica se, no caso de pacientes com sequelas pulmonares, haveria um risco maior numa possível reinfecção por covid. A especialista observa que as complicações pulmonares mais vistas têm sido falta de ar, mas que seria muito incomum que uma infeção pelo mesmo coronavírus possa acontecer. “É uma doença nova, estamos descobrindo todo o potencial dela, mas a sociedade científica acredita que é muito incomum que possa se infectar pelo mesmo coronavírus. Mas outras complicações pulmonares podem acontecer sim, como a trombose no pulmão e até uma infecção sobreposta por fungo ou bactéria”, adianta.

Males

De acordo com estudos, alguns sintomas podem persistir não apenas entre aqueles que tiveram casos mais graves da doença e que, além de danos nos pulmões, o Sars-CoV-2 pode afetar o coração, os rins, o intestino, o sistema vascular e até o cérebro. Um artigo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) verificou que, entre 143 pacientes avaliados na Itália, apenas 12,6% haviam sido internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas 87,4% relatavam persistência de pelo menos um sintoma, entre eles fadiga e falta de ar, mais de dois meses depois de terem alta.

Segundo Andréa, o que mais preocupa os médicos em situações pós-covid, depois que o paciente sai é a recuperação física, mental e os quadros de trombose que podem ocorrer mesmo nos pacientes que tiveram a forma mais leve. “Trombose arterial, de membro, como perna, pé, no pulmão, coração. Todo lugar que tem vasculatura pode acontecer, mas a gente não pode deixar de lembrar das sequelas mentais, de estresse, físicas também. Porque essa pessoa ficou muito tempo acamada e isso diminui sua força. Temos de lembrar disso tudo. Às vezes ocorre um prejuízo cognitivo, porque o paciente ficou com alguma falha na oxigenação, mas o que mais preocupa hoje é a questão física, mental e a trombose”, conclui.
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