Arquivo pessoal
Alexandre Bastos Ribeiro contou que, após superar a covid-19, passou a valorizar mais a vida
Com 32 anos, o médico Alexandre Bastos Ribeiro, que atua na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ipatinga, faz parte da estatística de pacientes que foram internados por covid-19, mas conseguiram se recuperar. Em entrevista ao Diário do Aço, Alexandre Bastos, que é morador de Ipatinga, relatou como foi enfrentar a covid. Ele precisou ser internado e intubado, mas conseguiu vencer a doença e hoje está em casa se recuperando.
Conforme Alexandre, no dia 6 de junho surgiram em seu corpo os primeiros sintomas, como tontura e dor de cabeça, já no dia seguinte passou a sentir febre, dor no corpo e mal-estar, porém, nada de tosse ou falta de ar. “Nos primeiros dias fui me tratando em casa com meus medicamentos. No dia 10 de junho fui avaliado por um colega médico da UPA, que solicitou para mim um exame de covid e fui afastado com suspeita. Já no dia 12 de junho, recebi a informação que havia testado positivo para covid. Neste mesmo dia, eu comecei a sentir falta de ar”, informou.
PioraDevido à piora dos sintomas, Alexandre Bastos conta que precisou ser internado no dia 14 de junho, no Hospital Municipal de Ipatinga. “Eu fui para UTI Covid de imediato. Entrei no hospital com muita falta de ar, febre, taquicardíaco e baixa saturação de oxigênio. Foi feita a tomografia, que estava condizente com covid, e pelo seu resultado, o médico falou que eu precisaria ser intubado. No entanto, fiquei entre os dias 14 e 19 tentando recuperar sem ser intubado, por resistência minha. Durante esse período, fui muito bem tratado no Hospital Municipal, mas depois tive a oportunidade para ir para o Hospital Márcio Cunha”.
IntubaçãoAlexandre informou que no dia 20, quando foi transferido para o Hospital Márcio Cunha, seu quadro de saúde piorou de forma drástica. “A saturação caiu ainda mais e minha falta de ar piorou muito. Tive insuficiência respiratória. Dessa forma, não teve jeito, no dia 20 de junho fui intubado”, contou.
Conforme Alexandre, apesar de estar intubado, seu quadro de saúde continuou piorando, mesmo tomando antibióticos, e, além de ter covid, desenvolveu pneumonia. “Entre os dias 20 e 25, eu só piorei. Tanto que no dia 25, devido aos resultados dos meus exames, meus colegas de profissão já estavam com um discurso com meus familiares de que eu não teria uma melhora. Entretanto, na virada do dia 26 para 27, eu melhorei de forma muito rápida. E no dia 27, foi possível sair da intubação. Eu ainda fiquei um tempo no hospital tomando medicação e no dia 1º de julho tive alta”.
Sequelas O médico ipatinguense relatou que apesar de superar a covid, ele ficou com sequelas da doença, sendo que algumas são até novidade na medicina. “Eu desenvolvi um coágulo de sangue no pulmão direito, como consequência disso, sinto falta de ar mais fácil, por exemplo, se subir uma escada. Estou fazendo até tratamento com anticoagulante. Outra sequela é que estou com déficit de memória a curto prazo. Esqueço as coisas bem rápido. Isso evoluiu desde a saída da intubação e me mantenho com isso. A outra sequela que desenvolvi é que meus dois pés têm ficado dormentes, o que dificulta um pouco para andar ou para ficar em pé”, detalhou.
Mais jovem De todos os médicos que trabalham na UPA de Ipatinga, Alexandre salienta que ele é o mais novo, com 32 anos. “Muitos pensam que só velho pega a doença, mas ela também atinge os mais novos. Eu, por exemplo, não tenho comorbidade e fui o primeiro médico jovem a ter covid e o primeiro médico a ser intubado por essa doença em Ipatinga”, disse.
“Nova vida”Alexandre também relata que, após superar a covid, ele passou a valorizar mais a vida e a exaltar, ainda mais, a importância do trabalho dos profissionais da saúde. “Posso dizer que nasci de novo. Vejo a vida de outra forma. Além disso, quando estava como paciente no hospital, pude perceber, por outro ângulo, a importância do profissional de saúde. Quando estamos como pacientes, vemos o esforço do profissional de saúde para contribuir na nossa recuperação e para manter a nossa esperança. Eu fui paciente e senti isso na pele. Foi por esse esforço deles que eu mantive a esperança de recuperar e hoje estou em casa”, concluiu.