Explosão em Beirute: o que se sabe até agora?

Depósito irregular de Nitrato de amônio pode ter causado explosão, terrorismo está descartado

Wael Hamzeh


Premiê libanês promete punir responsáveis por explosão em Beirute

A forte explosão ocorrida terça-feira (4) em Beirute, no Líbano, deixou um rastro de mortos e destruição em um país que já sofria por uma crise econômica e a pandemia da covid-19.

A tragédia deixou 78 mortos (conforme balanço parcial da noite de terça-feira) e cerca de 4.000 feridos, mas a previsão é de que os números aumentem, pois muitas pessoas ainda estão sob os escombros.

Mais de 30 brigadas da Cruz Vermelha trabalham nos locais afetados e equipes de resgate atuam para encontrar feridos e retirar corpos.

Ontem, o primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, prometeu que os responsáveis pela explosão vão ser punidos. “Esta catástrofe não passará sem responsabilidade. É tarefa do governo trazer justiça. Esta é uma promessa aos mártires e aos feridos”, declarou o chefe de governo em breve pronunciamento em rede nacional de televisão.

Diab completou dizendo que os fatos relacionados ao armazém, que existe desde 2014 e foi classificado por ele como “perigoso”, serão tornados públicos assim que possível.

Como a carga explosiva foi parar em Beirute?

Os produtos químicos que provocaram a maior explosão em tempos de paz em Beirute chegaram à cidade há sete anos a bordo de um navio de carga de propriedade de um empresário russo que, segundo seu capitão, nunca deveria ter parado na capital libanesa.

Boris Prokoshev, era o capitão do navio Rhosus em 2013, quando, segundo ele, o proprietário da embarcação lhe disse para fazer uma parada não programada no Líbano para pegar carga extra.

O navio transportava 2.750 toneladas de produto químico altamente inflamável nitrato de amônio da Geórgia para Moçambique quando veio a ordem para desviar até Beirute no caminho pelo Mediterrâneo.

Foi solicitado à tripulação que embarcasse um equipamento rodoviário pesado e o levasse ao porto de Aqaba, na Jordânia, antes de retomar sua jornada para a África, onde o nitrato de amônio deveria ser entregue a um fabricante de explosivos.

Não houve sucesso em carregar com segurança a carga adicional e foi iniciado um impasse. Desenrolaria-se uma longa disputa legal sobre taxas portuárias. Tanto, o navio, quanto sua tripulação e a carga foram abandonados por onze meses. Quando a tripulação desembarcou a carga foi removida (por segurança) para o depósito e lá mantida até o dia da explosão. Com vazamentos e sem manutenção, o navio abandonado naufragou no local onde estava ancorado, conforme as autoridades sírias.

Substância já foi causa de tragédias

Segundo autoridades, a causa da explosão pode ter sido a detonação acidental de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, que estavam armazenadas há seis anos sem as medidas de segurança necessárias, em um depósito no porto da capital libanesa.

A substância, sem odor e cristalina, é frequentemente usada como fertilizante e na fabricação de bombas, e já foi causa de explosões industriais no passado: como de uma fábrica no Texas, em 2013, que deixou 15 pessoas mortas e foi considerada criminosa, e de uma outra em Toulouse, em 2001, que matou 31 pessoas e foi apontada como acidental.

Explosão gerou impacto de terremoto de 3,5 graus

O impacto da explosão, a mais destrutiva da história do Líbano, atingiu a força de um terremoto de 3,5 graus nas escala Richter, segundo o Centro de Pesquisa Alemão para Geociências. O barulho foi escutado a uma distância de até 200 quilômetros, chegando até o Chipre.

A explosão danificou janelas de prédios localizados a quilômetros de distância do local onde ela ocorreu, na zona portuária, onde residem muitos cristãos.

Terrorismo foi descartado

Informes iniciais desconsideraram se tratar de um atentado terrorista. Foi apontada a possibilidade de que uma fábrica de fogos de artifício tivesse explodido, o que foi posteriormente negado pelas autoridades.

Uma fonte anônima de Israel negou que o país tenha algo a ver com ocorrido, segundo relatou a agência AP. O Hezbollah afirmou para a mídia local que um suposto esconderijo de armas no porto não tinha sido atingido por um míssil.

Comitê investigativo é criado

O presidente do Líbano, Michel Aoun, convocou uma reunião de emergência nesta quarta-feira (5). A expectativa é de que seja declarado estado de emergência de duas semanas.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, anunciou que um comitê investigativo foi criado para determinar os responsáveis pela tragédia dentro de cinco dias. Segundo ele, as famílias das vítimas seriam indenizadas. "Os culpados vão pagar o preço", disse ele, segundo a agência Reuters.

Hospitais ficaram lotados

A conexão de Internet em Beirute está funcionando de maneira irregular e não há eletricidade em diversos distritos. O sinal de telefone também apresenta problemas.

Os hospitais da capital rapidamente ficaram lotados com feridos, que também passaram a ser levados para centros médicos nas redondezas de Beirute. Autoridades sanitárias fizeram pedidos para receber sangue e geradores de energia. (Com agências internacionais)

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