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03 de agosto, de 2020 | 15:30

Santo Antônio, um rio santo!

José Fernando Aparecido de Oliveira *

A história de Minas começou junto a seus rios. A maioria das cidades nasceram das suas nascentes e se tornaram realidade em suas margens. Com a cidade de Conceição do Mato Dentro não foi diferente. Nasceu junto ao rio Santo Antônio, no tricentenário distrito de Córregos, e se alastrou e prosperou em seus arredores, sendo como referência aos primeiros bandeirantes e tropeiros. Assim tudo nasceu e prosperou na Minas do Mato Dentro, já a espinha dorsal da Estrada Real, coberta pela pujante Mata Atlântica e irrigada por seus rios.

Figurando como um dos mais preservados rios de grande porte de Minas Gerais, o Santo Antônio é o maior berçário de peixes do rio Doce. Em sua porção alta é encontrado, inclusive, o endêmico espécime brasileiro pesquisado e catalogado como peixe andirá, único em todo o mundo.

O Santo Antônio, até desaguar no Doce, entre os municípios de Naque e Belo Oriente, percorre aproximadamente 280 quilômetros, banhando a vida de comunidades ribeirinhas que vivem em aproximadamente 30 municípios, recebendo águas de inúmeros outros pequenos córregos e riachos. Seus principais afluentes são: Pela margem esquerda os rios do Peixe e Guanhães, e pela direita o Tanque, Preto e Itambé. Todas essas veias hídricas permitiram e guiaram as incursões das primeiras bandeiras por essa região central, coração de Minas, encontrando lugares paradisíacos, como o maciço do Espinhaço, com as serras do Cipó, da Ferrugem e do Intendente, juntamente com a mais alta cachoeira de Minas, a cachoeira do Tabuleiro, inúmeros cânions e dezenas de lagos e lagoas no encontro com o rio Doce e seu Parque Estadual.

Vale lembrar que descendo o Santo Antônio, desbravadores que exploravam as suas margens em busca de ouro e pedras preciosas, enterraram nas areias de uma de suas praias as ferramentas utilizadas no garimpo. Sem querer plantaram ali um novo povoado, pois quando foram encontradas essas ferramentas, os primeiros moradores do lugar batizaram o local como Santana dos Ferros, hoje apenas a cidade de Ferros, sem a benção secular da igreja que não está mais lá.

Hoje o Santo Antônio sofre com o desmatamento predatório e a eliminação de suas matas ciliares, alguns de seus maiores problemas, além das erosões que resultam também no assoreamento dos pequenos cursos d’água que o abastecem. O garimpo ilegal e a extração de areia em alguns pontos são outras grandes ameaças.

É consenso mundial que se conhece um povo pela qualidade de seus rios. Preservar nossos rios é garantir abastecimento hídrico para nossas cidades, para as futuras gerações, alimento para nosso povo, renda para piscicultores e pequenos agricultores, é garantir saúde e qualidade de vida para um imenso contingente populacional que vive às suas margens. Preservar o rio Santo Antônio é preservar também parte da história de Minas Gerais, nossas raízes, a regeneração do rio Doce e a não extinção do peixe andirá.

É urgente mudar nossos conceitos e entender que todo rio é um organismo vivo, dinâmico, fonte permanente de vida e de alimentos. E só o que é saudável pode dar vida aos que estão à sua volta.

* Prefeito de Conceição do Mato Dentro
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