Pandemia ameaça transporte coletivo em Ipatinga

31/07/2020 às 09:00
Arquivo DA
Esvaziamento dos ônibus foi provocado pela pandemia da covid-19

Em comunicado enviado ao Diário do Aço, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais (Fetram) aponta dados referentes aos últimos quatro meses, quando o país passou a enfrentar uma crise de proporções jamais vistas, que afeta todas as camadas da sociedade. Segundo informado, desde o começo da pandemia do novo coronavírus (covid-19), o transporte coletivo sofreu um baque em sua arrecadação. O setor, que já acumulava perdas significativas desde 2013, agora corre o risco de não conseguir se manter.

No Vale do Aço, segundo a Fetram, os efeitos começaram a ser sentidos já na terceira semana de março, antes mesmo do começo oficial do isolamento social em Minas Gerais. Desde então, os ônibus têm transportado, em média, menos de 40% do total de passageiros que utilizavam o transporte coletivo antes da pandemia, com um número de viagens acima da demanda.

“Com a determinação de que os veículos não podem circular com passageiros em pé, os custos por passageiro transportado aumentaram, agravando ainda mais a queda da arrecadação. Apesar da adesão da empresa concessionária ao Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda do Governo Federal, a redução de custos não se equiparou à redução da arrecadação. Apenas no mês de junho, o prejuízo da empresa no Vale do Aço foi de mais de R$ 800 mil”, soma a federação.

Ainda segundo a nota, o cenário atual mostra que o sistema, que se manteve operacional apesar de todas as dificuldades, está à beira de um colapso. Com a manutenção das restrições atuais e sem fonte de custeio, o transporte coletivo de passageiros, serviço essencial em qualquer cidade, não sobreviverá.

Poder público afirma estar preocupado e busca solução

O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente de Ipatinga, Agnaldo Bicalho, informou que a administração municipal tem trabalhado para encontrar mecanismos, de forma a equacionar a situação. Segundo ele, o transporte coletivo transportava, no início do mês de março, algo em torno de 42 mil pessoas. “Na última semana antes do primeiro decreto da pandemia, foram 41.588 pessoas. Já na semana passada foram 15.468 passageiros. Saímos de um total de pagantes de 30.955 para 12.872, mais de 50% de queda e isso afetou bruscamente a capacidade de arrecadação. O prejuízo mensal que a empresa está tendo, entre o que arrecada e paga, é de mais de R$ 2 milhões”, informou.

Agnaldo acrescenta que o prejuízo só não é maior em razão da Medida Provisória publicada pelo Governo Federal, que ajuda a pagar 50% do salário dos funcionários. Dessa forma, o rombo cai para aproximadamente R$ 1 milhão. “Um prejuízo que está se acumulando e que vai afetar, inclusive, a próxima discussão de valor de tarifa. Qual o motivo de estarmos preocupados? Porque o transporte coletivo é um patrimônio de todos, não pertence à Saritur e nem à Prefeitura de Ipatinga, mas sim à classe trabalhadora, principalmente aqueles de menor poder aquisitivo, que não têm seu o próprio veículo e que dependem do ônibus para se deslocar”, enfatizou.

Análise

Semanalmente, representantes da Saritur e da administração municipal sentam para conversar, segundo informou o secretário. “Temos uma mesa de discussão e temos avaliado linhas e horários. Nosso compromisso é de não suprimir nenhuma linha, seja bairro/hospital, bairro/centro, enfim, mas horários não podemos garantir. Aqueles que não têm um volume satisfatório terão de ser adequados. E qual o motivo de ter caído o número de passageiros? Hoje temos apenas pessoas sentadas, outro ponto é que as pessoas estão com medo de andar de ônibus, assim como usar capacete de mototáxi. Acreditamos que por um longo período o munícipe vai distanciar do transporte coletivo, até que haja segurança de uma vacina ou de uma cura para o coronavírus”, conclui.
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