Minas Consciente terá três ondas de flexibilização do comércio

Municípios poderão seguir a indicação conforme orientação central, por macrorregião ou dados de sua região; prefeitos do Vale do Aço ainda avaliam impactos


Em pronunciamento ocorrido na tarde desta quarta-feira (29), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e sua equipem detalharam as mudanças no programa Minas Consciente. A principal alteração anunciada foi em relação às ondas de classificação epidemiológica, antes quatro e que agora serão três: vermelha, amarela/laranja e verde.

Zema destacou que, nesse momento, é possível saber aquilo que funcionou melhor, o que não funcionou e o que precisa de ajustes. A principal alteração, pontua, é na questão das ondas, antes eram quatro e agora serão apenas três. “As cores geravam certa confusão e agora vamos colocar exatamente igual está no semáforo: vermelha, amarela/laranja e verde. A vermelha será aplicada nos casos em que o município ou a região estão com mais dificuldades; a amarela/laranja é intermediária e o verde somente para os que estão com condição mais segura”, detalhou.

O outro ponto é que os municípios com menos de 30 mil habitantes terão tratamento diferenciado ou simplificado, e classificou o transporte coletivo como um dos principais focos de transmissão. “Tanto nos trens quanto nos metrôs e ônibus, porque ali há aglomeração grande de pessoas, que tocam no corrimão ou onde seguram e isso facilita a propagação. Em cidades pequenas sequer existe transporte coletivo num número considerável. Conheço cidades pequenas em que as pessoas vão até seu destino a pé, de bicicleta ou carro, porque é fácil, ninguém precisa deslocar grandes distâncias. Nessas cidades vamos considerar algo que faz com que a cidade tenha um tratamento diferente”, apontou.

O Minas Consciente, segundo Zema, foi concebido para que os municípios fizessem adesão por opção e não por imposição. “Na fase 2, depois de uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que impôs a todos os municípios esses protocolos, gostaria de dizer que terão certa autonomia em aderir a regra da macrorregião de saúde ou microrregião. Aquilo que o gestor municipal julgar mais adequado. Mas essa nova fase não quer dizer relaxamento”, alertou.

Hoje Minas Gerais tem 119.394 casos de covid-19 confirmados, 26.991 em acompanhamento, 89.795 recuperados e 2.608 óbitos, 57 confirmados nas últimas 24 horas.


Empresas

O secretário de Estado de Saúde, Carlos Amaral, ponderou que o foco foi no que são os protocolos e não em quem poderia abrir ou não, mas sim como a empresa deve se comportar, assim como o cidadão. “O que esperamos é que as pessoas sigam esses protocolos e que ocorra uma queda de transmissão e à medida que isso ocorrer, poderemos migrar dentro do programa para buscar o novo normal, de uma forma mais aquedada à sociedade”, disse.

Há alguns dias, o programa foi alvo de consulta pública, com mais de 600 participações. “O que deixa claro como as pessoas e entidades se interessaram. Entre essas participações tivemos aqui o Ministério Público e a Associação Mineira de Municípios (AMM) e outros. Sabemos que essa questão não é algo que envolve somente a saúde, mas toda a sociedade. Queremos preservar a vida, mas temos de trabalhar com dados”, salientou.

Plano

O secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, detalhou que o plano é o resultado de uma série de observações que foram feitas e as melhores práticas foram refletidas. Em relação aos municípios menores, com até 30 mil habitantes, terão a oportunidade de ir para a segunda onda, desde que sua taxa de incidência não esteja superior a 50 casos para cada 100 mil habitantes, nos últimos 14 dias.

“A onda vermelha é a mais restritiva, a amarela que engloba os seguimentos não essenciais, e a vermelha tem os seguimentos considerados de alto risco. Teremos um único protocolo em que todas as áreas de risco serão contempladas. Os bares e restaurantes poderão funcionar somente delivery, se o município estiver na onda vermelha e, passando para a amarela e verde, poderá haver consumo no local, respeitando todas as orientações do protocolo único. Essas mudanças passam a valer a partir de agosto. Teremos a publicação nesse período”, explicou.

Regiões

O secretário acrescenta que serão consideradas as microrregiões que foram planejadas especificamente para o plano, são 62 ao todo. “Passamos de 14 macro para 62 microrregiões, que atenderão especificamente ao plano.

Anteriormente tínhamos balizadores e agora teremos indicadores, que irão considerar: a taxa de incidência covid, a taxa de ocupação de leitos geral, taxa de ocupação covid-19, leitos por 100 mil habitantes, positividade atual do RT (transmissão), percentual do aumento de incidência e percentual do aumento da positividade dos exames. Com esses indicadores é que serão considerados pelo comitê que determinará o avanço das ondas, em cada uma das 62 microrregiões”, destacou.

Templos

O plano foi construindo para atividades econômicas, e, segundo o secretário, a constituição é clara em relação ao livre exercício de cultos religiosos: as igrejas e templos podem funcionar, observando protocolos de isolamento e o exercício do culto está preservado. “Uma novidade que vale a pena frisar, porque foram alvo de muitas perguntas, é o caso das academias, shows e eventos esportivos. Eles deixam de estar na onda roxa, que não era uma onda prevista, e passam a ser uma possibilidade daqueles locais que conseguirem avançar para a onda verde. As academias passam a figurar na onda verde, e isso traz um horizonte para os municípios. Hoje o plano está com 305 municípios e impacta mais de 7 milhões de mineiros”, contabiliza.

“Mentiras convenientes não resolvem as nossas vidas”



Por fim o governador Romeu Zema disse saber da ansiedade de quem trabalha para voltar às atividades e ter consciência de que milhares de empresas fecharam as portas, mas que aquilo que está ao seu alcance tem sido feito. “Mesmo com esse aparato, alguns empreendedores ainda têm dificuldades. A guerra não acabou, mas o pior está ficando para trás. Gostaria muito de nos próximos encontros dar boas notícias, mas tem hora que mentiras convenientes não resolvem as nossas vidas”, discursou.

Prefeito de Coronel Fabriciano e vice-presidente da AMM avalia mudança



Conforme o prefeito de Coronel Fabriciano e vice-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Marcos Vinícius Bizarro (PSDB), o plano Minas Consciente agora está diferenciado, de forma a unificar as políticas. “Agora com um protocolo só e terá uma política facilitadora para os municípios menores. Para Coronel Fabriciano o que muda é justamente uma coisa que saiu daqui, como sugestão. Entregamos ao governador na sexta-feira passada, sobre diferenciar os municípios em micro e não pegar toda uma macro. Somos da macro de Ipatinga, mas também da micro de Fabriciano e agora nossos dados não serão computados com a macro de Ipatinga. Mas temos de somar todos os indicadores e teremos de esperar, mas devemos estar classificados na onda laranja”, adiantou o prefeito em entrevista ao Diário do Aço no começo da noite.

O prefeito acrescentou que nada deverá mudar, em Coronel Fabriciano, no que diz respeito ao funcionamento do comércio hoje. “No caso das academias, por exemplo, vai depender do que o Judiciário entender. Eu penso que o que vale é a decisão federal. Bolsonaro liberou as academias como seguimento essencial e eu vejo essa decisão como a maior. De um modo geral, aí falo também como vice-presidente da AMM, vejo como positiva essa unificação do protocolo e também essa autonomia. Para Fabriciano é positivo, porque sai dos números da macro de Ipatinga e essas ampliações de leitos servirão para nós. Mas até agora ninguém conseguiu fazer os cálculos desse monte de taxas. Porem, como médico, entendo que depois de 15 de agosto, a tendência é diminuir os índices de contaminação mesmo”, avalia. Coronel Fabriciano aderiu ao Minas Consciente no dia 28 de julho.

Aulas presenciais ainda sem previsão



O governador Romeu Zema afirmou no pronunciamento ao vivo nessa quarta-feira que o assunto volta às aulas, presencialmente, ainda gera muito questionamento. Sobre isso, afirmou ser talvez sua maior preocupação, por saber que os alunos afastados da presença física, de colegas e professores, acabam não tendo um desempenho tão bom.

“Mas hoje, no Brasil, apenas no Amazonas é que está avaliando um retorno neste momento. Estamos avaliando continuamente e assim que os números indicarem que nossa situação permite, teremos a maior urgência em fazê-lo. Não quero que os alunos fiquem longe das aulas, as presenciais são muito importantes. Vamos continuar acompanhando”, assegurou.

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Comentários

Carla Gomes 30 de julho, 2020 | 06:54
Uma confusão desgraçada e mais uma vez jogou a bomba no colo dos prefeitos. Gente, essas ações precisam ser tomadas de cima para baixo, pois os prefeitos e vereadores estão muito suscetíveis a pressão de comerciantes e grupos que dominam economicamente uma região ou município. Tá tudo errado. Se não for por intervenção Divina estaremos fudidos por um bom tempo com essa pandemia. Falta ação, pulso firme dos níveis superiores de governo, o Federal nem conta, né? Só reclama que envia dinheiro, mas perdeu o comando há tempos. O do estado é praticamente inerte. Por outro lado tem o "povim" gravando vídeos nos bares e zombando do vírus ou daqueles que ainda são cautelosos e tomam cuidados com a doença. É pra cabá ou não é? Pode ser que eu esteja errada, mas é o que penso.

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