Minas Consciente terá três ondas de flexibilização do comércio

Municípios poderão seguir a indicação conforme orientação central, por macrorregião ou dados de sua região; prefeitos do Vale do Aço ainda avaliam impactos

29/07/2020 às 16:57

Em pronunciamento ocorrido na tarde desta quarta-feira (29), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e sua equipem detalharam as mudanças no programa Minas Consciente. A principal alteração anunciada foi em relação às ondas de classificação epidemiológica, antes quatro e que agora serão três: vermelha, amarela/laranja e verde.

Zema destacou que, nesse momento, é possível saber aquilo que funcionou melhor, o que não funcionou e o que precisa de ajustes. A principal alteração, pontua, é na questão das ondas, antes eram quatro e agora serão apenas três. “As cores geravam certa confusão e agora vamos colocar exatamente igual está no semáforo: vermelha, amarela/laranja e verde. A vermelha será aplicada nos casos em que o município ou a região estão com mais dificuldades; a amarela/laranja é intermediária e o verde somente para os que estão com condição mais segura”, detalhou.

O outro ponto é que os municípios com menos de 30 mil habitantes terão tratamento diferenciado ou simplificado, e classificou o transporte coletivo como um dos principais focos de transmissão. “Tanto nos trens quanto nos metrôs e ônibus, porque ali há aglomeração grande de pessoas, que tocam no corrimão ou onde seguram e isso facilita a propagação. Em cidades pequenas sequer existe transporte coletivo num número considerável. Conheço cidades pequenas em que as pessoas vão até seu destino a pé, de bicicleta ou carro, porque é fácil, ninguém precisa deslocar grandes distâncias. Nessas cidades vamos considerar algo que faz com que a cidade tenha um tratamento diferente”, apontou.

O Minas Consciente, segundo Zema, foi concebido para que os municípios fizessem adesão por opção e não por imposição. “Na fase 2, depois de uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que impôs a todos os municípios esses protocolos, gostaria de dizer que terão certa autonomia em aderir a regra da macrorregião de saúde ou microrregião. Aquilo que o gestor municipal julgar mais adequado. Mas essa nova fase não quer dizer relaxamento”, alertou.

Hoje Minas Gerais tem 119.394 casos de covid-19 confirmados, 26.991 em acompanhamento, 89.795 recuperados e 2.608 óbitos, 57 confirmados nas últimas 24 horas.


Empresas

O secretário de Estado de Saúde, Carlos Amaral, ponderou que o foco foi no que são os protocolos e não em quem poderia abrir ou não, mas sim como a empresa deve se comportar, assim como o cidadão. “O que esperamos é que as pessoas sigam esses protocolos e que ocorra uma queda de transmissão e à medida que isso ocorrer, poderemos migrar dentro do programa para buscar o novo normal, de uma forma mais aquedada à sociedade”, disse.

Há alguns dias, o programa foi alvo de consulta pública, com mais de 600 participações. “O que deixa claro como as pessoas e entidades se interessaram. Entre essas participações tivemos aqui o Ministério Público e a Associação Mineira de Municípios (AMM) e outros. Sabemos que essa questão não é algo que envolve somente a saúde, mas toda a sociedade. Queremos preservar a vida, mas temos de trabalhar com dados”, salientou.

Plano

O secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, detalhou que o plano é o resultado de uma série de observações que foram feitas e as melhores práticas foram refletidas. Em relação aos municípios menores, com até 30 mil habitantes, terão a oportunidade de ir para a segunda onda, desde que sua taxa de incidência não esteja superior a 50 casos para cada 100 mil habitantes, nos últimos 14 dias.

“A onda vermelha é a mais restritiva, a amarela que engloba os seguimentos não essenciais, e a vermelha tem os seguimentos considerados de alto risco. Teremos um único protocolo em que todas as áreas de risco serão contempladas. Os bares e restaurantes poderão funcionar somente delivery, se o município estiver na onda vermelha e, passando para a amarela e verde, poderá haver consumo no local, respeitando todas as orientações do protocolo único. Essas mudanças passam a valer a partir de agosto. Teremos a publicação nesse período”, explicou.

Regiões

O secretário acrescenta que serão consideradas as microrregiões que foram planejadas especificamente para o plano, são 62 ao todo. “Passamos de 14 macro para 62 microrregiões, que atenderão especificamente ao plano.

Anteriormente tínhamos balizadores e agora teremos indicadores, que irão considerar: a taxa de incidência covid, a taxa de ocupação de leitos geral, taxa de ocupação covid-19, leitos por 100 mil habitantes, positividade atual do RT (transmissão), percentual do aumento de incidência e percentual do aumento da positividade dos exames. Com esses indicadores é que serão considerados pelo comitê que determinará o avanço das ondas, em cada uma das 62 microrregiões”, destacou.

Templos

O plano foi construindo para atividades econômicas, e, segundo o secretário, a constituição é clara em relação ao livre exercício de cultos religiosos: as igrejas e templos podem funcionar, observando protocolos de isolamento e o exercício do culto está preservado. “Uma novidade que vale a pena frisar, porque foram alvo de muitas perguntas, é o caso das academias, shows e eventos esportivos. Eles deixam de estar na onda roxa, que não era uma onda prevista, e passam a ser uma possibilidade daqueles locais que conseguirem avançar para a onda verde. As academias passam a figurar na onda verde, e isso traz um horizonte para os municípios. Hoje o plano está com 305 municípios e impacta mais de 7 milhões de mineiros”, contabiliza.

“Mentiras convenientes não resolvem as nossas vidas”



Por fim o governador Romeu Zema disse saber da ansiedade de quem trabalha para voltar às atividades e ter consciência de que milhares de empresas fecharam as portas, mas que aquilo que está ao seu alcance tem sido feito. “Mesmo com esse aparato, alguns empreendedores ainda têm dificuldades. A guerra não acabou, mas o pior está ficando para trás. Gostaria muito de nos próximos encontros dar boas notícias, mas tem hora que mentiras convenientes não resolvem as nossas vidas”, discursou.

Prefeito de Coronel Fabriciano e vice-presidente da AMM avalia mudança



Conforme o prefeito de Coronel Fabriciano e vice-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Marcos Vinícius Bizarro (PSDB), o plano Minas Consciente agora está diferenciado, de forma a unificar as políticas. “Agora com um protocolo só e terá uma política facilitadora para os municípios menores. Para Coronel Fabriciano o que muda é justamente uma coisa que saiu daqui, como sugestão. Entregamos ao governador na sexta-feira passada, sobre diferenciar os municípios em micro e não pegar toda uma macro. Somos da macro de Ipatinga, mas também da micro de Fabriciano e agora nossos dados não serão computados com a macro de Ipatinga. Mas temos de somar todos os indicadores e teremos de esperar, mas devemos estar classificados na onda laranja”, adiantou o prefeito em entrevista ao Diário do Aço no começo da noite.

O prefeito acrescentou que nada deverá mudar, em Coronel Fabriciano, no que diz respeito ao funcionamento do comércio hoje. “No caso das academias, por exemplo, vai depender do que o Judiciário entender. Eu penso que o que vale é a decisão federal. Bolsonaro liberou as academias como seguimento essencial e eu vejo essa decisão como a maior. De um modo geral, aí falo também como vice-presidente da AMM, vejo como positiva essa unificação do protocolo e também essa autonomia. Para Fabriciano é positivo, porque sai dos números da macro de Ipatinga e essas ampliações de leitos servirão para nós. Mas até agora ninguém conseguiu fazer os cálculos desse monte de taxas. Porem, como médico, entendo que depois de 15 de agosto, a tendência é diminuir os índices de contaminação mesmo”, avalia. Coronel Fabriciano aderiu ao Minas Consciente no dia 28 de julho.

Aulas presenciais ainda sem previsão



O governador Romeu Zema afirmou no pronunciamento ao vivo nessa quarta-feira que o assunto volta às aulas, presencialmente, ainda gera muito questionamento. Sobre isso, afirmou ser talvez sua maior preocupação, por saber que os alunos afastados da presença física, de colegas e professores, acabam não tendo um desempenho tão bom.

“Mas hoje, no Brasil, apenas no Amazonas é que está avaliando um retorno neste momento. Estamos avaliando continuamente e assim que os números indicarem que nossa situação permite, teremos a maior urgência em fazê-lo. Não quero que os alunos fiquem longe das aulas, as presenciais são muito importantes. Vamos continuar acompanhando”, assegurou.

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