Quase normal

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
A volta do futebol foi “quase” normal, com vitórias fáceis por goleadas do Cruzeiro sobre a URT (3 x 0), no Mineirão; da Caldense em cima do rebaixado Tupinambás (4 x 0), em Poços de Caldas, além do agora líder Tombense, que derrotou o Coimbra por 2 x 1.

A esperada vitória do Atlético no clássico contra o América quase se transformou numa enorme zebra, pois quem dominou a maior parte da partida foi o Coelho, só não saindo vencedor devido à grande atuação do goleiro Rafael, autor de pelo menos duas defesas quase milagrosas, que acabaram livrando o Galo da derrota.

O time dirigido por Jorge Sampaoli, ansiosamente aguardado pela massa atleticana, eufórica após as contratações e os investimentos milionários feitos durante a paralisação causada pela pandemia, frustrou as expectativas com uma atuação conjunta considerada pífia, sobretudo no 2º tempo.

Na coletiva pós-jogo, o marrento e exigente treinador argentino foi obrigado a reconhecer os erros da equipe, inclusive os que ele cometeu nas substituições, que em campo não deram os resultados desejados.
Mais estranho ainda foi ver o time atleticano se arrastar em campo durante quase todo o segundo tempo, embora tenha tido mais de quatro meses de preparação antes disso.

Ritmo de treino
O torcedor do Cruzeiro estava com saudades de ver o time em ação, não se importando com os dois desfalques importantes de última hora, o zagueiro Léo, por suspeita da Covid-19, e o artilheiro Marcelo Moreno, acometido por uma indisposição gástrica.

Do outro lado, a URT de Patos de Minas, um adversário na medida certa, sem nenhuma aspiração no campeonato, também sem sofrer com ameaça de rebaixamento, era um verdadeiro “cata”, na linguagem da boleirada amadora.

Pelo menos o time celeste não repetiu as últimas lambanças de quando era dirigido por Adilson Batista, sendo possível constatar alguma organização tática, algo que tende a evoluir com a chegada de reforços e a volta de titulares considerados importantes.

FIM DE PAPO
• Depois de 10 anos, um time do interior, o Tombense, da cidade de Tombos, na Zona da Mata mineira (quase na divisa com os estados do Rio de Janeiro e o Espírito Santo), com pouco mais de oito mil habitantes, está perto de conseguir a proeza de decidir o título estadual. A equipe é comandada pelo técnico Eugênio Souza, um velho conhecido do torcedor do Vale do Aço, com passagens pelo Ipatinga e Social de Coronel Fabriciano. O clube lidera a disputa estadual na frente dos “grandes” da capital com uma campanha surpreendente: 76,6% de aproveitamento, 10 jogos, 23 pontos ganhos, faltando uma rodada para o término da fase de classificação.

• A última equipe do interior que ameaçou a hegemonia dos times da capital no Campeonato Mineiro foi o Ipatinga, campeão em 2005 e vice-campeão em 2006 e 2010. O Tombense tem como destaque a organização não só dentro, mas, principalmente, fora de campo. O presidente Lane Gaviole, faz uma administração austera, sem gastar mais do que tem no orçamento, alicerçado em uma parceria sólida de vários anos com o empresário Eduardo Uram, um dos mais importantes do futebol nacional.

• Os quatro classificados à semifinal e o segundo rebaixado serão definidos amanhã, com todas as partidas sendo disputadas no mesmo horário, às 21h30. O tropeço do Atlético no clássico o obriga a vencer a Patrocinense, por qualquer placar, no Mineirão, a fim de se garantir na semifinal. Já o Cruzeiro tem uma situação mais complicada e só avança se houver pelo menos um empate do maior rival no Mineirão, além de ter que vencer a Caldense por qualquer placar, em Poços de Caldas. Caso o Galo ganhe do time de Patrocínio, o Cruzeiro vai precisar de uma vitória por no mínimo três gols de vantagem sobre a Caldense.

• Um episódio ocorrido horas antes do clássico no Independência demonstra bem o grau de dificuldades que o futebol enfrenta, nessa volta em meio à pandemia do novo coronavírus. O América foi informado que um membro da sua equipe médica estava positivado para Covid-19, mas por um erro ou descuido da diretoria, não havia no seu quadro um outro profissional testado para fazer a substituição, além do protocolo só permitir 40 pessoas do clube a cada jogo. A solução foi recorrer à solidariedade do Coimbra, que jogaria à noite no mesmo estádio contra o Tombense. O clube de Tombos prontamente atendeu à solicitação alviverde e emprestou seu médico, que deu toda assistência aos atletas e demais integrantes do Coelho durante a partida. (Fecha o pano!)
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