20 de julho, de 2020 | 15:22

Vacina contra covid deve demorar a contemplar toda a população, afirma secretário

Carlos Eduardo Amaral ponderou que caminho é longo até atender a todos no mundo

Reprodução Rede Minas
Secretário concedeu entrevista virtual, já tradicional no período de isolamentoSecretário concedeu entrevista virtual, já tradicional no período de isolamento

O secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral e o secretário Adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, concederam entrevista virtual à imprensa na tarde desta segunda-feira (20). Amaral falou do quadro da covid-19 em Minas Gerais e comentou sobre a vacina contra a doença que, segundo ele, ainda deve demorar a contemplar toda a população.

No já tradicional boletim diário, Amaral informou que Minas tem 94.132 casos confirmados, 25.271 em acompanhamento, 66.369 recuperados e 2.004 óbitos confirmados (22 deles somente entre domingo e segunda-feira). Perguntado sobre sua expectativa em relação à vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech, que começou a ser testada no Brasil neste dia 20, o secretário de Saúde fez algumas observações.

Amaral destacou que há uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) participando dessa pesquisa e que existem várias vacinas sendo desenvolvidas mundo afora, em estágios diferentes, algumas em fase 3, mais avançada e outras começando. “O fato é que devemos sim ter vacinas para combate à covid, mas é importante entendermos que todas elas, depois de estarem validadas, passarem pelo processo científico para que se tenha certeza de que farão sua função e que não apresentarão tanto risco às pessoas, precisam entrar em produção. De uma forma geral, independentemente da vacina, confirmando a eficácia, ainda vai demorar um pouco para que se tenha produção numa escala tal que todo mundo possa receber. Essa que está sendo testada em Minas é uma das mais promissoras”, aponta.

No Brasil, a vacina deve ser testada em cerca de 9 mil voluntários de 12 centros de pesquisa espalhados por São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal. Eles serão acompanhados pelo período de até um ano, para avaliação dos efeitos da vacina.

Vale do Aço

Sobre o cenário da covid no Vale do Aço, o secretário adjunto de Saúde, Marcelo Cabral, esclareceu que são 9.120 casos confirmados e 173 óbitos. “A ocupação dos leitos é de 83% do total, no caso de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 43% de leitos UTI covid e em relação a leitos de enfermaria, 77%. Ainda seguimos com os esforços para distribuição de equipamentos e habilitação de leitos, o que eventualmente deve comtemplar a região”, vislumbrou.

Pico

Sobre o pico da doença, previsto para várias datas diferentes e hoje sem essa certeza, o secretário de Saúde respondeu a um questionamento sobre a argumentação de que o Estado não passa por um pico, mas por um platô. Amaral frisou que houve uma busca ao longo de todo esse tempo no combate à epidemia, de buscar uma redução da taxa de transmissão, para que não houvesse uma explosão do número de casos e óbitos por desassistência.

Ou seja, um número tão grande de pessoas doentes num espaço de tempo curto, de forma que a capacidade assistencial do Estado não conseguisse atendê-las. Conforme explicou, há uma semana tem ocorrido uma flutuação do número de ocupação de leitos, que não mostra mais uma tendência grande de ocupação e sim de estabilidade. “Quando nós analisamos a data dos óbitos, que é diferente da data da confirmação de óbitos que passamos aqui, nós também estamos avaliando uma tendência à estabilização e isso significa que realmente há uma tendência a nós não termos aquele pico que seria o ‘pico de risco’, de termos desassistência de pessoas que não teriam como serem cuidadas”, salientou.

Por outro lado, acrescenta, ainda é grande o número de pessoas que são necessárias para que haja a parada da transmissão dentro da sociedade. “Somente quando tivermos um número significativo de pessoas que pegaram a doença é que teremos a chamada imunidade de manada. Aí sim a transmissão entre as pessoas começará a reduzir significativamente. Nesse contexto, é importante não termos tido um pico grande e que levasse a uma desassistência severa no Estado, mas precisaremos acompanhar com o mesmo cuidado que tivemos até agora, até que tenhamos noção clara de que começamos a ter redução do número de casos no estado”, reiterou.

Vacina da Oxford pode ser liberada em junho de 2021

Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciaram nesta segunda-feira (20) que, de acordo com resultados preliminares, a vacina da universidade para a covid-19 é segura e induziu resposta imune no corpo dos voluntários. Os resultados se referem às duas primeiras fases de testes da imunização. A terceira fase está ocorrendo no Brasil, entre outros países. A vacina da Oxford é uma das mais adiantadas do mundo.

O efeito deve ser reforçado após uma segunda dose da vacina, segundo os cientistas. Soraia Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), já tinha afirmado que o imunizante, se tudo der certo, poderá ter o registro liberado em junho de 2021.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário