20 de julho, de 2020 | 13:37
Vacina de Oxford que também é testada no Brasil oferece resposta imune, dizem cientistas
Caso tudo ocorra dentro do cronograma é provável que a vacina saia em junho de 2021, prevê reitora brasileira
Os resultados da fase 1/2 da etapa clínica (teste em humanos) do estudo da vacina contra coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, foram publicados, nesta segunda-feira (20), no periódico The Lancet.Conforme a instituição, a dose não apresentou problemas de segurança e induziu uma forte resposta imune nos voluntários.
A vacina provocou uma resposta de células T em 14 dias após a imunização, ou seja, dos glóbulos brancos capazes de atacar as células infectadas pelo sars-cov-2. Em 28 dias, a vacina induziu a uma resposta de anticorpos com capacidade para neutralizar o vírus.
Os participantes que receberam a dose tiveram anticorpos neutralizantes detectados, sugerindo uma boa proteção. Após uma dose de reforço, 100% dos voluntários tiveram atividade neutralizadora detectada. O próximo passo no estudo da vacina é confirmar que ela pode efetivamente proteger contra a infecção por sars-cov-2.
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está entre as instituições que participam dos testes. Soraia Smaili, reitora da universidade paulista, afirmou que o ritmo de aplicação dos testes e mecanismos para acelerar a análise de resultados reforçam a confiança de uma vacina contra o coronavírus em pouco menos de um ano. Caso tudo ocorra dentro do cronograma é provável que a vacina saia em junho de 2021.
Ao todo, 50 mil pessoas participam dos testes em todo o mundo, 10% delas no Brasil: 2 mil em São Paulo, 2 mil na Bahia e outras mil no Rio de Janeiro.
O que foi testado até agora
Os dados dessa fase mostraram que a vacina não gerou reações inesperadas e teve perfil de segurança similar a doses anteriores desse tipo. Nós vimos uma resposta imune forte em 10 participantes que receberam duas doses da vacina, indicando que essa pode ser uma boa estratégia de vacinação disse, ao site da universidade, Andrew Pollard, chefe do estudo da vacina.
O desenvolvimento da vacina começou em janeiro e o ensaio clínico começou em abril. Durante a fase 1/2, foram testados mais de mil voluntários saudáveis entre 18 e 55 anos. Um subgrupo, de 10 pessoas, recebeu duas doses do imunizante.O projeto e os testes no Brasil. O projeto, em parceria com o laboratório Astrazeneca, é considerado um dos mais promissores entre as várias pesquisas em curso no planeta.
A Universidade de Oxford, que também tem o projeto financiado pelo governo do Reino Unido, estabeleceu uma associação com o laboratório farmacêutico para a fabricação e distribuição da vacina em desenvolvimento, para que possa estar disponível de maneira rápida e em larga escala em caso de sucesso.A vacina desenvolvida pelos pesquisadores de Oxford é baseada em um adenovírus modificado, que geralmente afeta os chimpanzés. De acordo com a universidade, "gera uma resposta imune forte com apenas uma dose e não é um vírus que se replica, portanto não pode causar uma infecção contínua no indivíduo vacinado".
Os testes da Universidade de Oxford estão direcionados atualmente a 4 mil voluntários no Reino Unido, aos quais serão adicionados outros 10 mil. Também começou a ser testada no Brasil, onde 5 mil participantes poderão ser beneficiados. Os cientistas esperam comprovar a eficácia da vacina no outono (hemisfério norte, primavera no Brasil).
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