Frente de esquerda não chega à candidatura unificada para disputa em Ipatinga

Sem consenso, partidos mantêm discurso sobre mudança, mas com parcerias diferentes

Wôlmer Ezequiel/Reprodução


Daniel Cristiano, Sávio Tarso e Maura Gerbi comentam cenário político atual

Em comunicado enviado ao Diário do Aço, assinado por PSOL e PCB, os partidos informam que foram frustrados os esforços pela construção de uma candidatura unificada à Prefeitura de Ipatinga, em nome de uma frente democrática. Além das duas legendas, chegaram a compor tal planejamento PDT, PT e PSB, além de diálogos com Rede e PCdoB.

Nessa terça-feira (7) a reportagem conversou com alguns dos envolvidos nesse debate, que visava a um novo panorama para a política de Ipatinga. A presidente do PSOL em Ipatinga, Maura Gerbi, explica que, embora a discussão tenha avançado na questão programática sobre qual modelo de governo deveria ser implantado, algumas dessas agremiações insistiram em nomes próprios para pré-candidaturas a prefeito, e que não eram consensuais.

“À medida que não há um consenso sobre quais são os nomes que comporiam essa chapa majoritária e que representariam melhor esse projeto de governo, necessariamente acaba criando um problema para que você tenha a costura dessa unidade. De qualquer maneira, ainda que não tenhamos conseguido estabelecer essa frente no plano eleitoral, continuamos num trabalho de frente, com os mesmos partidos, no sentido de estabelecer a luta nos direitos de diversos segmentos oprimidos, como na luta pela liberdade de gênero, antirracistas e afins. Mas do ponto de vista eleitoral, o que de fato impediu que tivéssemos essa chapa majoritária única foi a insistência de alguns nomes que não tinham consenso”, esclarece Maura.

O presidente do PV em Ipatinga e pré-candidato a prefeito, Sávio Tarso, integrou o PDT anteriormente e pontua que, desde o início do processo de ajuntamento desses partidos, defendeu a criação de uma frente ampla e que tivesse como principal objetivo reunir todas as forças democráticas e aquelas que não estavam necessariamente ligadas ao grupo majoritário que governa a cidade e a tendência nacional que governa o país.

“Sempre defendi que fizéssemos, para a cidade de Ipatinga, uma frente que agregasse vários partidos, que fosse uma frente progressista e não apenas de esquerda. Isso porque acredito que a esquerda tem que fazer uma autocrítica desse momento, uma análise, para verificar seus próprios erros e tentar corrigi-los e as saídas para Ipatinga passam por uma grande coalizão, não só uma parte da cidade deve governar, mas todos os setores que ficaram marginalizados ao poder nesses últimos tempos. Verificamos que as eleições de Ipatinga, desde os anos 2000, foram guiadas por praticamente os mesmos grupos. Desde lá até aqui os ipatinguenses de verdade, de origem, as forças que compõem essa cidade, não foram chamados para participar. Continuamos com apoio do PDT, estamos conversando com PSB e Rede. Nosso objetivo sempre foi e será construir uma frente ampla, muito maior que somente de esquerda, mas uma frente progressista”, salienta.

PCB

Secretário Político do PCB de Ipatinga, Daniel Cristiano Souza remonta o cenário de 2018. Já na eleição extemporânea daquele ano, ele diz ter ficado claro para ele a nacionalização da disputa. Os interesses políticos da Eleição Geral, que na época se aproximava, fez não efetivar uma aliança. “Logo na sequência do resultado eleitoral da extemporânea, iniciei junto com o PCB a tentativa de uma construção da Frente de Esquerda em Ipatinga, com vários partidos e movimentos sociais. Como não foi possível aliança, acredito que agora em 2020, como na extemporânea de 2018, os interesses nacionais dos partidos envolvidos são e foram divergentes. Nesse sentido, penso que não concretizou uma aliança maior pois as eleições municipais podem refletir os acordos e estratégias em âmbito nacional, ou seja, a eleição municipal de 2020 pode sinalizar alianças para 2022”, vislumbra.

PCB e PSOL irão reeditar a frente de esquerda de 2018, nas eleições extemporâneas e lançar uma chapa majoritária. Daniel Cristiano adianta que estão marcadas reuniões entre os dois partidos e alguns nomes surgiram para conduzir a proposta alternativa para a cidade. “Essa semana conseguimos avançar em relação à decisão da construção da chapa majoritária e nos próximos dias apresentaremos os nomes das pré-candidaturas aos cargos de prefeito e vice para Ipatinga. Considerando que a convenção do PCB será agendada para 1º de setembro e neste ato debateremos ainda mais para a consolidação da Frente e da chapa majoritária”, conclui.
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Comentários

Pedro 09 de julho, 2020 | 19:46
Sávio Tarso pulou de galho de novo? Era PT,depois era PDT e agora PV? Tá difícil,né? Na última eleição quase fui enganado por ele. Tava pronto para votar nele achando que seria candidato do PT,depois fui descobrir que o número era o 12 e sai fora dele e votei no 13 e estou satisfeito com a atuação do meu eleito.
Zoio de Zoiar 09 de julho, 2020 | 14:27
A esquerda Brasileira hoje é o retrato do MDB na época do regime Militar. Serve só para fingir que tem oposição, mas na verdade são tudo farinha do mesmo saco.
Jean 08 de julho, 2020 | 15:58
O maior problema do Daniel era o seu partido (PCB), depois que aliou com o PSOL piorou a situação, acabou com qualquer chance de vitória, se bobear, nem para vereador ganha mais ... Faltou ser mais ativo na cidade, só aparece em época de eleição, achei q fosse representar uma mudança mas se igualou aos outros.
Costa 08 de julho, 2020 | 14:48
Junta tudo e não dá meio. Esquerda jamais.
Sensato 08 de julho, 2020 | 12:24
O Brasil deveria acabar com essa idéia de pluripartidarismo. Os ideais comunistas assim como outras ideologias extremistas seja de esquerda ou direita não deram certo em praticamente nenhuma nação, pelo contrário possui suas raízes voltadas ao sangue de inocentes como vemos no stalinismo (esquerda) que foi tão cruel como o facismo italiano (direita) ou o nazismo alemão de Adolfo Hitler. Deveríamos ser mais compactados, limitar o número de partidos ao máximo dando uma liberdade democrática aos seus membros para livres manifestações políticas, pois entendo que o plano atual só eleva ainda mais a polarização política do país, gerando um ambiente tenso e propício a ataques de ódio.
Joao Alberto Fonseca 08 de julho, 2020 | 11:44
PROJETO DE PODER ACIMA DE TUDO. IPATINGA EM SEGUNDO LUGAR. ASSIM SÃO OS POLÍTICOS. SE NÃO SE UNEM PARA COMPOR UM GOVERNOS COMO IRÃO UNIR O POVO EM UM PROJETO PRO IPATINGA?

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