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Mulher abordada por fiscal: 'Cidadão não, engenheiro civil formado, melhor do que você', disse a mulher a fiscais que coibiam aglomeração de pessoas
A distribuidora de energia Taesa informou, por meio de nota nessa segunda-feira (6), que demitiu uma funcionária que desrespeitou as regras de prevenção à covid-19.
A empresa não citou o nome da funcionária na nota, mas a imprensa do Rio de Janeiro apurou que se trata da mulher flagrada em reportagem do Fantástico, exibida na noite de domingo, desrespeitando fiscais em um bar no Rio de Janeiro. Conforme o jornal Extra, trata-se de uma engenheira química com especialização em administração de empresas.
O caso ganhou repercussão após a mulher aparecer na reportagem dizendo: “cidadão não, engenheiro civil formado, melhor do que você” para um profissional que fiscalizava o cumprimento das medidas de segurança contra a covid-19 em bares cariocas.
“A Taesa tomou conhecimento do envolvimento de uma de suas empregadas em um caso de desrespeito às leis que visam reduzir o risco de contágio pelo novo coronavírus e compartilha a indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio, sobretudo em um momento no qual o número de casos da doença segue em alta no Brasil e no mundo”, diz a nota da empresa.
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Nota oficial publicada na página da Taesa
A Taesa disse ainda que adotou “inúmeras iniciativas para proteger a saúde de seus profissionais e familiares”, e que a funcionária foi demitida por desrespeitar a “política vigente na empresa”.
“A Taesa ressalta que segue respeitando o isolamento [social] e as mais rigorosas regras de prevenção ao coronavírus e que a empregada em questão desrespeitou a política vigente na empresa. Diante dos fatos expostos, a Taesa decidiu por sua imediata demissão”, afirma a nota.
A decisão da empresa também gerou repercussão. “Parabéns pela postura idônea da empresa. A cidadã em questão não tem o mínimo de empatia e respeito ao próximo, não dá a mínima para quem se expõe nessa pandemia para garantir a saúde de quem tem o privilégio de permanecer em isolamento, home office, etc”, escreveu uma das leitoras da publicação no site da Taesa.
Entenda o que houve O episódio que foi gravado e exibido no programa Fantástico, domingo à noite, mostra um fiscal da Prefeitura do Rio de Janeiro, integrante de uma equipe que foi verificar denúncia de aglomeração de pessoas em bares.
O fiscal tenta explicar ao casal que existiam diversas irregularidades no espaço e que os frequentadores não poderiam ficar aglomerados para evitar uma contaminação em massa.
Pelo decreto da Prefeitura, cada mesa com as cadeiras deve ficar com pelo menos dois metros de distância umas das outras. Ao informar a determinação, o cliente, marido da engenheira, alterado, disse:
"Cadê a sua trena? Eu quero saber como você mediu as pessoas".
Por fim, quando o fiscal chamou o homem de cidadão, veio o ataque por parte da mulher:
"Cidadão, não. Engenheiro civil formado e melhor que você", afirmou a mulher que ainda completou: " A gente paga você, filho".
No fim da operação, o espaço onde o casal estava foi multado, e o dono teve que fechar o bar. O servidor atacado verbalmente pelo casal é o superintendente de educação e projetos da Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro. Flávio Graça, mestre e doutor pela Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ).
Delegado A operação teve outros episódios marcantes. Na segunda-feira, procurado para falar sobre o assunto, o superintendente Flávio Graça explicou que, durante a fiscalização, um jovem aproximou-se e disse que era um dos advogados que representam os proprietários do bar e determinou que fosse parada a inspeção.
A fiscalização informou que a operação não iria parar. Então esse jovem dirigiu-se aos Policiais Militares que amparavam os fiscais, identificou-se como "Delegado" e pediu prendessem o responsável pela operação e o levasse para a Delegacia de Polícia.
O comandante da equipe militar informou que a Vigilância Sanitária só estava cumprindo a legislação e se recusou a efetuar a condução do fiscal.
Indagado se ficou ofendido com os ataques e toda a situação, o superintendente resumiu: "Não cabe mais no Brasil o 'Você sabe com quem está falando?'. Isso está ficando cada vez mais banido".