Paulo Guedes diz que governo fará quatro grandes privatizações em 90 dias


O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo prepara quatro grandes privatizações para os próximos noventa dias. Porém, ele não disse quais as empresas devem ser vendidas agora, no curso da pandemia de covid-19.

Em entrevista à CNN Brasil na noite deste domingo (5), o ministro falou sobre a aproximação do presidente Jair Bolsonaro com políticos do chamado Centrão, na Câmara dos Deputados, para assegurar a governabilidade:

“Houve justamente esse questionamento: ‘Bom, agora que o presidente buscou o centro democrático, ou o Centrão, isso agora vai exigir o aparelhamento das estatais?’. Não. Nós vamos fazer quatro grandes privatizações nos próximos 30, 60, 90 dias , disse Guedes.

Ao ser perguntado se os Correios seriam privatizados, Guedes disse que “está na lista seguramente, só não vou falar quando. Eu gostaria de privatizar todas as estatais”. Para ele, “há muito valor escondido debaixo das estatais”.

“As subsidiárias da Caixa são um bom exemplo. Ali, há R$ 30 bilhões, R$ 40 bilhões ou R$ 50 bilhões em um IPO grande”. (IPO – do inglês Initial Public Offering. Em português: Oferta Pública Inicial e diz respeito quando uma empresa decide abrir capital e distribuir suas ações na Bolsa de Valores)

O forte impacto na economia, a pandemia da covid-19 também foi assunto da entrevista. Guedes disse que o Brasil vai precisar de 1 aumento da dívida pública para assegurar a sobrevivência de empresas e ajudar pessoas físicas durante esse período. Ele analisa que “nossa preocupação essencial, hoje, não é mais o buraco negro fiscal como até um ano atrás, mas sim emprego, renda e saúde”.

O ministro explicou que trabalha com a previsão de que a pandemia perderá força em 2 ou 3 meses, segundo projeções do Ministério da Saúde. Para ele, o Brasil já está “saindo do buraco”.

“As notas fiscais eletrônicas, que representam as transações entre as empresas, cresceram 2 dígitos em maio sobre abril. E em junho já está no nível anterior a abril. Há 1 esporte nacional de autossabotagem, quando dizem que a gente não vai se recuperar, mas nós já estamos saindo do buraco”, disse.

Um dos fatores que ajudaram o Brasil, segundo Guedes, foi a continuidade das exportações mesmo durante a pior fase da covid-19 no mundo. “O choque externo não veio, então já precisamos rever a queda de 10% para uma queda em torno de 6%. A China precisa de minério e proteína animal, e para cada dólar que exportamos para os Estados Unidos, exportamos 3 para a China. Isso nos manteve equilibrados”, afirmou.

Reforma tributária
O ministro Paulo Guedes prevê que a reforma tributária deve ser aprovada ainda em 2020. Ao conversar com empresários na sexta-feira (3), o ministro já havia dito que o texto estava pronto para ser enviado ao Congresso e que esperava que a aprovação viesse em 90 dias.

À CNN Brasil, Guedes explicou que o texto propõe a tributação de dividendos: “Às vezes um assalariado paga Imposto de Renda alto e alguém que já é milionário ou bilionário não paga nada sobre os dividendos”.

O ministro falou que algumas das propostas em debate no Congresso criam o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) com alíquotas de até 30%. “Isso quebra o comércio e o setor de serviços. Nossa proposta é de tributar em 11% ou 12%, mas para isso é preciso pensarmos numa tributação digital, mas infelizmente o Congresso interditou esse debate”, disse Guedes. A íntegra da entrevista à CNN pode ser vista abaixo:


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Comentários

José Antônio da Silveira Drumond 07 de julho, 2020 | 11:45
Em um Brasil onde a corrupção e a bandidagem impera, principalmente entre os 3 poderes, a privatização de estatais onde o ladrões "deitam e rolam" se faz necessária. E se não bastasse somente fazer "cortar" o enriquecimento ilícito dos políticos ainda existe a necessidade urgente de investimentos para a modernização tecnológica e moral das estatais, coisas das quais o Brasil atual não dispõe, tornando-se portanto o chamado "mal necessário". Parabéns portanto ao governo Bolsonaro que está pensando em realizar o que os governantes anteriores não fizeram, isso se os ratos do Congresso Nacional deixarem pois estarão perdendo as boquinhas da corrupção que seguramente se fecharão.
Costa Gravessan 06 de julho, 2020 | 09:05
Com essa entrevista o Guedes aproveita que todos estão com a atenção nos efeitos da pandemia de coronavírus e vai "passando a boiada" também nas privatizações. Mesma tese defendia pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que sugeriu na famosa reunião ministerial, divulgada em 22 de abril, que o governo aproveite a cobertura da imprensa focada no coronavírus para aprovar reformas infralegais. Assim como hoje lamentamos as medidas dos governos petistas, daqui a alguns anos vamos lamentar as decisões desse (des) governo Bolsonaro. Vai vendo, vendo.

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