Região Metropolitana do Vale do Aço perdeu mais de 1.600 empregos no mês de maio

Os dados foram tabulados a partir das informações divulgadas pelo novo Caged

Pedro Ventura / Agência Brasília


Em maio, a maior cidade da região registrou a perda de 1.382 empregos, enquanto Fabriciano, Timóteo e Paraíso eliminaram 258
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
A primeira divulgação completa do mercado de trabalho em 2020, em razão das mudanças na metodologia de apuração e do atraso no envio das informações pelas empresas, confirma que o Vale do Aço já experimentava um cenário desfavorável antes da chegada da pandemia. Os dados foram tabulados especialmente para o Diário do Aço, a partir das informações divulgadas no dia 29 de junho, pelo novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. O tratamento dos números foi realizado pelo Observatório das Metropolizações, do geógrafo William Passos, que monitora o comportamento das metropolizações do interior da região Sudeste.

No mês de janeiro foi registrada a perda de mais de 1.400 empregos com carteira assinada, considerando os quatro municípios da Região Metropolitana, mais Belo Oriente. Em fevereiro, porém, impulsionado pelo desempenho de Coronel Fabriciano (saldo de 196) e Timóteo (saldo de 183), a região conseguiu recuperar cerca de 500 empregos, o que poderia sinalizar para o início de uma tímida trajetória de recuperação. Entretanto, com a pandemia, o mercado de trabalho regional retomou o processo de destruição de postos de trabalho: entre março e maio, Ipatinga, Fabriciano, Timóteo, Santana do Paraíso e Belo Oriente, amargaram a eliminação de 5.129 empregos formais. Ao todo, o mercado de trabalho do setor privado no Vale do Aço encolheu 6% nos cinco primeiros meses do ano.

Em março, apenas Timóteo registrou saldo positivo, mas em abril e maio todos os municípios perderam postos de trabalho. A única exceção foi Belo Oriente, que conseguiu apresentar saldo positivo de 34 empregos no terceiro mês do ano. Somente em Ipatinga, que gera cerca de 60% dos empregos da região, foram perdidos 5.069 postos de trabalhos com direitos assegurados pela CLT em 2020. Em maio, a maior cidade da região registrou a perda de 1.382 empregos, enquanto Fabriciano, Timóteo e Paraíso eliminaram, respectivamente, 115, 111 e 32 empregos formais, conforme dados fornecidos por William Passos.  

Tristeza 

Natália Cristina trabalhou como consultora de modas por aproximadamente dois anos, numa loja do Shopping Vale do Aço. Entretanto, após o fechamento do estabelecimento, por determinação judicial, a proprietária da loja foi obrigada a encerrar suas atividades e a demitir os funcionários. “Saí no mês de abril e até hoje não consegui outro emprego. É um sentimento de tristeza, mas diante do fechamento do shopping, a dona da loja não teve outra opção, a não ser fechar a loja. Ou seja, mais desemprego. Eu tenho esperança de que tudo isso passe logo, que as coisas voltem ao normal e eu consiga outro emprego. Fiquei triste também pela proprietária, porque foram mais de 15 anos de história. Ter de fechar assim é lamentável”, salienta. 

A mensagem de Natália para aqueles que estão na mesma situação é de otimismo. “Não percam a esperança, porque isso vai passar e voltar ao normal, se Deus quiser. Eu e as outras pessoas fomos penalizados pelo fechamento do shopping, penso que há uma discriminação muito grande, porque as lojas de bairros estão abertas e o shopping não, o que acaba gerando desemprego e prejudicando a muitos”, avalia. 

Júlia Sousa, que atuava numa loja de calçados na área central da cidade, perdeu sua vaga no mês de junho. “Vivemos um período de comércio fechado e os patrões optaram por reduzir o quadro de funcionários. Eu estou desempregada há pouco tempo, mas o desespero já bateu à porta, pois as perspectivas não são as melhores. Tenho pensado em formas de sobreviver sem o emprego formal, empreender de alguma maneira, mas ainda não encontrei uma saída”, conta. 

A ex-comerciária diz estar desgostosa e que não sabe o que será da economia local. “Fico pensando que, assim como eu, muitos estão sem emprego, famílias têm passado apertado financeiramente. Peço a Deus que nos proteja e nos livre desse caos. Que isso aconteça o mais breve possível”, anseia.
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Comentários

Silvana Paula 06 de julho, 2020 | 10:55
Tá difícil mesmo as coisas cada vés mais cara os sulpermercado so aumentando os preços tudo caro para os brasileiros comer tá difícil mais Deus não vai nos desempatar antigamente agente podia comer e vestir hoje ou come ou veste para conseguir um emprego So as suas qualificações profissionais não basta tem que ter aparência também se não você não consseguir emprego em Ipatinga.
André 06 de julho, 2020 | 09:37
Ótimo conselho sr PEDRIN PERITO........ para a proprietária da loja!!!!!!!!!.

Agora dê um conselho para os funcionários demitidos. Contexto da Matéria.
Pedrin Perito 05 de julho, 2020 | 13:45
Tem que inovar, balção de loja já não vende mais como antigamente, pra isso existe a ferramenta do e-comerce...

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