Semana decisiva

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
Esta primeira semana de julho será decisiva para as pretensões da CBF, que marcou para os dias 8 e 9 de agosto próximo o retorno das séries A e B do Campeonato Brasileiro.

Foi elaborado e encaminhado aos clubes e federações um protocolo de medidas a serem adotadas, de forma a impedir a disseminação do vírus na volta aos treinos e durante os jogos de futebol.
Não ficou claro, sobretudo para os clubes chamados ‘pequenos’, fundamentais para a retomada do futebol nos estados, de onde é que vão sair os recursos para bancar as medidas deste protocolo da CBF.

Para os clubes e a Federação Mineira a semana não começou nada boa, pois o governo estadual vetou a pretensão de haver uma volta do Campeonato Mineiro para o dia 26 de julho, conforme havia sido divulgado pela entidade. Todas as medidas propostas pela FMF foram analisadas, mas segundo as autoridades de saúde do estado, em razão do agravamento da crise sanitária pela Covid-19, “nenhum protocolo seria adequado ao momento”.

Vai voltar
Que a bola terá que voltar a rolar em algum momento disso tudo nós não temos qualquer dúvida, mas como fazer essa roda girar novamente é o grande dilema enfrentado pela cartolagem. Até agora, a CBF colocou na mesa um protocolo de medidas a serem adotadas pelos clubes, e marcou as datas para iniciar os dois principais campeonatos nacionais.

A entidade só não deu pistas de como pretende viabilizar tudo isso, por exemplo, os deslocamentos aéreos das equipes pelo país, já que a maioria dos voos entre as capitais e principais cidades ainda não foi retomada.
Há, sim, uma necessidade enorme da volta do futebol, o que é vital para a sobrevivência de muitos clubes, além de milhares de pessoas que perderam ou estão prestes a perder seus empregos, após mais de 100 dias sem competições no país.

Mas a prioridade deve e tem que ser a saúde, as vidas humanas, não só dos atores envolvidos com o jogo, mas do público em geral, que acompanha e gosta do futebol.

FIM DE PAPO
• Na Europa, os países que sediam alguns dos principais centros do futebol no planeta conseguiram controlar a expansão do vírus de maneira mais eficaz do que no Brasil, e por isso, é até compreensível que eles já falem na liberação progressiva de público em seus jogos.

• Além do alemão, os campeonatos da Espanha, Itália e Inglaterra estão em andamento e até agora não foram registrados problemas graves. Tudo está sendo feito com critérios e sem precipitações, seguindo os princípios científicos e de saúde, aplicando testes em todos os jogadores, árbitros, imprensa, enfim, tudo muito organizado, e por isso vem dando certo.

• Na contramão disso tudo, o Rio de Janeiro foi o primeiro e único estado do nosso país a retomar o campeonato estadual. A Federação Carioca contou com a conivência do prefeito do Rio, Marcelo Crivela, que, mesmo no ápice da pandemia do novo coronavírus, com centenas de mortes registradas diariamente, falta de leitos e condições básicas de atendimento na rede de saúde, liberou geral inclusive a volta do público aos estádios a partir de agosto.

• O Campeonato Carioca começou bagunçado como sempre, agora ainda mais, tendo jogos adiados, ações impetradas por Botafogo e Fluminense na justiça pedindo sua paralisação, porque desejavam mais tempo de preparação para suas equipes. Em meio a tudo, a polêmica entre a TV Globo e o Flamengo pela transmissão de jogos, enfim, um ‘dèjá vu’ que vem de décadas passadas, quando havia cartolas do naipe de um Eduardo Viana, o “Caixa D’Água”, ex-presidente da Federação, e o folclórico ex-deputado Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama.

• O resumo desta ópera bufa é que não há a mínima segurança que justifique a volta do futebol neste momento, em qualquer lugar do país. Os times da Série A e B nacional, em tese, têm recursos para pôr em prática as medidas de prevenção à Covid-19 e de irem para os jogos com maior segurança. Mas, e os clubes ‘pequenos’? Quem vai pagar a conta para que cumpram os protocolos médicos necessários? E quem garante que vão fazer tudo dentro dos rígidos parâmetros exigidos pelas autoridades de saúde? (Fecha o pano!)
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