Em dois meses, Auxílio Emergencial injetou R$ 71 milhões na economia da Região Metropolitana do Vale do Aço

O cálculo foi feito pelo geógrafo William Passos, especialmente para o Diário do Aço

Bruna Lage/imagem ilustrativa


Benefício no valor de R$ 600 pode chegar a R$ 1.200, no caso de mulheres chefes de família
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
As duas primeiras parcelas do Auxílio Emergencial do Governo Federal, pagas nos meses de abril e maio a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI’s), autônomos e desempregados, injetaram R$ 71.016.600 na economia dos quatro municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço, o valor sobe para R$ 76.920 milhões com a inclusão de Belo Oriente. Os cálculos são do geógrafo William Passos, realizados especialmente para o Diário do Aço e fornecidos na noite de sexta-feira (26), a partir da base de dados da Caixa Econômica Federal.

Do total pago nas duas primeiras parcelas do benefício, sacadas nos meses de abril e maio, 90% do dinheiro foi injetado na economia da região no mês de abril, quando 20% da população dos municípios da Região Metropolitana recebeu o benefício. Naquele mês foram contemplados com o Auxílio Emergencial 23,54% da população de Santana do Paraíso, 19,54% da população de Coronel Fabriciano, 18,18% da população de Ipatinga e 15,67% da população de Timóteo. Em Belo Oriente, 28,61% dos moradores receberam o benefício

Queda no pagamento

Entretanto, ao tabular a base de dados, o geógrafo William Passos percebeu uma queda de 89% nos recursos pagos pelo Governo Federal no mês de maio aos moradores da região: de R$ 69.099.600 pagos em abril, a injeção financeira foi reduzida para R$ 7.820.400 no mês seguinte. Por sua vez, o total de moradores beneficiados também caiu violentamente: de 99.226 contemplados no primeiro mês (cerca de 20% da população do Vale do Aço), somente 14.549 pessoas receberam o benefício na região no mês de maio (menos de 3% da população residente). Na avaliação do especialista, essa redução, observada também no restante do país, é dramática e pode contribuir significativamente para uma situação de colapso nos próximos meses, caso a pandemia de covid-19 se prolongue.

Algumas situações podem explicar essa queda de um mês para outro. Entre elas está o fato de que o cidadão que tenha recebido a primeira parcela não tem a garantia de que o benefício continuará a ser pago, isso porque os pagamentos são continuamente submetidos à análise, informou o Ministério da Cidadania. Isso ocorre para evitar pagamentos indevidos. Portanto, se o beneficiário não se encaixa no perfil exigido pelo Governo Federal, ele não receberá mais as parcelas do auxílio.

Se alguma condição do cidadão mudou do momento do primeiro pedido até a análise de pagamento da segunda parcela, ele pode deixar de receber as demais parcelas.

Não têm direito a receber o Auxílio Emergencial: quem tem emprego formal ativo (com carteira assinada); Quem pertence à família com renda superior a três salários mínimos (R$ 3.135,00) ou cuja renda mensal por pessoa maior que meio salário mínimo (R$ 522,50); Quem está recebendo seguro-desemprego; Quem está recebendo benefícios previdenciários, assistenciais ou benefício de transferência de renda federal, com exceção do Bolsa Família; E quem recebeu rendimentos tributáveis acima do teto de R$ 28.559.70 em 2018, de acordo com declaração do Imposto de Renda.

Auxílio

O Auxílio Emergencial é destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, como forma de fornecer proteção emergencial durante a crise causada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). Aprovado em abril, é um benefício no valor de R$ 600 (que pode chegar a R$ 1.200 para mulheres chefes de família). Esses lotes de pagamento são para os beneficiários que fizeram o cadastro no site ou aplicativo da Caixa ou que já estavam inscritos no Cadastro Único do Governo Federal.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na quinta-feira (25) que o Auxílio Emergencial vai pagar um adicional de R$ 1,2 mil, que serão divididos em três parcelas. "Vamos partir para uma adequação. Deve ser, estamos estudando, R$ 500, R$ 400 e R$ 300", afirmou o presidente durante sua live semanal nas mídias sociais.

Valores chegam em momento delicado

A injeção de recursos na economia local chega num momento ímpar na história do Vale do Aço. O comércio tido como não essencial esteve fechado durante um período nunca antes visto por Ipatinga, Timóteo e Santana do Paraíso. Coronel Fabriciano foi a primeira cidade a flexibilizar e retomar as atividades. O cenário trouxe instabilidade e o enxugamento na folha de algumas empresas, que passaram a operar via mídias sociais e telefone, não precisando de tantos funcionários como antes.

Além das empresas nos bairros, o Shopping Vale do Aço foi outro atingido. Fechado por determinação da Justiça em razão de medidas de prevenção ao novo coronavírus, o empreendimento já registrou o fechamento de seis lojas e supressão de 100 empregos, conforme informou o gerente-geral, Rafael Martinez.

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