Saiu do armário

Fernando Rocha

Divulgação


Fernando Rocha
A CBF saiu do armário e divulgou, em nota oficial, as datas prévias para o início dos Campeonatos Brasileiros da Série B e A, que começariam, respectivamente, nos dias 8 e 9 de agosto (sábado e domingo), ou seja, dentro de 41 dias.

Seria muito bom se fosse verdade, mas no último parágrafo da sua nota oficial, a entidade diz que “o retorno do futebol depende do aval das autoridades de saúde”, e ressalta que “19 dos 20 clubes da Série A se dispuseram a jogar fora das suas cidades, em última instância, caso até lá seus municípios não estejam liberados pelas autoridades de saúde para realizar jogos”.

Seria melhor que a CBF e seus cabulosos cartolas tivessem ficados calados, quietos no armário, recolhidos em suas insignificâncias, pois não há a mínima condição de projetar um retorno de competições com a pandemia ainda longe de atingir o pico e o país contabilizando mais de mil mortos e cerca de 40 mil novos casos a cada 24 horas, totalizando mais de 55 mil vítimas até agora.

Passo atrás
Entendo a aflição da cartolagem, pois a falta de competições por muito tempo poderá arruinar ainda mais a já precária situação financeira dos clubes, mas falar em datas para o retorno do futebol nas atuais circunstâncias é conversa de ‘boitatá’.

Basta lembrar que todos os certames estaduais, à exceção do ridículo e esdrúxulo Campeonato Carioca, estão paralisados, e não há um sequer com previsão confiável ou certa para recomeçar.

Para piorar, diversas capitais e cidades onde existem clubes nas séries A e B, após abrirem precipitadamente setores do comércio, estão se vendo obrigadas a fechar muita coisa de novo, por causa do aumento indiscriminado da contaminação e mortes.

A pressão para a volta aumentou após a retomada dos campeonatos na Europa, mas lá isso só se deu após a curva de novos casos e mortes cair de forma significativa durante três semanas seguidas, o que ainda não é o nosso caso, longe disso.

FIM DE SEMANA
• A CBF também sofre pressões do governo federal, uma vez que o presidente da República considerou a epidemia do coronavírus uma "gripezinha" e só passou a usar máscara recentemente, após uma ordem judicial. O governo considera que a volta do futebol ajudará a reativar a economia, combalida também por uma crise mundial sem precedentes, além de abafar o impacto negativo em sua imagem por conta das centenas de milhares de mortes, muitas delas ocorridas em função da sua incapacidade de liderar o país para um combate eficiente à pandemia.

• Na última semana, uma matéria publicada pelo “Estadão”, com base em dados divulgados pelos próprios clubes das séries A e B que retornaram aos treinamentos, revelou que 95 atletas foram positivados em todo o país para Covid-19. Isto confirma a tese de vários infectologistas, de que não há protocolo seguro para o retorno dos treinamentos de jogadores, apesar dos clubes grandes terem recursos, estrutura e profissionais preparados para executá-lo.

• Pelo seu tamanho, o Brasil é como um continente, então, como fazer para controlar a disseminação do vírus entre as equipes em disputas nacionais, com tantas viagens passando por diferentes aeroportos, hotéis, restaurantes, ônibus etc?

Alguém assinaria embaixo atestando que tudo estaria dentro dos padrões exigidos para controlar a proliferação da Covid-19? Numa rápida vistoria feita na última terça-feira (23), a Vigilância Sanitária do estrado do Rio de Janeiro reprovou os centros de treinamento de Fluminense, Vasco e Botafogo. Então, vamos imaginar como seria a mesma inspeção, caso ela fosse feita nos clubes pequenos?

• Aqui nos nossos grotões a Federação Mineira também ensaiou uma volta, indicando a data fictícia de 16 de julho para o retorno do Campeonato Estadual. A FMF só se esqueceu de acertar os detalhes com a Covid-19, que vem batendo recordes um atrás do outro de mortes no estado, obrigando até o nosso inerte governador a finalmente se posicionar com uma ameaça de ‘lockdown’, caso não haja uma melhora neste quadro.

Por outro lado, apenas duas equipes do interior do estado - Boa Esporte e Tombense -, além dos três da capital, teriam jogadores para colocar em campo. E à exceção do Coimbra, que é financiado por um banco e não retornou aos treinos por opção da sua diretoria, nos demais clubes a falta de dinheiro inviabiliza a formação das equipes, e eles não teriam condições de bancar as despesas para retomar as atividades de acordo com o protocolo estabelecido pela CBF. (Fecha o pano).
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