''Aqui o governador Zema não manda'', afirma Marcos Vinícius
Prefeito de Fabriciano diz que cidade não será fechada e critica postura do governo do Estado
25/06/2020 às 19:30
Wôlmer Ezequiel
Marcos Vinícius Bizarro lembrou que a doença não veio tirar férias no Brasil
Durante a entrevista de apresentação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, ocorrida na manhã desta quinta-feira (25), o prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícius Bizarro (PSDB), afirmou que o município não irá parar por causa do novo coronavírus (covid-19). A afirmação foi baseada numa entrevista do governador do Estado, Romeu Zema (Novo), que falou sobre lockdown (fechamento total) e jogou a responsabilidade de fechar ou não as cidades para os prefeitos. Bizarro assegurou que Fabriciano não será penalizado.
Questionado sobre um possível fechamento, o prefeito destacou que vê o Estado com falas lamentáveis, desde o início da pandemia, com falas e decretos, em que o governador “não tem coragem de assinar o nome nas deliberações”. Marcos Vinícius frisou que este é um governo em que não se pode confiar. “Se a gente sabe que o isolamento social é para preparar o sistema de saúde, o que adianta ficarmos isolados à essa altura do campeonato, onde estamos entrando no quarto mês da pandemia do Vale do Aço? Para ficarmos mais 14 dias isolados sem nenhum investimento em saúde?”, questiona.
Ele acrescenta que está aberto ao diálogo e que tem participado de reuniões, como da Agência Metropolitana, assim como Ministério Público e etc., mas que a cidade não pode ser penalizada, porque desde o momento em que a administração teve conhecimento da doença, investiu em saúde. Relatou ter ampliado dez leitos, em seguida mais dez e com capacidade para mais 100.
“Podemos chegar a 120 leitos. Qual o motivo deu eu ser penalizado? Fabriciano não aceita. Querer falar em lockdown onde prejudica somente uma categoria? O que é serviço essencial? Aquilo que garante o sustento. Tínhamos de ter discutido isso lá em março, quando disse que estava errado parar tudo, encerrar as aulas, deveríamos fazer isso agora. Mas fizeram um tumulto danado e não compreenderam o que estava acontecendo. Enquanto não deixar para os médicos cuidarem da doença, vamos morrer de outras coisas. Já estão morrendo. Tivemos um casal de idosos aqui, que morreram e que estavam isolados, não estavam indo pra lugar nenhum. O filho levou a doença pra eles, que trabalha em serviços essenciais”, exemplificou.
Covid
Sobre a covid-19, Bizarro lembrou que a doença não veio tirar férias no Brasil e que devemos aprender a conviver com ela e respeitá-la. Disse ainda que é inevitável sermos contaminados por ela e que 90% não terão nenhum sintoma.
Segundo o prefeito, a razão de se falar em isolamento é para esconder embaixo do tapete que não tem saúde e que as máscaras estão caindo, onde não tem saúde as pessoas estão morrendo ainda mais. “Nos municípios pequenos há preocupação em fazer o feijão com arroz, cuidar da atenção básica. Mas os de médio e de grande porte, infelizmente, não investem em atenção básica. E quem está vindo a óbito são os pacientes crônicos. Estou aqui no Vale do Aço há 20 anos, o sistema de saúde daqui sempre foi colapsado. Se eu mostrar para vocês o número de óbitos de 2018 e 2019 por mês, comparando com 2020, tivemos redução de mais de 40% de óbitos em Fabriciano. Isso porque estão cuidando, o hipertenso está tomando o remédio, até dobrado, se cuidando, assim como o diabético. Isso está ajudando. Não estamos tendo cirurgias eletivas. Os crimes violentos também diminuíram. ‘Ah, mas estão morrendo de covid’, gente, covid é a cereja do bolo, estão morrendo de outras patologias”, afirma.
Respeito à doença
O prefeito reiterou que é preciso respeitar a doença. Não adianta falar em isolamento nesse momento, sem falar em investimento na saúde. Nesse cenário, daqui a 20 dias o assunto será o mesmo, fechamento. “Eu não fecho nem mais um dia, porque o meu sistema de saúde que preparei para covid está ocioso. Por que Fabriciano vai ser penalizado por quem não trabalhou? Não vou penalizar Fabriciano em nem mais um minuto. A saúde depende da economia. Quem vai pagar médico, insumos? O Estado não manda dinheiro e quer fechar, de onde vou tirar dinheiro para sustentar isso e continuar com hospital aberto? Aqui o governador Zema não manda, respeito ele, apesar de que não cumpriu com sua palavra, pegou na minha mão e disse que até dia 30 de março colocaria no hospital Dr. José Maria Morais dez respiradores e depois mais 20 e não mandou nem um dormente. Eles não querem investir em saúde e não vão. Fabriciano está tranquilo e só vamos fechar no dia em que a saúde disser, por causa de capacidade do hospital e etc., mas será fecha tudo. Ninguém trabalha”, adiantou.
Por fim, o prefeito voltou a dizer que não acredita em contrapartida nesse caso e que a dívida do Estado com o município é de quase R$ 60 milhões. “Estou desde 2017 sustentando o Estado, pagando tudo, polícias, bombeiros e etc., vou acreditar num governo desse que não cumpre com nada?”, concluiu.