A covid-19 é um Cisne Negro?

Alessandro Azzoni *

“O que acentua a definição da covid-19 como Cisne Negro é a latente dificuldade em antever e prevenir seus efeitos”

Analisando o cenário econômico mundial anterior a novembro/2019, tínhamos uma corrente de redução mundial de juros básicos, com a finalidade de minimizar a desaceleração econômica mundial. Todas as nações mundiais sinalizavam para a redução da aceleração econômica, por meio das influências legais, sociais, ambientais, tecnológicas que refletiam na econômica interna e externa dos países.

O termo "Cisne Negro" foi utilizado em analogia à espécie rara na natureza e foi usado pelo autor de “A lógica do Cisne Negro” Nassim Taleb, em seu livro de 2007.

Com isso, para fenômenos que impactem diretamente o mercado financeiro de forma drástica usamos o termo Cine Negro. Muitos analistas atribuíam que os desastres ambientais, mesmo que raros, provocavam efeitos devastadores nas economias atingidas. Se fizermos a analogia à pandemia do covid19 temos um fenômeno imprevisível, raro, mas com efeito devastador à econômica nacional e internacional.

O alto grau de contágio do novo coronavírus colocou as empresas e governos em situação de vulnerabilidade e em dificuldades profundas, neste caso, exemplificado pela falta de leitos hospitalares de UTI. Com o comprometimento das vias áreas dos pacientes e danos aos pulmões, o uso da UTI tornou-se vital para a manutenção da vida, com a variável tempo x financeiro, colocando os governos em xeque-mate.

Medidas como o isolamento social voluntário e obrigatório, tornaram-se ferramentas para alongar a curva de contagio, e mediante ao uso substancial dos leitos hospitalares, o efeito colateral foi o fechamento das atividades econômicas não essenciais.

Lembrando do que falamos acima, as economias já vinham em uma tentativa de evitar a desaceleração. No brasil uma das tentativas era a redução das taxas de juros. Para além desta crise mundial tentávamos uma recuperação oriunda de um processo recessivo. Por isso mesmo os efeitos de um cisne negro serão bem profundos e dolorosos à economia brasileira.

A covid-19 foge da similaridade dos cisnes brancos, que por outro lado, costumam ser mais previsíveis, e com isso mais fáceis de serem tratados com certa antecedência - portanto viável evitar a crise. O que acentua a definição da covid-19 como Cisne Negro é a latente dificuldade em antever e prevenir a sua chegada e a imprevisibilidade de seus efeitos. Claro que isso não significa que não seja possível se proteger das consequências trazidas por ele.

Mesmo que o termo seja utilizado no mercado financeiro, podemos, por analogia, utilizá-lo nas atividades econômicas, pois as empresas envolvidas atingem por si ou indiretamente os rendimentos dos investimentos em bolsa.

O que podemos tirar desta crise e das demais é o legado deixado por ela, aproveitando os períodos difíceis, mapeando os impactos não só ao seu mercado, mas no todo para otimizar as estratégias e organizar as empresas através de alocação de seus recursos financeiros e humanos para estar mais preparados no futuro, lembrando que as crises são cíclicas, sempre retornam e devemos estar munidos de uma análise crítica evidenciada acompanhada de um plano de ação.

* Advogado Especialista em Direito Ambiental Empresarial, Economista especialista em Mercados Internacionais
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