07 de junho, de 2020 | 10:00
Ensino virtual oferecido pelo Estado é avaliado por profissionais da Educação
(Tiago Araújo - Repórter do Diário do Aço)Com a pandemia da covid-19, as aulas presenciais nas escolas foram suspensas para evitar a proliferação do novo coronavírus. Diante desse cenário, o Governo Estadual decidiu retomar, no mês passado, as atividades por meio das aulas on-line, com o intuito de não prejudicar ainda mais o ano letivo. No entanto, esse modelo tem sido alvo de críticas por causa de diversos fatores, que envolvem desde o ambiente de ensino domiciliar a equipamentos tecnológicos adequados.
Álbum pessoal
Almir Silveira afirmou que os conteúdos das teleaulas transmitidas na Rede Minas não são os mesmos que estão no Plano de Estudo Tutorado
Conforme o professor Almir Silveira, de 46 anos, que trabalha na Escola Estadual Tancredo de Almeida Neves, em Coronel Fabriciano, a principal dificuldade com esse modelo de aula on-line é o acesso do aluno à internet. Infelizmente, o acesso à internet não é uma realidade de todos. Muitos dos alunos não têm computador ou um celular, por isso o Estado disponibilizou o Plano de Estudo Tutorado (PET) impresso para esses alunos sem equipamentos. No entanto, os professores também têm dificuldade nesse sentido. Nem todos profissionais têm um bom computador ou uma internet rápida, sem falar que os professores com idade mais avançada têm mais dificuldade com os aparelhos tecnológicos”, afirmou.
Almir Silveira afirmou que os conteúdos das teleaulas transmitidas na Rede Minas não são os mesmos que estão no Plano de Estudo TutoradoTeleaulas
Outra dificuldade apontada pelo professor é em relação aos conteúdos das teleaulas, que são transmitidas na Rede Minas, mas não são os mesmos que estão no PET. Então os alunos estudam algo que é não cobrado depois. Acredito que por causa dessas falhas, a evasão escolar deve aumentar com o tempo e teremos consequências no futuro”.
Demandas diárias
Segundo Almir, os professores da rede estadual precisam fazer uma série de relatórios para enviar à Secretaria de Estado de Educação (SEE), além de preparar as aulas e atividades extracurriculares. Temos que fazer todas essas tarefas dentro de nossas residências, e ao mesmo tempo, realizar nossas atividades domésticas. Eu, por exemplo, tenho duas filhas crianças que estudam. Com isso, preciso oferecer um suporte para elas na parte do ensino e também cuidar delas. Diante disso tudo, não consigo fazer um bom trabalho como professor e acaba impactando o aprendizado dos alunos. Por isso, temos que reavaliar essa forma de estudo”, pontuou.
Álbum pessoal
Para Margarida Braga, a proposta de ensino virtual do Estado é interessante, porém, revelou diversas fragilidades no sistema de Educação
Único recurso
Para Margarida Braga, a proposta de ensino virtual do Estado é interessante, porém, revelou diversas fragilidades no sistema de Educação Já para a pedagoga Margarida Braga, de 60 anos, que trabalha na Escola Estadual Dom Helvécio, em Ipatinga, o fato de ter experiência na área da tecnologia da informação facilitou seu trabalho nas aulas on-line, porém, reconhece que esse modelo digital necessita de melhorias. Eu compreendo que esta pandemia está promovendo uma inquietação muito grande por parte de toda comunidade escolar. As preocupações estão relacionadas com o processo inclusivo que a escola precisa garantir. Entretanto, neste momento, o ensino digital é o único recurso da Secretaria de Educação, mas vale ressaltar que enfrentamos uma falta de acesso à tecnologia no estado e uma falha de cabeamento para internet no âmbito nacional”, afirmou.
Mais investimento
Margarida Braga também salientou que dentro desse modelo virtual, o professor está sendo bastante exigido para dar uma resposta dentro de uma limitação. Esse momento atual é um campo fértil para novas políticas públicas na Educação. Esta pandemia serviu para nos alertar para falhas em nosso sistema educacional, e que é preciso haver um investimento maciço na Educação”.
Conexão Escola”
Conforme Margarida Braga, os professores e alunos ainda aguardam o funcionamento do aplicativo Conexão Escola”, do Governo Estadual, que proporciona informações acerca dos estudos virtuais. Ainda não está funcionando o aplicativo. Estamos aguardando. Portanto, o nosso problema maior é em relação às condições tecnológicas e de estrutura na sociedade. A proposta do Estado é interessante, mas revelou as fragilidades que temos em nosso sistema”.
Álbum pessoal
Eliane Alves Jorge acredita que o Governo Estadual deveria oferecer uma orientação pedagógica aos pais neste momento de ensino virtual
Ensino virtual é um desafio para os pais
Eliane Alves Jorge acredita que o Governo Estadual deveria oferecer uma orientação pedagógica aos pais neste momento de ensino virtualPara a mãe Eliane Alves Jorge, de 47 anos, que tem uma filha que estuda pelas aulas on-line do Governo Estadual, a pandemia provocou uma mudança muito rápida para o ensino digital. Entendo que toda essa situação é difícil para o Estado, que é garantidor constitucional da Educação e para os gestores escolares, que têm o dever de fazer a ponte administrativa entre as famílias e os professores. E também é muito difícil para as crianças, que perderam seus espaços de convivência e interação, assim para os pais, que de um dia para outro tiveram que assumir o papel pedagógico dentro dos seus lares”, afirmou.
Eliane Jorge também salienta que as aulas on-line deixam muito a desejar, e que são necessários diversos ajustes por parte do Governo Estadual, porém, os pais e a comunidade escolar precisam entender que todos enfrentam um momento atípico. Lidamos com uma pandemia sem hora para acabar, portanto, não há outro caminho, a não ser o ensino virtual. É o caminho mais plausível, possível e real. Pois, enquanto mãe, não me sinto segura em mandar meus filhos, que estudam na rede pública, para a escola enquanto não houver uma segurança concreta. Sei que a realidade de muitas famílias é cruel, diante da desigualdade em que vivemos, e que muitas não têm acesso à internet, mas dentro desta vertente, se faz necessária a atuação dos gestores escolares para levar a esses alunos os conteúdos na forma impressa das aulas virtuais, para que o direito à informação seja garantido a todos”, disse.
Orientação pedagógica
Eliane ainda acrescenta que seria proveitoso se o governo fizesse, pelo menos uma vez por semana, um encontro virtual direcionado aos pais. O objetivo seria orientar os pais a como se proceder de forma pedagógica na transmissão dos conhecimentos curriculares, com dicas didáticas, para que não ficassem tão perdidos. Portanto, temos que tentar vencer os desafios, que são muitos, mas uma coisa eu tenho certeza, enquanto mãe e educadora, não podemos sentar e esperar a pandemia passar”, pontuou.
SEE
Procurada pelo Diário do Aço, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou, por meio de nota, que está disponibilizando aos alunos da rede pública estadual, neste momento em que as atividades escolares presenciais estão suspensas por tempo indeterminado como medida de enfrentamento à covid-19, iniciativas por meio do Regime de Estudo não Presencial. A iniciativa estruturante desta ação é o Plano de Estudo Tutorado (PET), que é acessado e distribuído prioritariamente pelos meios virtuais (site estudeemcasa.educacao.mg.gov.br, aplicativo Conexão Escola e e-mail) e está sendo entregue de forma impressa pelos gestores escolares para os alunos que não têm nenhuma ferramenta de acesso à internet”.
A SEE também informa que as teleaulas exibidas pela Rede Minas foram produzidas como complemento aos conteúdos trabalhados nos PETs. Por isso, muitas vezes os professores fazem uma introdução ou contextualização ao material para facilitar a compreensão dos alunos na realização das atividades, mas outros conteúdos também podem ser abordados no programa”, concluiu a nota.
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Tião Aranha
09 de junho, 2020 | 12:43A pandemia do corona acelera a padronização do serviço público nacional. A volta às aulas exigirá das direções escolares uma política educacional perfeita de supervisão e de orientação escola/família que vão além da educação propriamente dita. Esse sistema de política educacional de aprendizagem pedagógica deveria ser escolhido pelos país, e não por educadores. Afinal, que tipo de Ensino um pai quer? - preparar o seu filho pro Ensino de conteúdo acadêmico e/ou prepará-lo para a vida?”
Wagner Campagnani
07 de junho, 2020 | 11:24Aulas pela internet, tele aulas ou expressas não vão funcionar.seria muito mais prático fazerem o sistema de rodízio presencial com todas as seguranças.”