Causo para o tempo passar VI

José Edélcio Drumond **

Lá na Hematita, onde o Judas não perdeu a bota, acontecem coisas do arco da velha, e peço licença para dar as notícias assim: Neste mundo de meu Deus tem de tudo, e lá nesta terra nada foge a regra, por isto dá de tudo: tem espertos, vigaristas, trapaceiros, bobos, bocós e outras desvirtudes mais, e por isso vou contar umas coisas. Numa partida de futebol, contra um grande time, a maior estrela da casa era o “center-half” Jota Paulo, que estava na véspera do casamento e resolveu dedicar da melhor forma a sua despedida de solteiro. Rebatia tudo que vinha, drible não tomava um e numa proeza inigualável subiu para cabecear uma bola e trombou com o atacante do time adversário, os dois caíram desmaiados no chão. Médicos, massagistas dos dois times em campo e a torcida liderada pelo Totonho da Sinhana invadiram, foi um fuzuê danado com ameaças ao Juiz exigindo a expulsão do atacante.
Passado um tempinho o zagueiro levanta meio tonto e falando: “Cadê a minha dentadura?” e ela nunca apareceu, pois, um gaiato a pegou, colocou-a no bolso da calça e foi levar para sua avó que estava desdentada.

Chegou o dia do casamento e na entrada o noivo perfilou tampando a boca com a mão, e na hora de responder o sim, o padre nem entendia a resposta, pois a mão sufocava sua fala e o padre aceitou como resposta o abano da cabeça. A sua sogra Ourodina espalhou para todos que na hora de fazer amor ele estava com a mão tampando a boca, e nem gemer conseguiu, pois ela ficou a noite toda ouvindo pelo buraco da fechadura a sua filha falar. Um espertinho de lá era o Thomaso do Nico Gregório, da famosa família dos Pereiras, aquela família que só plantava mandioca para não ter que capinar, e que de dia cuidava da caça, e de noite gostava de uma sanfona, e nos fins de semana era de um arrasta pé que eles não perdiam.

O Thomaso tinha juntado um monte de long-play, e tinha música sertaneja a “beça”, tinha Gonzagão, Tunico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha & Inhana e outros mais. Num domingo de feira, ele juntou aquele monte de discos, tirou todos da capa e com elas lá foi ele para a feira vender as CAPAS.

Passavam os clientes da feira, olhavam e ficavam admirados com as capas e acabavam comprando. Não sobrou uma para remédio. Ele embolsou o dinheiro, e foi parar na venda do Juquita Julião, tomou uma cachaçona e saiu tropeçando nas pernas, chegando em casa tirou um sono e só no dia seguinte saiu com a família para caçar. Em casa a Dona Reduza, cuidou, como de rotina, do almoço que também era servido o jantar e o cardápio era sempre uma sopa de mandioca com farinha do mesmo nome.

*Atendendo pedidos mudei o nome
** Advogado e empresário
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