Ônibus da Univale rodam sem cobradores, sindicato questiona e não descarta paralisação

Empresa pondera ter tomado providências para preservação da saúde dos trabalhadores

Geraldo Gomes


Sem cobradores, motoristas precisam acumular funções e receber o valor da passagem

O transporte coletivo tem sido motivo de reuniões e questionamentos por parte do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Coronel Fabriciano (Sinttrocel), junto à empresa Univale. Isso porque, há aproximadamente duas semanas, o sindicato recebeu a informação de que alguns ônibus estariam circulando sem a presença dos cobradores.

Conforme apurado pelo Diário do Aço, linhas como Timóteo-Fabriciano, Fabriciano-Santa Cruz e Ipaba-Ipatinga seriam alguns exemplos. Na tarde desta terça-feira (2), a reportagem conversou com o presidente do sindicato, Marlúcio Negro, que relatou ter tomado conhecimento de que algumas linhas estariam nessa situação. O Sinttrocel chamou a Univale para uma reunião, ocorrida na segunda-feira (1).

Marlúcio esclareceu que a concessionária alegou vários fatores, dentre eles, que está fazendo isso por ter recebido orientação do Ministério do Trabalho, de suspender todos os funcionários em risco. Diante dessa orientação, afastou os cobradores que têm deficiência física.

“Mas para a diretoria do Sinttrocel isso não serve como parâmetro. São deficiências leves e que não impossibilitam de exercer sua função. Aproveitaram da Medida Provisória 936, que dá o direito de suspenderem o contrato dos trabalhadores e também à redução de salário e de jornada, que pode ser feita até 70%. Mas em relação a esses cobradores, ela optou pela suspensão do contrato de trabalho por 30 dias e a lei dá o direito de prorrogar por mais 30, se a pandemia não passar”, pontuou.

Paralisação

Uma reunião da diretoria do Sinttrocel será realizada ainda nesta semana, para que seja tirado um encaminhamento. “Prezamos pelo diálogo e vamos buscar uma intermediação junto ao Ministério Público. Se a empresa mantiver a decisão, não está descartada a possibilidade de paralisação. Não concordamos com a retirada dos cobradores, que auxiliam o motorista no trânsito, no embarque e desembarque também. E hoje o motorista está exercendo duas funções. E precisa auxiliar o cadeirante, uma situação complexa, porque tem de deixar o veículo funcionando, assim como o caixa com dinheiro, que fica desprotegido. Fora o fato de que a viagem pode atrasar, diante desse acúmulo de atividades do trabalhador. Vamos lutar até o fim para que isso seja revisto”, assegura Marlúcio.

Outro lado

Procurada, a Univale Transportes informou que sempre pautou por cumprir fielmente a legislação e contratos firmados. Em razão do cenário que não só o segmento de transportes, mas todas as comunidades no mundo vêm enfrentando, em decorrência da pandemia por infecções provocadas pela covid-19, foi obrigada a tomar algumas providências, visando à preservação da saúde dos trabalhadores.

“Uma das medidas adotadas foi o afastamento de funcionários enquadrados no grupo de maior risco e, dentre estes, alguns cobradores. Em função disso, alguns veículos/horários operam sem este profissional. A ausência, porém, não implica em descumprimento legal, já que o transporte metropolitano segue normas específicas estabelecidas pelo Estado de Minas Gerais, que é o poder concedente deste serviço. A operação também não fica comprometida, uma vez que na situação atual, o volume de passageiros transportados reduziu drasticamente, e os pagamentos das passagens, em sua maioria, são por meio de vales-transportes eletrônico”, conclui a empresa.
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Comentários

Silvanokatia8@gmail.com 04 de junho, 2020 | 09:12
Lembrando que estamos no Brasil e o Brasil não é país rico. Tem que manter os cobradores sim.
Zé Ninguém 03 de junho, 2020 | 20:46
Ricardo Lúcio, se coloque no seu lugar rapaz! Quer falar de conta e propõe uma automatização??? Defenda seus argumentos com algo que realmente faça sentido, queria ver você no lugar deles... E outra coisa, "você" é sem "ç". É por isso que o Brasil não vai pra frente, começa por gente assim e vai até o Presidente? com todo respeito!
Bento 03 de junho, 2020 | 17:58
Governador valadares mg Ja tem 2 meses sem caborador.Triste 50 foram mandados embora cobradores.
Pablo 03 de junho, 2020 | 17:21
Engraçado o comentário do Sr Ricardo Lucio Rogerio, no final fez um comentário sobre pagar as contas de energia, mas o comentário em si pelo que eu entendi ele não e a favor de ter cobradores nos ônibus, nessa situação aumentaria o desemprego. Agora eu te pergunto meu amigo, como esses colaboradores irão pagar a conta de energia desempregados, e correndo serio risco de não conseguir emprego por agora devido a Pandemia, que junto com ela vem uma crise mundial. Pense que ônibus automatizados e super modernos irão ocupar vagas de milhares de pessoas.
Ricardo Lúcio Rogério 03 de junho, 2020 | 16:33
Quer dizer que sindicato tem soberania em relação às decisões da empresa?? Quem sabe dos custos, é a empresa, sindicato, sabe tomar dinheiro de funcionários, e aparecer. Eu sou a favor da modernização. Cobradores para que?? O correto é automatizar os onibus, e rodar até sem motoristas. Tecnologia pra isso já existe.. E outra, voçes que estão defendendo sindicato, vai lá e pede eles pra pagar sua conta de energia por 6 meses...
Shesheu 03 de junho, 2020 | 16:11
Zé das Couves, falaste bem! Países desenvolvidos! Nessa terra de tupiniquins que vivemos, se for de quarto mundo, tá bom! Acorda amigo. Veja só o exemplo do presidente do país, que desastre, prá não dizer outra coisa!
Larissa Resende Martins 03 de junho, 2020 | 12:45
AQUI EM VITORIA ES ONIBUS DA TRANSCOL ESTAO RODANDO CEM SEUS TROCADORES
Falou Tá Falado 03 de junho, 2020 | 10:40
Sou passageiro da univale a anos. E sou todo a favor do sindicato porque isso é uma falta de respeito com os funcionários. Tomara que o presidente do sindicato chegue junto mesmo para que a empresa tenha mais compromisso com os funcionários. Sem contar que chegou ao meu conhecimento que até hoje não tiveram aumento salarial. Sempre é assim mesmo. Só pensam em encher os cofres e os empregados que se dane.
Zé das Couve 03 de junho, 2020 | 10:23
Muitos países desenvolvidos não utilizam cobradores, já estão falando em carros automatizados.

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