Desentendimento com equipe de testagem prejudica levantamento da pandemia em Ipatinga

Integrante de pesquisa sobre coronavírus relata dificuldade para concluir levantamento de campo na cidade

Divulgação


Após o registro de confusão, não foi possível concluir a aplicação de 250 testes em Ipatinga, conforme estava previsto

Os membros de uma equipe responsável por aplicar testes rápidos, que identificam anticorpos do novo coronavírus, quase foram agredidos durante uma testagem em Ipatinga. A informação é de um dos integrantes da equipe, Cid Roberto Gomes. Em entrevista ao Diário do Aço, ele relatou toda a situação enfrentada na cidade, quando vieram fazer uma pesquisa de campo.

A aplicação de testes rápidos, trabalho do qual Cid participa é financiada pelo Ministério da Saúde e coordenada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul. O serviço é executado sob gestão do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Esse estudo será realizado em três etapas e prevê testar até 100 mil pessoas em 133 municípios. A expectativa é testar cerca de 33 mil brasileiros em cada etapa, dos quais 250 pessoas em cada município selecionado.

Conforme Cid Roberto Gomes, no dia 14 de maio, uma equipe de 16 pessoas do Ibope, na qual ele faz parte, veio de Belo Horizonte para Ipatinga com o intuito de iniciar a aplicação de testes rápidos na cidade. “Quando chegamos na cidade, descobrimos que o Ministério da Saúde não tinha comunicado a população sobre essa testagem. Muitas pessoas nem sequer estavam sabendo sobre isso. Mesmo assim, fomos fazer os testes, sendo que a nossa meta era testar 250 pessoas. No entanto, logo no início, já houve uma confusão envolvendo um dos integrantes da equipe e moradores do bairro Planalto. Eles estavam receosos com o estudo, não acreditando que era verdadeiro e achando que era algum tipo de golpe, por isso, chamaram até a Polícia Militar”, contou.

Veja atualização:
Equipe do Ibope realiza segunda fase de pesquisa sobre coronavírus em Ipatinga

Segunda confusão

Cid conta que, após muita conversa com os policiais militares e os moradores, foi possível esclarecer toda a situação, mas devido ao entrevero, o Ibope pediu para que a equipe voltasse para a capital mineira e só retornasse a Ipatinga no dia 18 de maio. “Seguimos essa recomendação do Ibope, mas no dia 20 de maio aconteceu a mesma coisa. Durante uma testagem, no bairro Iguaçu, se não me engano, duas meninas da equipe quase apanharam dos populares revoltosos. Inclusive, eles chegaram a cercar a casa que em que elas estavam, na iminência de agredi-las. Instantes depois, a polícia foi acionada novamente para resolver a situação. Após isso, decidimos interromper novamente os testes e ir embora da cidade, sendo que os testes não chegaram a 100, e a meta era 250”, afirmou.

Estudo

O objetivo do estudo, que teve início em maio, é avaliar como o coronavírus se propaga pelo país, por meio da testagem de anticorpos na população. Com o inquérito, será possível identificar com que velocidade a população está adquirindo anticorpos contra a doença. Para isso, o Governo Federal disponibilizou 150 mil unidades de um tipo de teste rápido que detecta a presença de anticorpos IgM (de infecção mais recente) e IgG (de infecção mais antiga) para o novo coronavírus, a partir de amostras de sangue. Com os resultados, será possível criar estratégias mais precisas para o combate à pandemia, além de ações e programas de prevenção.

Coleta

A coleta de dados está sendo feita nos domicílios pelos profissionais do Ibope. Em cada residência, é escolhido um morador para participar do inquérito. A cada etapa, a amostragem incluirá os mesmos setores, mas domicílios diferentes dos inquéritos anteriores. Durante a visita, a equipe do Ibope também disponibiliza um questionário sobre doenças preexistentes e possíveis sintomas da covid-19 nos últimos 30 dias, além da aplicação do teste rápido.

Caso algum morador apresente resultado positivo, todos os moradores da residência serão testados e a Secretaria Municipal de Saúde será informada para os cuidados e protocolos necessários. As medidas de segurança biológica também estão sendo adotadas, garantindo a proteção dos entrevistados e integrantes das equipes de campo que atuam na coleta dos dados e do material. Todas as equipes de campo já foram testadas.
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Comentários

Juliana 02 de junho, 2020 | 21:15
O mais estranho é que nem o governo federal e nem o ministério da saúde não avisaram para a prefeitura da cidade que estariam fazendo estes testes na população. Não parece confiável.
Janaina 02 de junho, 2020 | 20:20
Se as pessoas entendesse um pouquinho do que e o trabalho dessas pessoas as receberiam com aplausos. Sao proficionais que deixao famílias,filhos,e colocam suas vidas em riscos pora salvar vidas de pessoas que nunca virao.E sao tratados como marginais quando deveriam ser considerados herois.acorda Brasil quando sua cidade esta morrendo por falta de hospitais
Vem pessoas para mostra que alguém se importam com vcs
Bolsonaro 02 de junho, 2020 | 20:02
O POVO DO VALE DO AÇO ESTÃO MUITO RAIVOSOS NÃO ERA ASSIM NÃO, ERA UMA GALERA MASSA. DE REPENTE MUDOU TUDO TODO MUNDO QUERENDO SER O MALANDRÃO, O ESPERTO, O GOSTOSÃO FORA OS NOIADOS QUE ESTÃO POR TODO LADO.
MUDA VALE DO AÇO.
ACORDA VALE DO AÇO.
André Freitas 02 de junho, 2020 | 17:17
O problema que povo mistura saúde com política.
Zito 02 de junho, 2020 | 17:14
Porque a mídia não divulga estes testes rápidos, povo não acredita mais em watssap, Instagram e outros meios, pois tudo está se tornando fakes news.
Mandeta Maleta 02 de junho, 2020 | 13:53
como que vem na surdina fazer teste no povo... tem que avisar a população uai, olha que nessa epoca era o queridinho do mandetta o ministro.
Rosa 02 de junho, 2020 | 13:28
Essa testagem está dando problema em todo Brasil...o ibope deveria informar melhor sobre a testagem ...
Midia 02 de junho, 2020 | 12:12
Houve um trabalho muito bem feito de tentar tirar a credibilidade da grande mídia. As pessoas agora querem informação pelo celular. A primeira que chega é a verdade. Quem aqui não recebeu fake news falando asneira sobre a doença, dizendo que máscaras contaminadas seriam distribuídas ou que pra cidade é bom ter um alto número pq recebe verba por contaminado? É lamentável mas somos governados por um presidente que diz que fake news é liberdade de expressão.
Cristina 02 de junho, 2020 | 10:54
o povo é ignorante... meu Deus, que falta de sabedoria e de respeito.

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